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sábado, 9 de abril de 2011

Polêmico Sangue

"É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói

Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
"

(Metal Contra as Núvens - Legião Urbana)





Semana passada, na sexta, houve aqui na faculdade uma campanha de doação de sangue chamada Universitário Sangue Bom... O objetivo seria trazer um grande número de estudantes da universidade para uma doação em massa. O Gui já falou sobre isso no blog dele até, taí o link...

Eu sou uma pessoa que sempre gostou de ajudar as pessoas. Não para aliviar a minha consciência ou para me "sentir útil", mas por simples prazer de ajudar a quem precisa. Por isso, desde que eu era pequeno, eu sempre quis doar sangue... Eu vejo o ato como uma maneira prática de ajudar quem está precisando muito daquilo. Já fazia um tempo que eu não doava sangue, mais ou menos um ano, pois em abril do ano passado eu tive dengue, e quem tem esse tipo de doença tem que esperar um bom tempo para poder doar de novo...

A campanha caiu como uma luva pra mim. Eu queria doar sangue, e não precisava interromper minha rotina acadêmica para isso. Por isso, assim que tive um tempinho, logo de manhã, eu fui ao Instituto Biomédico para  realizar a minha boa ação do dia.

Esses procedimentos de doação são muito burocráticos, e com razão. A "qualidade" do sangue deve ser assegurada, afinal de contas, o objetivo é salvar uma vida com aquele sangue, e não fazer a pessoa ficar mais doente. Tudo bem, vamos lá responder questionário, CPF, endereço, bla bla bla... A última etapa era a triagem: uma espécie de entrevista baseada nos dados respondidos no questionário.

Eu, claro, respondi o questionário da maneira mais sincera possível, se é que me entendem. Tá, haviam perguntas que eu sabia exatamente porque estavam lá (já teve relações sexuais com pessoas do mesmo sexo? Teve mais de um parceiro sexual do mesmo sexo nos últimos 6 meses?), mas eu não acreditava que aquela triagem fosse ser tão discriminatória rigorosa a esse ponto:

Entrevistadora: Deixe-me ver aqui... Humm... Você já fez sexo com outros meninos, certo?
Eu: Sim... Eu sou homossexual...
Entrevistadora: Então você só faz sexo com meninos? Ou meninas também?
Eu: Não não, só meninos...
Entrevistadora: Aqui diz que você teve dois parceiros distintos nos últimos meses, certo?
Eu: Foi isso mesmo...
Entrevistadora: E quando foi a ultima vez que você teve relações com meninos?
Eu: Humm... Tem mais ou menos 2 me...
Entrevistadora: Desculpe, você não vai poder doar sangue...
Eu: Ué... Mas por que não?
Entrevistadora: Existe uma norma da ANVISA que não permite que você doe sangue...
Eu (confuso): Norma da ANVISA?!
Entrevistadora: Mas não se preocupe, eu vou imprimir um comprovante certificando que você esteve aqui, mas não pode doar sangue. Com ele você poderá abonar uma falta, caso tenha tido que faltar alguma aula para estar aqui...

Nem precisa dizer que eu saí perplexo daquele lugar. Me senti sujo naquela hora, um lixo. Eu nunca passei por uma situação de discriminação antes, nem de leve. O máximo que já aconteceu foi eu tomar as dores de um grupo de discriminados, ou até mesmo de uma pessoa. Mas diretamente, eu nunca fui discriminado por causa da minha sexualidade. Foi muito impactante na hora, e eu fiquei com aquilo na cabeça o dia todo. E pra mim, como estudante da área da saúde, foi uma espécie de desencanto. Como que pode a nossa vigilância sanitária ainda usar esses critérios retrógrados para garantir a "qualidade" do sangue? É mesmo preciso discriminar pessoas e perder litros de sangue saudável só para continuar com os mesmos critérios e com os mesmos preconceitos?

