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domingo, 3 de junho de 2012

Caras mais velhos sabem o que fazem...

"Vai, pode falar, pode escrever 
Eu vou me entregar 
No meu lugar, quem não faria? 
Diz que é loucura, diz que é besteira
Mas eu não vou ligar 
Não tente entender 
E o tempo dirá 
A sina é sonhar 
Que eu pago pra ver 
Qual meu lugar 
Que a vida é um dia 
Um dia sem culpa 
Um dia que passa aonde a gente está"
(O que se quer - Marisa Monte)



Ah, e como eles sabem. E eu sou só um garoto. Eles sabem muito bem como agradar um garoto. Depois de tanto tempo, depois de uma decepção, depois de me planejar tanto para não sofrer mais de novo, eis que surge ele na minha vida. Na verdade, ele sempre esteve por perto e eu talvez nunca tenha dado a atenção merecida.

Conheci o Alex há pouco mais de um ano, antes mesmo de conhecer o meu primeiro namorado. Só o conhecia pela internet, porém conversávamos bastante. De cara, gostamos um do outro. Confesso que o fato de ele ser 15 anos mais velho me deixava ainda mais curioso e interessado. Marcamos diversos encontros que não deram em nada. No final, eu sempre hesitava a encontrá-lo, não sei se por medo ou por incerteza mesmo se realmente queria avançar com ele. Até que certo dia eu desmarquei um encontro com ele para conhecer meu ex-namorado, e acabou dando no que vocês já devem ter deduzido.

Óbvio que o Alex ficou puto chateado comigo naquela época, confessou-me recentemente. Me disse que se sentiu trocado. Mas em pouco tempo voltamos a nos falar, como amigos, e ele sempre esteve por perto desde então. Próximo ao término de meu namoro, ele se aproximou bastante, como se sentisse o quanto eu estava precisando de alguém que me ouvisse naquele momento. Teria sido a entrada estratégica? Porque depois disso, quase um ano depois de termos nos conhecido, eu me lembrei o quanto o achava interessante e o quanto o fato de ele ser 15 anos mais velho me deixava ainda mais excitado ansioso por conhecê-lo...

Depois do término do meu namoro, voltamos a demonstrar mais interesse um pelo outro do que simplesmente uma amizade. Outras várias marcações de encontro que não deram em nada nos levaram até a última quarta-feira, dia 30 de maio de 2012. Nos encontramos lá, naquela praça cheia de significado... Confesso que ele me pareceu ainda mais atraente pessoalmente. Confesso que me deixei levar pelas suas atitudes, pelas palavras que ele sabia que eu queria ouvir. Confesso que cedi ao seu convite de um contato mais, digamos, íntimo... Lá mesmo, próximo àquela praça...

Os passos já eram contados, e a turbulência daquele elevador antigo já passava despercebida perto do atmosfera de curiosidade e desejo que nos envolvia. E foi ali, naquele quarto de motel próximo a Cinelândia, que Alex me provou o que eu já desconfiava: caras mais velhos sabem o que fazem... Sabem exatamente como encantar um rapaz de vinte e poucos anos. Tudo nele me parecia ainda mais atraente entre aquelas 4 paredes fartas de presenciarem as mais diversas histórias de amor e erotismo.

Amor e erotismo. Queria eu ter a certeza e a coragem tão veladas, como as expressas nas de Marisa Monte, de admitir que era exatamente isso que eu estava sentindo. Garotos têm duvida. Garotos não sabem o que querem. Garotos tem medo de cair da bicicleta, por mais que tenha alguém os dando o apoio e a certeza de que eles não vão cair de novo. Alex é um homem incrível, lindo, simpático, inteligente, seguro de si... Ele é tudo que eu queria e precisava encontrar em um cara. Também sinto que as intenções dele são as melhores, de modo que nunca antes alguém tivera tais intenções em relação a mim. Porque então eu ainda tenho dúvida?

Há quem diga que a vida é uma só, e ela passa rápido... Devemos vive-la intensamente. Mas é tão difícil voltar a subir na bicicleta depois do primeiro tombo... Mais difícil ainda é tomar uma decisão sem ter certeza do que realmente quer, sem ter certeza se suas vontades futuras podem acabar magoando alguém. O que eu sinto pelo Alex é tão especial que jamais teria coragem de magoá-lo por qualquer motivo que seja. No entanto, minha única certeza é que, nesse momento, só o que eu quero é voltar a ouvir sua voz e sentir o calor do seu abraço... Me resta torcer para que ele, além de saber o que fazer para me conquistar, também saiba que garotos como eu nunca têm certeza do que querem, pelo menos por hora...
"Mas se eu tenho tanto a  perder 
Eu perco é o medo  
Do que a sorte lê 
Sabe quem quer 
Sabe quem tem 
O que se quer"
(O que se quer - Marisa Monte)




É isso por hoje, meus lindos... Até o próximo! 

domingo, 15 de abril de 2012

O Anjo


"- Adieu, dit le renard. Voici mon secret. Il est très simple: on ne voit bien qu'avec le cœur. L'essentiel est invisible pour les yeux.
- L'essentiel est invisible pour les yeux, répéta le petit prince, afin de se souvenir.
- C'est le temps que tu as perdu pour ta rose qui fait ta rose si importante.
- C'est le temps que j'ai perdu pour ma rose... fit le petit prince, afin de se souvenir.
- Les hommes ont oublié cette vérité, dit le renard. Mais tu ne dois pas l'oublier. Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Tu es responsable de ta rose..."

(Le Petit Prince - Antoine de Saint-Exupéry)


Esses dias, eu encontrei um anjo... Logo eu, que nunca acreditei em anjo... Mas esse era diferente. Por fora, era o esteriótipo de anjo: loiro, olhos verdes, encantador. Por dentro, conseguia ser mais doce do que qualquer anjo de que se tenha notícia, mas ainda assim tinha algo de apimentado que nenhum anjo conseguiria ter.

