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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Eu era um Lobisomem Juvenil

"Luz e sentido e palavra. Palavra é que o coração não pensa..."

Alguns de vocês já devem suspeitar que eu não bato muito bem da cabeça, outros devem ter certeza... Enfim, esse título totalmente sem nexo, essa epígrafe meio sem sentido, parecem não ter relação nenhuma com nada. Na verdade, elas são título e trecho de uma música, a minha preferida, da Legião Urbana. Pois é sobre eles que eu quero postar hoje, sim, a trilha sonora da minha vida... Pensei, pensei, e pensei mais um pouco sobre qual seria a melhor meneira de falar dos quatro homens que mudaram a minha vida, por fim, resolvi fazer fazer uma espécie de viagem sobre as obras de estúdio do grupo, marcando os pontos em que parei e chorei, ri, refleti, debati, copiei, cantei e até dancei... Os pontos altos da minha vida! Vamos começar então?? :D

"Não tenha medo, não preste atenção. Não dê conselhos, não peça permissão. É só você que deve decidir o que fazer pra tentar ser feliz" (Teorema)

1984, Brasília. Eu nem sonhava em nascer ainda, e esses caras já estavam unidos, fazendo barulho. O album "Legião Urbana" é caracterizado pelo conteúdo político, ideológico, de maneira sutil até demais, sem deixar de ser Pop. Muitas das músicas vieram da extinta "Aborto Elétrico", banda que deu origem não só a Legião Urbana, mas também ao Capital Inicial. É incrível como eles foram debochados em "Baader-Meinhof Blues", revoltados em "A Dança" e "O Reggae", sinceros em "Perdidos no Espaço", sentimentais em "Por Enquanto", sem contar nos singles "Será" e "Ainda é Cedo". Eu descobri esse CD já bem tarde, uns 10 anos depois do fim da banda, mais de 20 anos depois de seu lançamento. Foi o meu primeiro mergulho na história da banda, é hoje um dos meus albuns preferidos.


"Aceite o desafio, provoque o desempate, desarme a armadilha e desmonte o disfarce. Se afaste do abismo. Faça do bom-senso a nova ordem" (Plantas em Baixo do Aquário)


Esse album foi importante, o "Dois" (1986). Marcou presença na minha vida em vários aspectos, principalmente ideológicos. Eu smepre tive uma certa simpatia pelo socialismo, teve até uma época em que estava meio neurótico por causa disso. A primeira vez que eu escutei "A Fábrica", eu vibrei... Aquilo fazia todo sentido pra mim. É ainda um CD muito político-ideológico (Plantas me Baixo do Aquário, Metróple, Fábrica, Índios). Aliás, foi nesse CD que eu comecei a ter esse sentimento estranho de nostalgia pelo que nunca tinha vivido, por isso me identifiquei muito com "Índios" de cara (E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi). Sem contar na fase crítica, quando eu quis sair do armário mesmo, quando eu fui buscar apoio nos versos de "Quase sem Querer". É um CD lindo, miscigenado, político sem perder o romantismo.

"Sexo verbal não faz meu estilo, palavras são erros, e os erros são seus. Não quero lembrar que eu erro também" (Eu Sei)

Esse é o lixo, Que País é Esse (1987). Não estou dizendo que o CD é uma porcaria, pelo contrário, é muito bom. Eu gosto de usar a palavra lixo porque o CD foi meio que feito com as sobras de "Legião Urbana"(1984). A herança do Aborto Elétrico ainda não tinha acabado, foi então que eles decidiram dar um encrementada com umas músicas a mais (que deram o que falar), e lançar o album. O resultado foi um CD extremamente ácido, polêmico, maluco e... triste. Como todo CD da Legião, tem sempre aquela música que te deixa pra baixo quando ouve (Angra dos Reis). Mas esse CD, apesar de não ser o meu favorito, colocou a banda na história de uma vez por todas, com a longa e clássica "Faroeste caboclo". "Eu sei" é a que eu mais gosto, identificação pessoal, não sei explicar, fala sobre juventude, sobre essas ilusões que temos de que podemos saber tudo, de ignorar nossos defeitos (pelo menos é assim que eu vejo a letra).

"Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre, vai ficando complicado a e ao mesmo tempo diferente" (Meninos e Meninas)

Ai ai, "As Quatro Estações" (1989). Muito difíciu falar desse CD, é o único de que eu não me canso nunca, é aquele cujas músicas eu gosto mais, é disparado o mais Romantico (quer ouvir uma canção de amor? Ouça "As Quatro Estações"). Não só é o meu CD preferido, mas também o mais importante, o mais crítico, esteve presente nos momentos mais dark da minha vida, tipo quando eu lutava para me aceitar do jeito que eu era (Meninos e Meninas) ou em alguma crise de depressão por estar sozinho (Maurício). Eu não sei o que é o amor (digo o amor entre dois homens) na prática, mas na teoria, pelo menos, eu aprendi com esse CD. Não tem nada de político, nada de ideológico, é apenas romantico, fala de amor em todos os sentidos, em todas as suas versões. Tem a minha música preferida (o título desse post), e outras que foram preferidas antes dessa...

"Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta  meu desejo" (Sereníssima)

Esse é o CD mais sombrio, misterioso... "V" (1991). Esse sou eu, parece que foi feito em minha homenagem. As músicas se parecem muito comigo, cada uma carrega um pedacinho de mim, além do fato de o CD ter sido lançado no ano em que eu nasci. O tristeza sempre foi uma caracteristica marcante da Legião, em todos os albuns ela está presente. Mas a partir do "V" ela começou a se instalar ainda mais. Surgiram aquelas músicas que falam da perda, do amor que resiste à morte (Vento no Litoral), e essa é a característica quer permaneceu na banda até o ultimo disco. O CD é lindo, só de ouvi-lo você já se envolve em uma atmosfera misteriosa, é um CD para ser ouvido com atenção, mas é muito dificiu de interpretar.

"Só por hoje eu não quero mais chorar. Só por hoje eu espero conseguir aceitar o que passou o que virá. Só por hoje vou me lembrar que sou feliz." (Só por hoje)

"O Descobrimento do Brasil" (1994), esse eu acabei de descobrir. Pois é, a vida nos guarda essas surpresas. Quando eu chegava nesse CD, eu sempre pulava as músicas, não estava acostumado a ouvi-lo, não sei porque. Ia sempre direto nas óbvias (Perfeição, Love in the Afternoon, Vamos fazer um filme). Esses dias, talvez por acidente, ou por curiosidade, eu não pulei música nenhuma, e acabei me encantando com o que ouvi. Não sei como eu pude passar tanto tempo pulando essas músicas. São lindas, e falam muito sobre o próprio Renato. É um CD romantico demais, mas da uma sensação de despedida já, tipo uma espécie de Carpe Diem, de aproveitar a vida enquanto agente ainda a tem. Valoriza as pequenas coisas, que muitas vezes agente nem liga, a rotina... Tem uma quebra política no meio do disco (Perfeição), mas em geral, as músicas tratam dessa coisa de valorizar as coisas que sustentam a nossa felicidade. Estou ouvindo ele direto. Aquela história toda da perda, da separação pela morte, já estpá com tudo nesse CD (Love in the Afternoon)

"Vamos falar de pesticidas e de tragédias radioativas, de doenças incuráveis. Vamos falar de sua vida" (Natália)

"A Tempestade" chegou em 1996 para preparar os fãs para o pior: o fim da banda. É um CD triste, te deixa pra baixo mesmo, fala da morte, da perda, do amor infinito, além da morte. É a despedida. Não consigo não me emocionar quando ouço esse disco. É um CD que me atinge em cheio, fala muito sobre rejeição, além da separação ante a morte. Ainda assim é um album que vicia, smepre me pego ouvindo, e as múscas mais tristes ainda pro cima. Poucos meses depois do lançamento do disco, Renato Russo morreu, já era portador do HIV há algum tempo... E eu só tinha 5 anos quando isso aconteceu. é uma das maiores frustações que eu tenho, ter descoberto essa banda magnífica mais de 8 anos depois de seu fim.