É claro, eu não vou dizer que não existe promiscuidade entre os homossexuais... Mas existem outros fatores que influenciam e muito nisso! Primeiro, o que que tem de errado em ser promíscuo? Hoje em dia, a pessoa não se infecta por HIV por ser promiscua, ela se infecta por que quer... Existem inumeros mecanismos que podemos lançar mão para garantir a nossa saúde, mesmo fazendo sexo com a torcida do flamengo inteira... Portanto, a não ser que o cara seja muito burro, ou que ele tenha uma forte ascendencia ao suicídio, o cara vai saber se proteger e garantir a "qualidade do seu sangue", assim como eu sempre fiz.



E depois, impedir os gays de doarem sangue é, alem de nos tacharem de burros e ignorantes, dizer que todos somos promíscuos. Como isso pode ser verdade em um grupo tão heterogêneo quanto o dos homossexuais? É como dizer que toda loira é burra, ou que nenhum negro é capaz de passar para uma universidade pública nas condições normais de concorrencia (outro dia eu falo sobre cotas, hahah) , ou seja, é DISCRIMINAÇÃO...

Foi assim que eu me senti naquele dia, discriminado. Pior, me senti impotente, e isso ficou ainda mais forte essa semana. Quem acompanha o noticiário já soube do "Massacre de Columbine" brasileiro, que ocorreu ontem em Realengo (Rio de Janeiro). Foi uma tragédia nunca antes vista por aqui, dezenas de crianças feridas, 11 mortas... A maioria com ferimentos graves, na cabeça ou no abdômen... Esse é o momento em que o Hemorio mais está precisando do nosso sangue, e eu não  posso doar porque eu sou homossexual. Nunca usei drogas injetáveis, ainda não fiz tatuagem, não coloquei piercing, a ultima doença infecciosa que tive foi há mais de um ano... Tenho todos os requisitos de um doador ideal, só não posso doar porque tenho relações com pessoas do mesmo sexo...



Logo depois de deixar o Biomédico, eu fui pra casa do Gui, e contei o que havia acontecido... Ele ainda questionou: Por que você não mentiu? Não poderia mentir, por n motivos. Claro, eu não condeno e nem desaprovo a pessoa mentir sobre a sexualidade em um momento como esse. É uma questão muito delicada, envolve vidas,  em ambos os lados.

Eu fiz a minha escolha... Eu optei pelo resultado a longo prazo. Claro que eu adoraria ajudar uma pessoa com o meu próprio sangue, mas diante de uma situação como essa, é preciso pensar sobre quais atos você prioriza naquele momento. Eu me recuso a mentir sobre a minha sexualidade em consideração a mim, a todos os que sofreram tanto e por muitos anos tiveram que mentir sobre a sexualidade para ter uma sobrevida, e principalmente, aqueles que ainda estão por vir, para que eles não precisem ser vítimas dessa sociedade preconceituosa em que vivemos.

Eu sei que não vou mudar o mundo com isso, sei que uma vida pode ser perdida pelo simples fato de eu não ter mentido naquele questionário... Mas não é justo comigo, nem com todas essas pessoas que falei. Eu estou em um momento da minha vida em que mentir ou até mesmo omitir minha sexualidade está simplesmente fora de cogitação. Eu sofri muito para chegar onde eu estou agora, eu preciso dessa fase de autoafirmação da sexualidade, eu tenho esse direito. E os outros precisam que mais pessoas como eu contextem essas normas discriminatórias, para que os gays do futuro não precisem passar por isso. Se continuarmos a ser coniventes com o preconceito, até quando teremos que mentir para poder exercer o simples direito de ajudar ao próximo?

"E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.



E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos
.
"

(Metal Contra as Núvens - Legião Urbana)





É isso aí, gente! Mais importante do que desabafar é demonstrar minha insatisfação... Pelo menos já é o início pra que alguma coisa efetiva seja feita...

Um beijo a todos, um abraço apertado... Luto pelas vítimas da chacina de Realengo, nada  nos ultimos dias me deixou tão aflito e tocado quanto o ocorrido lá...