Poderia-se dizer que não se tratava de um anjo. Anjos não têm sexo. Este tem... Mesmo assim, era de uma pureza tão admirável, que me saltava aos olhos. Mas foi no momento em que o toquei que tive a certeza. Poucos nesse mundo tiveram este privilégio: o de tocar um anjo. Só os anjos são capazes de te levar ao céu apenas com um beijo... Naquele eu dia eu fui ao céu, e fiquei lá por uma hora e quarenta minutos.

Uma hora e quarenta minutos longe deste mundo, que naquele momento não estava sendo um lugar muito amigável para mim. Por mais que a pista de dança estivesse cheia, só estávamos nós: eu e o meu anjo. E foi tão bom descobrir o mel que existe em sua boca, desbravar o verde dos seus olhos, sentir o seu cheiro, o calor da sua pele... Sim, os anjos têm pele, e ela queima como a nossa. Os anjos têm sangue, e ele ferve como o nosso. Os anjos têm coração, e ele pulsa como o nosso.

O único problema é que os anjos têm asas, e eles voam... nos escapam. Tentei mantê-lo do meu lado, mas desisti (Desisti?). Não posso cortar as asas de um anjo. Quem me dera tê-lo aqui comigo agora. Tão puro e tão encantador. Quem sabe um dia poderei tê-lo sem ter que cortar suas asas. Hei de tê-lo um dia, de novo, por muito mais que quase duas horas. Mas isso ainda são incertezas. De certeza concreta, o que ficou foi aquele beijo, e todos os outros que seguiram. Isso já foi mais do que suficiente para tornar este anjo inesquecível, para torná-lo o meu anjo.

Não sei se meu anjo sabe, mas existe uma verdade que os homens esqueceram. Como diria Saint-Exupery, "Torna-te eternamente responsável por aquele que cativaste". Meu anjo me cativou, agora ele é responsável por mim, para sempre. Seja no amor, ou na amizade... Só quero ter certeza de que poderei desbravar o verde de seus olhos mais uma vez, ou relembrar o mel que existe em sua boca, mesmo que seja por menos vezes do que eu realmente gostaria...


"Angel, angel or so
Wherever you may go
Hmmm, yeah…
I'll follow
Wherever you may go

And always will I be there
Shake worries from your hair
Hmmm, yeah…
I'll be there
Always"

(Angel in the Snow - A-Ha)





Estão vendo? Estou voltando, aos poucos... Pelo menos nos finais de semana... rsrsrs

Um Grande abraço em vocês, meus lindos...

Até o próximo... ;D

domingo, 1 de janeiro de 2012

Quando Grandes Mudanças se Fazem Necessárias!

"Uma menina me ensinou
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir

Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo."


(Ainda é Cedo - Legião Urbana)

Sabe quando chega uma hora em que as coisas tomam um rumo que você não previa, mas já passou tanto tempo que mudar o percurso já se tornou um dos trabalhos de Hércules? É muito difícil lidar com situações desse tipo, pelo menos quando nunca se viveu isso antes...



Aí é que está o problema... Será que eu nunca vivi isso antes? Esses dias, conversando com minha irmã, eu me lembrei de uma grande amiga de infância, a Víviam. Já falei dela antes aqui no blog, nós éramos "namoradinhos", fomos criados juntos até o início da adolescência. Minha afeição pela Víviam sempre foi muito grande, principalmente entre 5-6 anos de idade, em que ela era a minha única companhia aqui nesse bairro. Ela era criança, mas era esperta que só ela, usava essa afeição que eu sentia por ela em seu favor, e me chantageava...

Eu me lembrei desse tempo, dessas histórias... É como perder o controle da situação, sabe? É como se o outro tivesse você na mão e te utilizasse como fantoche. Não que o outro queira o seu mal, pelo contrário... Ás vezes justamente por querer seu bem, o outro chega e toma as rédeas da situação. Ás vezes você mesmo, por sua maneira de pensar e agir, por imaturidade, por passividade, deixa que a situação vá por um caminho perigoso, que não deveria ir. Não é de má fé, isso com certeza não é...

Daí, quando um dos lados começa a se prejudicar, começa a sofrer, agente percebe que as coisas não estão certas do jeito que estão. Alguma coisa precisa mudar, antes que esta estrada dê num precipício e não sobre mais nada daquilo que sempre foi tão bonito. O problema é que quando nos damos conta de que grandes mudanças são de fato necessárias, já passou tempo suficiente para tornar essas mudanças o mais árduo dos trabalhos. E põe árduo nisso... 

Quando se trata de alguém que agente ama de verdade, a coisa piora mais ainda. Vem o medo de magoar, o medo do novo, das mudanças na verdade... Deve-se agir com cautela, pois somos humanos, e a chance de erro é grande. Não se pode errar nessas horas. É preciso ser firme, preciso, até um pouco frio e calculista... Não é tão fácil assim equilibrar uma balança, antes você precisa ter a sensibilidade dos pesos. É uma tarefa quase impossível, sim... Mas tenho certeza que valerá muito a pena, como tem valido muito a pena todo esse tempo em que estive nessa estrada, por mais que eu tenha planejado um caminho diferente do que o que foi tomado...


Senti saudades daqui... E dos amigos, é claro! Q venham os próximos (Posts)! :D

Um grande beijo a todos... Até o próximo...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

(des)Ilusão do Amor - Le Blanc de Neige

"Nada além
Nada além de uma ilusão
Veja bem
É demais para o meu coração
Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz
Eu vou vivendo assim feliz
Na ilusão de ser feliz
"
(Nada Além -  Orlando Silva)

De vez em quando, eu ouso tocar em palavras que eu nem conheço a origem. Ideias, que muitas vezes eu nem sequer experimentei por completo. Conclusões precipitadas, calorosas, intensas, exageradas. A ideia é essa, ousar desafiar o desconhecido, para que assim seja possivel refletir o conhecer melhor. Há quem diga que isso é realmente perigoso, mas eu não estou em condições de avaliar o risco agora...