"Existem muitos formatos que só tem verniz e não tem invenção. E tudo aquilo contra o que sempre lutam. é exatamente tudo aquilo que eles são" (Marcianos Invadem a Terra)

Quem pensou que acabou por aí, não acabou não. Em 1997 é lançado "Uma outra Estação", um CD póstumo de músicas inéditas. Todas as preciosidades que estavam guardadas por algum motivo foram juntas nessa obra prima. Não é um CD com estilo prório, tem um pouquinho de cada fase da banda, triste, romantico, sombrio, político e revoltado. Nos dá a sensação de imortalidade, de redenção... A Eterna Legião Urbana continua viva nos nossos corações e mentes, e ainda pode despertar o interesse de pessoas como eu, que chegaram atrazadas para aproveitar o show. Ainda existem outros CDs, que foram coletâneas, ou shows. Mas a essencia de tudo são esses aqui...



"E nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar. E até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer. Não olhe pra traz, apenas começamos. O mundo começa agora, apenas começamos" (Metal Contra as Núvens)


Essa é a mensagem deles, não perder as esperanças, nunca. Não se preocupar com coisas que não são importantes. Viver a vida, antes que ela deixe ser nossa. Somos todos iguais, e nosso único dever nesse mundo é ser feliz a cada minuto. São esses os valores que eu aprendi e carrego até hoje, graças a Legião Urbana, a banda da minha vida...

Nossa, olha eu aquí dando uma de intelectual que entende de música... Quem me dera. O fato é que gosto muito dessa banda, ouço ela demais desde os treze anos e é assim que eu vejo a obra... Não entendo como existe gente que não gosta deles...

Um grande abraço e um beijo longo, como se fosse o último... Até o próximo post

EDIT: Desculpem gente, tive que fazer algumas edições no texto pq meu padrinho fez questão de colocar o TOC dele em ação (kkk). Só corrigi os erros feios também, e desse post... Não vou fazer mais para não ferir a proposta do blog!!! Mais um beijo e amis um abraço, só para não perder o hábito...

10 comentários:

DMalk disse...

naum me crucifica mais devo confessar que não gosto de Legião.

Borboletas nos Olhos disse...

meu querido! meu querido! meu querido! Que linda forma de (se) apresentar o Legião. Eu, que sou simpatizante, passei a ter mais carinho pela banda. Amei essa idéia e estou matutando se tenho coragem de tentar...vamos ver se o tempo dá.

PS. Fico feliz que você ande espreitando os outros blogs...sabe aquelas colchas de retalhos? pois sou eu, um pedacinho em cada canto.

Gui disse...

Legião, conheço pouco mais simpatizo muito.

Ju, posso exercitar meu TOC bloguístico? Faz uma revisão nos seu textos por faaaavooooor. Sei que to sendo chato e intrometido, mas meus olhos doem às vezes, sabia? ter TOC NÃO é fácil.

Beija

FOXX disse...

eu gosto de legião
mas meu irmão mais novo idolatra!
=D

FOXX disse...

ah, minhas músicas preferida são Dezesseis, Love in The Afternoon e Love Song

sougay disse...

Não sou muito fã do Legião, mas adoro a canção "Mais Uma Vez".

Um abraço apertado, Júlio!

dogmanstar disse...

chorei aqui.
LU é parte de minha vida, de meu primeiro namoro que foi tod embalado pelas canções maravilhosas dele, Russo, divo, divino.
Minnha adolescência foi pautada por eles que cantavam coisas sobre o amor que não podia revelar seu nome...
obrigado por essa viagem no tempo....

Nina disse...

Que perfeição,Júlio César!
Ops... Perfeição me faz lembrar LU.
Sou fã e amo as músicas de RR e a LU, desde os meus 6 anos. A primeira vez que ouvi a Legião Urbana, ouvi a música Que país é este. Fiquei fascinada. E a minha vida, em todas as fases que já passou, a LU marca presença.

Já estou te seguindo somente por causa deste post. Depois venho conferir mais...

Abraço de NINA

Anônimo disse...

Caríssimo, que bela forma de expressar tua admiração pela Legião Urbana, as letras viscerais de Renato! Acho que conseguisses exprimir de forma muito bonita (pois a partir de teu feeling) a essência de cada disco. Lindo.

Anônimo disse...

Caríssimo, que bela forma de expressar tua admiração pela Legião Urbana, as letras viscerais de Renato! Acho que conseguisses exprimir de forma muito bonita (pois a partir de teu feeling) a essência de cada disco. Lindo.