Até o Próximo post!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Depressão Pós-Balada




Sábado, de tardezinha, por volta de 18 ou 19 horas. Eu naquele marasmo de janeiro, que é comum a muitas pessoas. Estava muito puto porque ia a praia com os meninos (Gui e Bruno), mas acabei perdendo a hora. Eis que, de repente, meu fiel amigo Gui entra na net, depois da praia, e me chama para uma festa lá na Lapa. Ebaaa, pensei eu. Só mesmo o Gui pra me tirar do tédio de janeiro, ele nunca esquece de mim, xD.

Eu tava animado ontem, desde o início do mês passado que eu não saia para uma balada. Estava com uns assuntos meio mal resolvidos, queria sair para me divertir, beber, ouvir música alta, e ver gente pagando mico, kkk. É, na verdade, eu queria descolar uns carinhas legais para trocar uns beijinhos também, mas eu nem espero mais. Eu acho que não nasci para paquerar, não levo o menor jeito, kkk. E também, por mais que eu veja muita gente bonita nos locais que eu vou, raramente alguém desperta meu interesse. Normalmente, quando eu saio, eu nem vou na intenção de beijar ou "pegar" uns gatinhos, não curto essa onda muito. Só fico com vontade se o cara realmente despertar meu interesse, e os tipos que eu curto não são muito comuns nessas festas.

O negócio é que, nessa festa de ontem, como eu já disse, eu estava especialmente com vontade de beijar alguém. E quando entramos na festa, a vontade ficou ainda maior. Gente, que festa boa. Tinha muita, mas muita gente bonita. Eu já frequentei lugares assim, só que, no caso dessa festa, tinham muitos caras  que me interessavam. E eu doido para ficar com um deles kkk. Só que, como eu disse antes, eu não nasci para paquerar, ainda mais em balada. Eu não passo da olhada descarada. Quando chega na hora de "chegar" no cara, eu simplesmente travo. Tudo bem, #filhadaputice minha, eu poderia ter pedido para o Gui me dar uma "forcinha", ir lá e desenrolar uns gatinhos pra mim, mas até disso eu tinha vergonha. Tudo bem, eu não costumo me abalar com isso mesmo...

Fique lá, dançando, eu e o Gui, depois o Chris (amigo do Gui). Ficamos lá até umas 5h da manhã, e que festa boa gente, em todos os sentidos. Saí de lá renovado, mas decepcionado. O engraçado é que eu não costumo ficar assim, mas eu fiquei. Senti que poderia ter ficado com muita gente interessante, mas não fiquei por falta de iniciativa, ou por excesso de timidez. Além disso, como se já não bastasse, ainda me bate aquela depressão pós-balada. Não sei se alguém já sentiu algo assim, mas quase sempre que eu volto da balada, independente de eu ter beijado alguém ou não, bate aquele vazio, aquela carencia, de voltar pra casa sozinho, e não poder dormir juntinho com um cara que eu esteja curtindo.

Galera, eu tenho estado tão carente. Eu definitivamente não nasci pra ser pegador. Queria ser, mas não consigo. Continuo carente. Acho que mesmo que eu beije os homens mais bonitos do mundo em uma noite, eu não estaria feliz. Porque a noite se vai, e eu fico, fico sozinho no dia seguinte. De fato, isso não estragou a minha noite, mas acabou estragando meu dia. Fiquei o dia inteiro assim, nessa deprê pós-balada. Preciso de um namorado, com urgencia. Mesmo que agente não durma junto depois da balada, eu vou saber que, a hora que eu sentir falta de um acolhimento, de um afago, ele estará lá, me esperando. E eu a ele. Quem sabe assim eu não possa continuar aproveitando a balada como se deve, só que sem me preocupar com a ressaca do dia seguinte?

Bom gente, desculpem-me lhes presentear com mais um post maníaco-depressivo (kkk). Mas eu sei que vocês entendem. Podem ter certeza que, assim que eu encontrar o rapaz que mereça ter todo o meu carinho e minha atenção, vocês serão os primeiros a saber.