O amor é uma coisa realmente difíciu de definir, dificiu de identificar, em nós mesmos e nos outros. Muitos se questionam se realmente existe. Disso eu não tenho dúvida, o amor existe. Eu amo minha mãe, meu pai, minha irmã e sobrinha, os amigos... Mas e aquele amor, aquele sem comrpomisso, aquela magia, os sininhos, o tesão, as histórias de novelas e comédias românticas, dos contos de fadas... Aquilo existe? Mesmo aquele amor ultraromântico, o "mau do século", aquela coisa sublime e inalcansável, aquilo que nos faz sofrer e ainda assim nos vicia. Aquilo realmente existe?  Não, essas ideias são muito certas para serem reais. Por mais ingênua que a pessoa seja, ela sabe que esse é o tipo de sentimento que só existe na nossa cabeça.

Na verdade, esse é o ponto: a nossa cabeça. Nela é tudo perfeito, é tudo possível. Ela torna nossa vida mais doce, molda os fatos a seu jeito, nos ilude. E é tão bom se levar pela ilusão de que tudo pode ser perfeito, por mais que tenhamos certeza de que não pode. Nunca quis nada além disso, algo que suprisse minha imaginação, minhas ilusões, pelo menos a partir de certo ponto em que isso se tornasse possível. Esse é o meu ideal de amor, uma grande ilusão. A morfina que nos cura do tédio, da rotina massacrante. O tal veneno antimonotonia, "a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida".


Blanc de Neige


Como eu disse, esse é o meu ideal de amor. Ideal, meu. Não posso exigir que os outros pensem como eu, não posso esperar atitudes para comigo visando esse ideal de amor. Não posso nem esperar que todos acreditem no amor, de qualquer forma que ele possa se apresentar. Minha cabeça pode até projetar isso, mas na prática (fudeu), as coisas são bem diferentes. As pessoas complicam, descomplicam. Cada um tem a sua cabeça, e isso é tão maravilhoso que chega até a nos complicar a vida. 

Como fazer duas cabeças terem a mesma ilusão do amor? Como entrar em sintonia? Eu, sinceramente, não sei. Não ouso dizer que seja impossível, mas acredito que leva uma vida inteira, ás vezes nem isso. E o que são meus 5 anos 20 anos diante de uma vida inteira? É, hoje eu me senti tão ingênuo quanto uma criança de 5 anos... Enquanto isso, só me resta provar do meu próprio ópio: cru, impuro, cheio de efeitos adversos. Como a branca de neve que morde uma maça invenenada na ânsia de do sabor de fruta mordida. Le Blanc de Neige...

"Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor, bem melhor
A ilusão do amor
Eu não quero e nem peço
Para o meu coração
Nada além
De uma linda ilusão..."
(Nada Além -  Orlando Silva)



Bom gente, por hoje é só! :D
Já fez um bem danado escrever isso aqui, já posso até dormir agora... :)
Agora é com vocês! rs
Um beijo e um abraço em cada um de vocês! Até o próximo

domingo, 3 de abril de 2011

Montanha Russa

"Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Pra tentar ser feliz
"

(Teorema - Legião Urbana)



Eis-me aqui... Como sempre estive, só que mais confuso que nunca. Sim, esses últimos 4 meses foram os mais loucos da minha vida. Nunca antes eu vivi com tanta intensidade. Chega uma hora que agente cansa de ser o cara certinho, o orgulho da familia. Chega uma hora que agente passa desconsiderar a cobrança dos outros e acaba se cobrando sobre a própria felicidade. Foi então que eu cheguei, parei e pensei: O que eu fiz até hoje da minha vida? Será que eu fui feliz??? Feliz eu sei que eu fui, mas será que eu fui feliz do jeito que eu queria? Com a intensidade que eu queria? Não.. Justamente porque eu sempre me impotei com a opinião dos outros. Eu sempre quis ser um exemplo, mesmo que isso me custasse a privação de muitas coisas.

Só que uma hora agente cansa... A vida vai passando, sabe? O tempo não para, nunca parou, muito menos para me esperar decidir ser feliz. Eles vem chegando (os 20), já faltam menos de 2 meses, sabiam? E o que eu fiz nesses quase 20 anos? "Desses 20 anos, nenhum foi feito pra mim..." Justamente porque eu não me deixei viver do jeito que eu julgo ser o certo, ou o mais prazeroso.

Foi pensando nisso que eu decidi embarcar nessa Montanha Russa. Quase sem querer, mas sem deixar de ser minimamente calculado. Eu só precisava dizer sim. Parece tão fácil, né? Três letrinhas, uma sílaba... Mas é tão difíciu. Como é que pode agente ter que lutar com todos os nossos mostros só para conseguir pronunciar três letras, uma silaba? Mas eu consigo... Todos conseguem, porque eu não conseguiria?

E lá fui eu, por esses caminhos tortuosos, fui viver. Das loucuras divertidas até a vibe gay da depressão. Tudo junto, um verdadeiro tornado (como diria esse cara da minha espécie, rsrs). É o momento de beber até passar mal, de falar mal dos outros, de ferir o ego, de recuperá-lo...  Da curiosidade, de experimentar coisas novas, pessoas novas (sim, experimentar pessoas novas). Mas tem sempre aquele gosto que agrada mais, que fica na memória. Aquele beijo que encaixa, e que você quer repetir (o quanto antes). Aquelas palavras, aquele perfume... E aí toda aquela loucura perde um pouco do sentido...

E é assim mesmo que acontece. No meio daquela adrenalina, na situação mais inusitada, no local mais inóspito, você encontra aquela pessoa que te faz querer sair dalí. A pessoa que te faz perceber que para ter aquela adrenalina toda, não precisa de montanha russa nenhuma, basta estar ao seu lado. A montanha Russa é dispensável, apenas um acessório. E foi assim que eu decidí, se você me der a mão, eu saio da montanha russa, de bom grado... Eu não preciso de mais caminhos tortuosos (na verdade, eu já até cansei dessa brincadeira), eu só preciso de carinho, e um pouco de atenção... De uma frase bonitinha, de um arrepio na nuca, e isso eu sei que você pode me dar (você sabe me dar).

"Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer
"

(Teorema - Legião Urbana)




Nossa, esse texto ficou uma bagunça... hahaha... Assim como foram essas ultimas semanas da minha vida. Mas enfim, estou feliz de ter escrito hoje... Foi como se eu tirasse uma tonalada em pensamentos, expectativas, angústias... Mas enfim, o que tiver de ser será... vamos deixar a vida seguir seu curso normal, no ritmo que tem que ser!

Um abraço a todos vocês... Estava morrendo de saudades! Até o próximo!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mulheres da Minha Vida


Estava voltando pra casa. Quando chego na esquina da minha rua, encontro Vivian, indo em minha direção.

Eu: Oi Vivian...
Vivian: Oi Julinho... Tudo bem?
Victor Hugo (no colo dela): Uinhu... (aponta pra mim)
Eu (cara de surpresa): Nossa Vivian, esse menino tá mais esperto a cada dia...
Vivian: Não é verdade? Mas é porque ele também chama o pai dele assim, deve ter se lembrado...
Eu: Passa lá em casa qualquer dia desses, minha mãe quer te ver...
Vivian: Claro, passo sim... (sorri)

Vivian sempre foi uma garota muito precoce. Crescemos juntos, ela era minha vizinha desde que nascemos. Ela era poucos meses mais velha. A mãe dela vivia dizendo que, se não nos casássemos, seríamos melhores amigos. De fato, não poderia me casar com ela (vocês sabem porque). Mesmo ela sendo linda, não era dessa fruta que eu queria comer (e nem quero ainda). Mas na infância agente ainda não tem paladar para frutas. Ela era a minha namoradinha, daquelas que normalmente agente tem aos 5 ou 6 anos de idade. Vivíamos juntos, pra lá e pra cá... Éramos sim, grandes amigos... O tempo nos separou. Ela começou a criar corpo, só que eu comecei a gostar de garotos... Nos distanciamos, talvez por causa do estudo, talvez por causa das diferenças... Hoje ela é mãe, tem um filhinho lindo, e um namorado de verdade. Fico muito feliz por ela, mas gostaria de resgatar aquela amizade pura da infância... Sinto saudades daquela Vivian que me escrevia cartinhas de amor, que me chantageava para eu fazer o que ela queria, que me dava selinhos...

Bruna veio na minha cabeça esses dias, não sei por quê... Sempre linda, com seus cabelos pretos e compridos, a pele bem branca, o corpo bem formado, seios fartos. Não sei ainda o que eu senti por ela naquela época. Eu tinha 15 anos, ela tinha 19. Estudávamos francês... Eu era meio CDF, ela me pedia ajuda com as tarefas, sempre me procurava para formar os grupos de trabalho. Quando trabalhávamos juntos ela projetava os seios em direção a mim, soltava aquele sorriso lindo... Talvez fosse coisa da minha cabeça. O fato é que ela me dava aquela esperança ilusória, tendência de qualquer menino de 15 anos que ainda nem sabe o que está sentindo, disposto a usar todas as armas de que dispunha para lutar contra aquele sentimento antinatural. Eu queria me sentir atraído por ela, e queria muito. Me dei ao luxo de pensar constantemente nela, e já estava acreditando que ela seria a solução dos meus problemas. Mas não, foi apenas uma ilusão (e graças a deus que foi uma ilusão). Ilusão de pensar que uma garota linda como ela se interessaria por um CDF, que ainda por cima era bem mais novo. Ilusão maior ainda de acreditar que ela resolveria o meu "problema". Pouco tempo passou e ela se mudou para os EUA. Menos de 6 meses de sua partida e eu vejo as fotos do seu casamento no Orkut. Minha certeza de que ela não seria a tal solução para os meus "problemas" apareceu quando eu me vi mais atraído pelo noivo dela do que por ela (nossa, que americano gato... kkkk). Enfim, enganos acontecem, ainda mais quando queremos nos enganar...

Esses dias eu encontrei Carla na padaria. Ela como sempre, me chamou de "Meu Amor". Eu coloquei a mão na barriga dela, e perguntei para quando seria. Ela respondeu que Alice viria em Maio. Se Vivian era bastante precoce, Carla era mais ainda. Nos conhecíamos da infância também. Mas apenas quando eu tinha 16 e ela 13 que nos beijamos pela primeira vez. Eu sempre a vi como amiga, nada mais. Dela não se podia dizer o mesmo. Carla foi a primeira e pessoa que demonstrou claramente algum tipo de interesse em mim, como homem. Mesmo assim, era contra a minha natureza sentir mais do que um grande afeto por ela. Um garoto de 16 ou 17 anos não tem maturidade para abrir mão de sopro de ego assim tão fácil, nem do álibi perfeito para manter as coisas estacionadas, muito menos para abrir o jogo com uma menina que se dizia apaixonada por ele. Mas o Júlio de 18 anos teve maturidade suficiente para acabar com uma "farsa" que não visão dele era no mínimo desleal. "Carla, você sabe o quanto que eu gosto de você, menina... Mas nós só poderemos ser amigos, porque eu sou gay". Ela reagiu bem melhor do que eu pensei, pelo menos aparentemente. Como eu disse, ela era bastante precoce. Levou aquilo na maior naturalidade. Hoje ela encontrou o Júlio César dela (o namorado dela tem o mesmo nome que eu, dá pra acreditar?) que a deu de presente a Alice, que chega em Maio. Só de pensar que a Alice poderia ser minha filha, eu já penso "Graças a Deus que eu nasci gay..." Eu não teria grana nem maturidade agora para assumir um filho, apensar de querer muito isso. Só deixo os meus votos a minha amiga Carla, que ela seja feliz, e que esse outro Júlio a ame de verdade, do jeito que ela merece.