Um Beijo (um dos que eu não dei durante a noite passada), abraços apertados... Até o próximo!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

It's raining Man in Ipanema Beach!

Gente, esses ultimos dias tem sido bem intensos. Tinha a intenção de resumir os ultimos acontecimentos em um post só, mas achei que ficaria muito confuso. Então, façamos por partes. Vamos começar pela mudança brusca em minhas férias. De fato, consegui tirar minhas férias da monotonia habitual. Como sempre, quem me tira da monotonia é o meu fiel amigo Gui. Bem, quem leu o blog do Bruno já está interado sobre o assunto: Eu, o Gui e o Bruno fomos a Praia de Ipanema no ultimo domingo.

Na semana retrazada eu fui lá na praia de Ipanema pela primeira vez, também com o Gui. Fomos numa sexta-feira, estávamos acompanhados de uma amiga do Gui, muito fofa por sinal. No entanto, eu confesso que fiquei meio decepcionado da primeira vez. Naquela vez, a praia estava um tanto vazia, e a única coisa que me lembrava gay, além de mim mesmo e do Gui, eram aquelas bandeiras com as cores do arco íris, cravadas em um ponto da praia. Caras sarados? Poucos. Beijos ou sinais de afeto entre dois homens ou duas mulheres? Não ví nenhum daquela vez. O fato, eu estava em uma praia linda, um tanto brava, mas normal, como qualquer outra praia. Nada parecido com quela fantasia toda que agente vê na internet. Até aí, tudo bem... Tudo na paz!



Vista da praia de Ipanema, imagem repetida de um post antigo, rsrsrs


O tempo passou, dia 25 de dezembro chegou. Sábado há noite, e eu recebo uma ligação do Gui:

Gui: Júlio, eu e o Bruno estamos marcando de ir lá em Ipanema amanhã, se anima de ir?
Júlio: Legal, vamos sim...
Gui: Olha, o Bruno tá pensando em sair de Niteroi lá pelas 8 da manhã, dá uma ligada pra ele pra confirmar!
Júlio: Ok Gui, então nos encontramos por lá por volta das 10, ok?
Gui: Ok!

Legal, vou pegar uma praia e vou tirar do corpo essa marquinha horroroza de camiseta: pensava eu, inocentemente (kkkkk). No dia seguinte, lá estava eu, pegando o ônibus em Niteroi direto pra Ipanema. No meio do caminho, Bruno entra no mesmo ônibus, e fomos conversando até lá. Chegamos na praia, e Gui atrazado, e sem crédito pra nos ligar... kkkkkkk. Mas no final, deu tudo certo. Fomos encontrar nosso lugar ao sol na beira da praia.


Eu (gente, cadê o meu pescoço?kkk), Bruno (na posição da rã, kkkk) e Gui (com o sorriso bem aberto, para mostrar que tirou o aparelho, kkkk)

A princípio, a praia estava exatamente do jeito que eu tinha deixado desde de a ultima vez que fui lá: um tanto vazia para um dia de domingo. Mas o dia estava lindo, e não demorou muito para a praia encher. E encheu, e finalmente eu pude ver a praia de Ipanema do jeito que ela realmente é. Começaram a chegar os casais gays, os sarados, as barbies. Ipanema é famosa pelos corpos perfeitos que lá circulam. Realmente, muitos homens com corpos perfeitos (não sei se tinham mulheres também, me mantive ocupado em adimirar os homens, hahaha). Naquele momento, eu já estava me sentindo em casa. É muito bonito você ver liberdade de afeto incondicional em locais públicos. E o mais interessante: até o meio dia, eu ainda nem tinha visto tanta coisa assim.

Depois do meio dia, eu comecei a ficar surpreso. Juro que não esperava por aquilo. Pegação geral dentro da praia, ali, no coração da zona sul, para quem quisesse ver. Como diria o Gui, um tapa na cara da sociedade cristã. Foi incrível, era como estar no Cine Ideal, só que com ondas e um sol incrível de verão. Sem contar no fato de os homens estarem de sunga... kkkkkkk. Enfim, o Bruno traduziu aquilo muito bem no blog dele: Micareta Gay na Praia de Ipanema.

Foi a praia mais divertida da minha vida, só pelo inusitado. Até encontramos o Autor por lá, e batemos um papo... O Bruno ficou com um carinha da Baixada, o Gui, investiu em carinha de tatuagem, também da Baixada (gente, a Baixada fluminense comparece em peso na praia no Domingo, hein?). Eu não peguei ninguém, primeiro porque todos os caras que me interessavam por lá estavam acompanhados, e segundo porque eu sou muito tímido para chegar em um cara assim, na praia. Mas pegar alguém não é pré-requisito para se divertir, não é mesmo? E eu me diverti muito!

Outra coisa que eu achei super inusitada naquele dia foi o clima: Chegamos lá e o Sol estava lindo, o céu azul. No meio do dia começaram a aparecer núvens pesadas. Por volta das 17h, começou a chover. Chegou a surgir uma espécie de mini tornado lá pelos lados dá pedra da Gávea. As ondas começaram a ficar maiores do que já eram antes. E eu comecei a ficar assustado.

Eu: Gui... Vamos sair dessa água, o mar tá muito forte...
Gui: Fica tranquilo Júlio, aproveita a chuva. É muito bom tomar banho de mar debaixo de chuva. Sem contar que com essa chuva, as pessoas feias vão embora da praia, porque elas moram longe. Aí começam a parecer as pessoas bonitas. Confia em mim...

Tá né. Não custa nada ficar mais um pouco e enfrentar as ondas enormes. Que bom que eu fiquei. Quis chamar o Gui de Profeta. De repente, a praia começou a esvaziar um pouco. Escutei alguém falando alguma coisa que não consegui entender de cara, não era português. Quando eu olho pra traz, me deparo com um homem lindo, sarado, olhos azuis, barba por fazer, parecia esses modelos que agente só vê em revista, ou na internet. Depois apareceu um louro, a mais um moreno, e a água de repente ficou cheia de turistas gostosões. E eles começaram a conversar freneticamente em inglês, e logo depois começaram a se abraçar e se agarrar... Gente, ta chovendo homem em Ipanema? Pensei eu. Foi surreal, eu e o Gui lá na água, de boca aberta, atônitos diante daquela cena. Esse é o tipo de cena que agente vê em poucos lugares, e Ipanema é um deles. O Bruno nem viu, tadinho, teve que sair da água porque sua bermuda tava machucando sua perna.

Enfim, foi muito divertido. Definitivamente, eu nunca amei tanto ter nascido no Rio. Agora que eu já sei o caminho, estarei sempre por lá. Não apenas pelas visões do Olimpo que agente encontra lá, mas pela liberdade (ou ilusão de liberdade). Pelo clima de animação, por me sentir super a vontade. Enfim, Ipanema é o meu novo paraíso particular, um lugar pra onde eu posso fugir quando me sentir um peixe fora d'água.

Bom gente, essa é Ipanema na minha visão. Se você ainda não conheceu, vale a pena conhecer, de verdade.
Agora eu estou moreno e sem marquinha de camisa polo... kkkkkk

Um beijo a todos vocês... Até o próximo post!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Memórias, Gays e Canções de Amor

Sabe o que pra mim é mais cruel para o coração de um gay adolescente? É ver que ele não pode se indentificar com nenhuma das músicas que tocam no rádio. A música, na minha visão, é um grande objeto de identificação social, pelo menos foi para mim. No colégio, as pessoas do meu "grupinho" gostavam mais ou menos do mesmo estilo de música (Rock e Pop dos anos 80). O problema é que as exigências do mercado musical sempre acompanham o rítmo daquilo que é tido como padrão. Nesse sentido, mesmo sendo os artistas homosexuais, a rejeição do público meio que os obriga a fazer canções que sigam o padrão vigente, principalmente no que diz respeito ao amor.