Mamãe e Nana já tem um post só para elas, e terão mais outros. Nem preciso dizer o quanto essas são especiais pra mim. Do mesmo jeito que são especiais as minhas tias, todas elas. As minhas madrinhas, todas as duas. Aliás minha madrinha Silvia (que coincidentemente mora no mesmo Estado que a minha madrinha Borboleta) me ligou esses dias me elogiando por esse blog, e pela minha decisão de ter assumido a homossexualidade publicamente. Seria um fato corriqueiro e sem tanta relevância se não considerássemos que dindinha Silvia é evangélica da Igreja Batista. Não concorda com o homossexualismo, nem podemos dizer que ela é o tipo de religiosa liberal. Dindinha Silvia é o tipo de mulher que leva a religião a sério, e eu não posso deixar de admirar isso nela, apesar de tudo. Essa atitude dela me encheu de alegria, não por ela ter me "aceitado" em si, mas eu tê-la feita vencer uma barreira do preconceito, tê-la feito refletir, mesmo que apenas por um momento, considerando apenas o coração e o bom-senso, e não os dogmas religiosos. Pra mim, foi uma conquista... Pequena, mas já ta valendo... :D

Tem ainda muitas, muitas outras mulheres especiais que passaram e passam pela minha vida a cada dia. Cada uma com a sua importância, fazendo a diferença... Por isso eu não entendo quando dizem que "Gay não gosta de mulher" ou que "Gay tem alergia a mulher". Isso pra mim é um afronta, me ofende. O que seria de mim sem elas? O que seria da minha vida sem a presença decisiva delas? Como que eu, apenas por ser gay, poderia deixar de amá-las? Não, elas são minhas, todas elas... As mulheres da minha vida... Todas elas têm e sempre vão ter um lugarzinho aqui no meu coração...

O Post saiu maior do que eu esperava... rsrs. Vocês entendem, né?

Um grande beijo, um forte abraço... Até o próximo Post!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Angústia com Sabor de Maracujá


"Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu

Até pensei que era mais
Por não saber que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem

Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Pra algum país distante
Voltar a ser feliz

Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo o que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se o meu desejo então já se realizou
O que fazer depois, pra onde é que eu vou?

Eu vi você voltar pra mim..."
(Maurício – Legião Urbana)

Sinto falta de alguém. De alguém que me dê atenção. De alguém que me diga o que eu mereço ouvir. Que me diga o que eu quero ouvir, mesmo que não seja verdade. Que me coloque pra cima (em todos os sentidos), que me dê força e coragem pra continuar essa rotina cansativa. Que me dê um sentido na vida. Que me dê filhos, mesmo que estes não sejam nossos. Que faça planos comigo. Que me faça sofrer de saudades, de ciúmes...

Tenho medo. Morro de medo de essa pessoa não existir. E olha que eu não exijo perfeição. Acho que não estou em condições de exigir nada. Eu só queria alguém que me chamasse de "meu", é exigir muito? Mas eu tenho esperança... Acho que é ela que me dá esse impulso para continuar sonhando com ele, mesmo sem saber se ele realmente existe, ou se ele é criação da minha cabeça.

Minha esperança ainda vai mais longe, me fazendo acreditar que ele pode estar aqui, pertinho... Talvez não tão perto agora, mas também não tão longe. Algo verdadeiro, tocável, com cheiro, cor. E ele é tão perfeito, mesmo eu não exigindo perfeição. Seria audácia minha querê-lo? Será que eu devo, que eu posso? Será que ele é assim tão perfeito, ou é apenas algo que eu criei na minha cabeça? Isso já não importa... O que me intriga é não ter certeza de que ele é mesmo ele... E isso não se descobre com pressa, se descobre com paciência, tempo...

Não vivem dizendo por aí que o amor é uma ilusão? Pois então, tudo que eu queria agora era vivê-la. Como quem come um mousse de maracujá: aquela brevidade doce, que nos tira desse plano por alguns segundos, segundos tão maravilhosos que ficam guardados na nossa cabeça. E eu sou guloso, quero me deleitar. Multiplicar os segundos em horas, dias e meses (quiçá anos...). Comer todos os mousses de maracujá que eu tenho direito, sem me preocupar com as conseqüências.





Mas eu tenho pressa, e dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Eu não quero perfeição, quero realidade. Acho que a pressa é inimiga dos acontecimentos. Então vou ter que dar um freio nessa danada. Pra que se importar com a espera, se dela podem brotar os frutos que eu tanto desejo, com sabor de mousse de maracujá?

"Seja paciente, Júlio... Você nem chegou aos 20 e já tá desse jeito, moleque? Toma vergonha na cara e vá estudar, vá cuidar de sua vida... Porque amor não enche barriga não, ainda mais amor platônico." (Palavras de Dona Consciência, já to de saco cheio dessa gorda chata). Infelizmente (ou felizmente) eu tenho consciência que o amor, por mais que seja muito, não alimenta, nem tira fome, nem dá dor de barriga, como faz o meu mousse preferido...

Uma noite dessas eu escrevi dois poemas. Um bando de pensamentos povoava a minha mente e não me deixava dormir, além do calor que faz há noite aqui em casa. Levantei e escrevi. Não sei se ficaram bons, acho que ficaram meio bobos. Quando eu escrevi a minha última poesia eu tinha 14 anos, e com ela ganhei o festival de poesia da minha escola. Pois é, mesmo tendo muito mais incentivo do que os personagens de Saint-Exupéry (tá que a minha poesia ficou bonitinha na época, nada comparado a uma jibóia digerindo um elefante, kkk), acho que com o tempo sem praticar, acabei perdendo o jeitinho pra coisa. Também, depois de trocar uma palavra com o Bruno sobre poesia, acabei descobrindo que eu não entendo nada disso... Acho melhor eu voltar a estudar células do sistema imunológico, pelo menos parte delas eu entendo (kkk).





Enfim, ruins ou não, eu não vou queimá-los (os meus poemas de agora) como pensei em fazer logo de cara, mas também não os postarei aqui. Pelo menos não por enquanto, até ter certeza de que eles não são tão idiotas quanto eu penso.
"Maurício" é uma música linda. Eu vivo dizendo que Legião Urbana é minha trilha sonora, só que tem músicas deles que eu definitivamente não queria ter como tema. "Maurício" é uma delas, apesar de linda... Pra minha insatisfação e angústia, de alguma forma, essa música se encaixou na minha vida assim, de repente, nem sei como... Vou deixar a música aqui, caso alguém ainda não tenha ouvido. Pensando pelo lado positivo, antes ter "Maurício" na minha trilha sonora do que "Love in the Afternoon", hahaha.



Um beijo daqueles que eu sempre deixo para vocês. Virtual, mas cheio de carinho... E até o próximo post!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Depressão Pós-Balada




Sábado, de tardezinha, por volta de 18 ou 19 horas. Eu naquele marasmo de janeiro, que é comum a muitas pessoas. Estava muito puto porque ia a praia com os meninos (Gui e Bruno), mas acabei perdendo a hora. Eis que, de repente, meu fiel amigo Gui entra na net, depois da praia, e me chama para uma festa lá na Lapa. Ebaaa, pensei eu. Só mesmo o Gui pra me tirar do tédio de janeiro, ele nunca esquece de mim, xD.

Eu tava animado ontem, desde o início do mês passado que eu não saia para uma balada. Estava com uns assuntos meio mal resolvidos, queria sair para me divertir, beber, ouvir música alta, e ver gente pagando mico, kkk. É, na verdade, eu queria descolar uns carinhas legais para trocar uns beijinhos também, mas eu nem espero mais. Eu acho que não nasci para paquerar, não levo o menor jeito, kkk. E também, por mais que eu veja muita gente bonita nos locais que eu vou, raramente alguém desperta meu interesse. Normalmente, quando eu saio, eu nem vou na intenção de beijar ou "pegar" uns gatinhos, não curto essa onda muito. Só fico com vontade se o cara realmente despertar meu interesse, e os tipos que eu curto não são muito comuns nessas festas.

O negócio é que, nessa festa de ontem, como eu já disse, eu estava especialmente com vontade de beijar alguém. E quando entramos na festa, a vontade ficou ainda maior. Gente, que festa boa. Tinha muita, mas muita gente bonita. Eu já frequentei lugares assim, só que, no caso dessa festa, tinham muitos caras  que me interessavam. E eu doido para ficar com um deles kkk. Só que, como eu disse antes, eu não nasci para paquerar, ainda mais em balada. Eu não passo da olhada descarada. Quando chega na hora de "chegar" no cara, eu simplesmente travo. Tudo bem, #filhadaputice minha, eu poderia ter pedido para o Gui me dar uma "forcinha", ir lá e desenrolar uns gatinhos pra mim, mas até disso eu tinha vergonha. Tudo bem, eu não costumo me abalar com isso mesmo...

Fique lá, dançando, eu e o Gui, depois o Chris (amigo do Gui). Ficamos lá até umas 5h da manhã, e que festa boa gente, em todos os sentidos. Saí de lá renovado, mas decepcionado. O engraçado é que eu não costumo ficar assim, mas eu fiquei. Senti que poderia ter ficado com muita gente interessante, mas não fiquei por falta de iniciativa, ou por excesso de timidez. Além disso, como se já não bastasse, ainda me bate aquela depressão pós-balada. Não sei se alguém já sentiu algo assim, mas quase sempre que eu volto da balada, independente de eu ter beijado alguém ou não, bate aquele vazio, aquela carencia, de voltar pra casa sozinho, e não poder dormir juntinho com um cara que eu esteja curtindo.

Galera, eu tenho estado tão carente. Eu definitivamente não nasci pra ser pegador. Queria ser, mas não consigo. Continuo carente. Acho que mesmo que eu beije os homens mais bonitos do mundo em uma noite, eu não estaria feliz. Porque a noite se vai, e eu fico, fico sozinho no dia seguinte. De fato, isso não estragou a minha noite, mas acabou estragando meu dia. Fiquei o dia inteiro assim, nessa deprê pós-balada. Preciso de um namorado, com urgencia. Mesmo que agente não durma junto depois da balada, eu vou saber que, a hora que eu sentir falta de um acolhimento, de um afago, ele estará lá, me esperando. E eu a ele. Quem sabe assim eu não possa continuar aproveitando a balada como se deve, só que sem me preocupar com a ressaca do dia seguinte?

Bom gente, desculpem-me lhes presentear com mais um post maníaco-depressivo (kkk). Mas eu sei que vocês entendem. Podem ter certeza que, assim que eu encontrar o rapaz que mereça ter todo o meu carinho e minha atenção, vocês serão os primeiros a saber.

Um Beijo (um dos que eu não dei durante a noite passada), abraços apertados... Até o próximo!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Ultimo Outing do Ano


"Me fiz em mil pedaços,
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caido
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira"


(Quase sem Querer - Legião Urbana)




Nana: Júlio, preciso conversar uma coisa com você...
Eu: O que houve Nana... O que aconteceu?
Nana: Bem, eu li o seu Blog...
Eu: Ah, você leu o meu blog...

Bom gente, como eu disse no ultimo post, os ultimos dias foram bem intensos. Misturar os acontecimentos em um post só me pareceu muito confuso, até porque uma coisa não tinha nada a ver com a outra. O assunto desse post é mais sério, mais importante. Isso porque agora eu sou eu mesmo para uma das pessoas mais importantes da minha vida, a minha irmã.

Falar da Nana é complicado pra mim, ainda mais sabendo que ela lê meu blog agora. E, pra minha surpresa, ela disse que eu escrevo bem. Vocês não tem noção de como esse elogio me deixou feliz. Sim, porque, na verdade, a opinião da minha irmã sempre foi muito importante. Os elogios, sempre edificantes. As críticas, na maior parte dos casos, motivos mais do que suficientes para uma mudança total de atitude. Os conselhos, quase regras incontestáveis. Mas por quê? Talvez por ela ser minha irmã mais velha. Talvez por ela possuir argumentos tão infalíveis. Talvez por ela ser uma mulher brilhante, linda, um modelo a ser seguido.

Acho que, na verdade, eu sempre quis ser igual a Nana, em versão masculina. Ela sempre me inspirou muita confiança, muita certeza, muita segurança, muita inteligência. Ela é o tipo de pessoa que não desiste do argumento, sabe? Ela sempre tem razão, e consegue convencer a todos disso. Acho que por isso a palavra dela sempre teve muito peso sobre as minhas atitudes. Por isso sempre me preocupei muito com as opiniões dela. Na verdade, acho que eu tinha medo. Medo da rejeição dela, medo de uma bronca, de uma crítica. Medo de ela não me levar a sério. Foi por medo que tanto hesitei em dividir parte mim com ela.

Fui covarde, preferi o caminho mais longo, que na verdade era o mais curto, ou menos doloroso. Não confiei nela, não confiei no fato de ela ser ainda mais incrivel do que parece ser. E foi exatamente o que ela demonstrou quando abordou o assunto do blog comigo.

Nana: Por que você não me contou isso antes?
Eu: Sei lá Nana, acho que você já tem os seus problemas...
Nana: Problema? Desde quando isso é um problema?

O fato é, eu quase planejei o acontecido. Eu hesitei um pouco antes de criar esse blog, porque eu sabia que quando o fisesse, teria que ser eu mesmo, sem máscaras. Não que eu tenha algo contra máscaras, pelo contrário. Entendo porque muitos as usasm, entendo a necessidade disso. Mas eu não, isso não combina comigo, e eu buscava justamente o contrário. Eu queria mostrar meu rosto, meu rosto todo, e não só metade dele. Cheguei aqui e me mostrei, depois de muito pensar sobre o assunto. De jeito nenhum eu subestimei a inteligencia da minha irmã, eu já sabia que ela chegaria ao blog logo logo, e contava com isso. Queria fugir do compromisso de chegar pra ela e falar na lata: Nana, eu sou gay. E eu consegui.

Agora eu me arrependo de não ter dado esse voto de confiança a ela, ainda mais porque ela nem se mostrou decepcionada com isso. Pelo contrário, ela só virou pra mim e disse: Não se preocupa, nós estaremos com você sempre, do jeito que você é... Como é que eu esperava reação diferente dela? Ela é minha irmã, porra. Aquela que fazia chapinha no meu cabelo quando eu era EMO, aquela que me vestia de menina quando agente era criança, que fazia vídeos engraçados, que me aconselhou nas mais diversas situações, sempre na hora em que eu mais precisei, aquela que nunca discutiu comigo, que nunca foi chata comigo, a irmã que qualquer um desejaria ter.

Bem, legal é que agora as coisas estão claras aqui em casa. Eu sou gay, e isso é uma realidade para quase todos. Menos para o meu pai, mas dele, infelizmente, eu só espero a indiferença, se eu bem o conheço. A Nana era a ultima pessoa pra quem eu queria esclarecer essa história de uma vez por todas, mesmo que de maneira indireta. As únicas coisas que ela me chamou atenção foi com relação a minha exposição, mas ainda assim, não acho que estou me expondo tanto. Então, tudo segue como antes, só que de maneira mais clara.

Fico feliz de poder dividir esses momentos com vocês. Tem sido de grande ajuda. Acho que este vai ser meu ultimo post desse ano, né? rsrsr. Aliás, acho que muitos só vão comentá-lo no ano que vem. Então, no ano que vem, agente se encontra, e coloca o papo em dia xD

Um Beijo, como é habitual... Um abraço também! Só desejo muita sorte, felicidade, e coisas boas para esse ano que tá começando...

"Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
Eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você"


Até 2011

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Memórias, Gays e Canções de Amor

Sabe o que pra mim é mais cruel para o coração de um gay adolescente? É ver que ele não pode se indentificar com nenhuma das músicas que tocam no rádio. A música, na minha visão, é um grande objeto de identificação social, pelo menos foi para mim. No colégio, as pessoas do meu "grupinho" gostavam mais ou menos do mesmo estilo de música (Rock e Pop dos anos 80). O problema é que as exigências do mercado musical sempre acompanham o rítmo daquilo que é tido como padrão. Nesse sentido, mesmo sendo os artistas homosexuais, a rejeição do público meio que os obriga a fazer canções que sigam o padrão vigente, principalmente no que diz respeito ao amor.

Não estou dizendo aqui que não existiram, durante o século XX, bandas ou artistas que se opuseram radicalmente à essa norma heterodominante. Entre os exemplos mais clássicos (pelo menos na minha cabeça) está o Queen: apesar de Freddie Mercury só ter assumido a sua homossexualidade à imprensa horas antes de morrer, o seu modo de se vestir, ou de usar o cabelo e a barba, eram caracteristicos de um grupo de homossexuais americanos, de modo que o Queen perdeu o mercado musical dos EUA, que sempre foi um país extremamente homofóbico radical com essas questões. Outros exemplos que eu não podia deixar de citar aquí são o David Bowie, chocando a todos com o seu visual andrógeno , e o Lou Reed (que é americano), assumidamente gay. Só que estes artistas, se já não eram antes, pelo menos agora já se tornaram muito underground, de modo que é realmente raro ouvi-los nas rádios mais comuns, ou mesmo na TV. Seu território é restrito a Internet.








Ainda assim, por mais gays que muitos dos artistas gays possam parecer, o mercado ainda modula muito a produção deles. O próprio Queen não tinha muitas músicas que entrassem de cabeça no universo gay, apenas em parte, ou de maneira muito implícita. O Lou Reed e o David Bowie foram mais corajosos e ousados, o que lhes rendeu a rejeição do mercado musical (não exatamente rejeição, porque eles fizeram muito sucesso no tempoo deles, mas restritamente na Europa, que sempre foi mais receptiva com os estilos alternativos).

No cenário nacional então, nem se fala né. Todos aquí sabem que eu adoro Legião Urbana, e que o Renato Russo era assumidamente gay. Mas se vocês forem bastante imparciais, vocês não vão encontrar mais que uma música que fale abertamente sobre homossexualidade na obra da Legião (mesmo a famosa "Meninos e Meninas" é bastante amena). Muitas delas agente pode encaixar perfeitamente, mas ainda assim são muito implícitas, dando margem há uma série de interpretações diferentes. Outros artistas, como o Cazuza e o Ney Matogrosso, apensar de não conhecer muito vastamente sua obra, duvido muito que se distancie muito da realidade da Legião. Mesmo as cantoras lésbicas são mais discretas no que diz respeito a obra. A Cássia Eller tinha um visual que mostrava a todos sua sexualidade, mas suas músicas não o fazia de forma explicita (se bem que a Cássia era mais uma interprete do que compositora, né?). O mesmo vale para outras cantoras incríveis, como Angela Roro e Ana Carolina.




Eu acho isso tudo muito chato, sinceramente. Os nossos ídolos tem que se desdobrar as vezes, mudar pessoas, pronomes, para que sua musica se torne comercial. É como se fosse uma camuflagem musical. Com o tempo, essa camuflagem vai se tornado cada vez menos eficaz, e conseguimos encontrar cada vez mais elementos que tornem aquela relação abordada naquela canção de amor uma relação entre dois homens, ou duas mulheres. Os tempos são outros, não é? Tem uma música porém, que eu acho linda, que quase ninguém associa a gays. Realmente, ela é bastante sutil, mas ainda assim, se encaixa muito melhor com um casal gay do que com um casal hetero, por um simples trecho... Na verdade por uma palavra. Ela é do Sir. Elton John, a bicha mais Rycah do Reino Unido (vamos combinar, Elton John é foda demais). E a música é "Your Song"




"It's a little bit funny this feeling inside
I'm not one of those who can easily hide
I don't have much money but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live
If I was a sculptor, but then again, no
Or a man who makes potions in a travelling show
I know it's not much but it's the best I can do
My gift is my song and this one's for you
And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world
I sat on the roof and kicked off the moss
Well a few of the verses well they've got me quite cross
But the sun's been quite kind while I wrote this song
It's for people like you that keep it turned on
So excuse me forgetting but these things I do
You see I've forgotten if they're green or they're blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen"
(Your Song - Elton John)

Fala sério, ele é incrível, né? Outra música, bem mais explícita do que esta, é uma do Jorge Vercillo. Eu, sinceramente, não sei se o Jorge Vercillo é gay ou hetero, mas essa música com certeza é para um casal gay, não consigo imaginar outra situação. O fato de ele não ser gay tornaria a música mais interessante, afinal, um artista hetero assumindo um eu lirico gay seria o sinal de que a sociedade caminha de certa forma para uma igualdade. O nome da música é "Avesso".

"Nós já temos encontro marcado
Eu só não sei quando
Se daqui a dois dias
Se daqui a mil anos
Com dois canos pra mim apontados
Ousaria te olhar, ousaria te ver
Num insuspeitavel bar, pra decência não nos ver
Perigoso é te amar, doloroso querer
Somos homens pra saber o que é melhor pra nós
O desejo a nos punir, só porque somos iguais
A Idade Média é aqui
Mesmo que me arranquem o sexo, minha honra, meu
prazer
Te amar eu ousaria
E você, o que fará se esse orgulho nos perder?
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
O que eu sinto, meu Deus, é tão forte!
Até pode matar
O teu pai já me jurou de morte
por eu te desviar
Se os boatos criarem raízes
Ousarias me olhar, ousarias me ver
Dois meninos num vagão e o mistério do prazer
Perigoso é te amar, obscuro querer
Somos grandes para entender, mas pequenos para opinar
Se eles vão nos receber é mais fácil condenar
ou noivados pra fingir
Mesmo que chegue o momento que eu não esteja mais
aqui
E meus ossos virem adubo
Você pode me encontrar no avesso de uma dor
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar"
(Avesso - Jorge Vercillo)

Eu me emocionei quando ouvi essa música pela primeira vez. Nunca tinha escutado algo tão despreocupado que falasse sobre uma relação entre dois homens. E felizmente, a tendência é que músicas como estas sejam cada vez mais comuns. Quero dizer por fim que eu não tenho uma experiencia invejável no que diz respeito a música. Devem existir muitas bandas ótimas que fazem um trabalho magnífico nesse sentido. Eu só falo aqui pelo que eu ouço no meu dia a dia, em rádios comuns, que não tocam nenhum tipo de conteúdo  realmente bom específico. Logo, se alguém quiser fazer alguma sugestão legal, fiquem a vontade! Estou aqui, esperando os comentários de vocês...



Um grade abraço a todos, um beijo e Até o próximo post!!!