Não estou dizendo aqui que não existiram, durante o século XX, bandas ou artistas que se opuseram radicalmente à essa norma heterodominante. Entre os exemplos mais clássicos (pelo menos na minha cabeça) está o Queen: apesar de Freddie Mercury só ter assumido a sua homossexualidade à imprensa horas antes de morrer, o seu modo de se vestir, ou de usar o cabelo e a barba, eram caracteristicos de um grupo de homossexuais americanos, de modo que o Queen perdeu o mercado musical dos EUA, que sempre foi um país extremamente homofóbico radical com essas questões. Outros exemplos que eu não podia deixar de citar aquí são o David Bowie, chocando a todos com o seu visual andrógeno , e o Lou Reed (que é americano), assumidamente gay. Só que estes artistas, se já não eram antes, pelo menos agora já se tornaram muito underground, de modo que é realmente raro ouvi-los nas rádios mais comuns, ou mesmo na TV. Seu território é restrito a Internet.








Ainda assim, por mais gays que muitos dos artistas gays possam parecer, o mercado ainda modula muito a produção deles. O próprio Queen não tinha muitas músicas que entrassem de cabeça no universo gay, apenas em parte, ou de maneira muito implícita. O Lou Reed e o David Bowie foram mais corajosos e ousados, o que lhes rendeu a rejeição do mercado musical (não exatamente rejeição, porque eles fizeram muito sucesso no tempoo deles, mas restritamente na Europa, que sempre foi mais receptiva com os estilos alternativos).

No cenário nacional então, nem se fala né. Todos aquí sabem que eu adoro Legião Urbana, e que o Renato Russo era assumidamente gay. Mas se vocês forem bastante imparciais, vocês não vão encontrar mais que uma música que fale abertamente sobre homossexualidade na obra da Legião (mesmo a famosa "Meninos e Meninas" é bastante amena). Muitas delas agente pode encaixar perfeitamente, mas ainda assim são muito implícitas, dando margem há uma série de interpretações diferentes. Outros artistas, como o Cazuza e o Ney Matogrosso, apensar de não conhecer muito vastamente sua obra, duvido muito que se distancie muito da realidade da Legião. Mesmo as cantoras lésbicas são mais discretas no que diz respeito a obra. A Cássia Eller tinha um visual que mostrava a todos sua sexualidade, mas suas músicas não o fazia de forma explicita (se bem que a Cássia era mais uma interprete do que compositora, né?). O mesmo vale para outras cantoras incríveis, como Angela Roro e Ana Carolina.




Eu acho isso tudo muito chato, sinceramente. Os nossos ídolos tem que se desdobrar as vezes, mudar pessoas, pronomes, para que sua musica se torne comercial. É como se fosse uma camuflagem musical. Com o tempo, essa camuflagem vai se tornado cada vez menos eficaz, e conseguimos encontrar cada vez mais elementos que tornem aquela relação abordada naquela canção de amor uma relação entre dois homens, ou duas mulheres. Os tempos são outros, não é? Tem uma música porém, que eu acho linda, que quase ninguém associa a gays. Realmente, ela é bastante sutil, mas ainda assim, se encaixa muito melhor com um casal gay do que com um casal hetero, por um simples trecho... Na verdade por uma palavra. Ela é do Sir. Elton John, a bicha mais Rycah do Reino Unido (vamos combinar, Elton John é foda demais). E a música é "Your Song"




"It's a little bit funny this feeling inside
I'm not one of those who can easily hide
I don't have much money but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live
If I was a sculptor, but then again, no
Or a man who makes potions in a travelling show
I know it's not much but it's the best I can do
My gift is my song and this one's for you
And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world
I sat on the roof and kicked off the moss
Well a few of the verses well they've got me quite cross
But the sun's been quite kind while I wrote this song
It's for people like you that keep it turned on
So excuse me forgetting but these things I do
You see I've forgotten if they're green or they're blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen"
(Your Song - Elton John)

Fala sério, ele é incrível, né? Outra música, bem mais explícita do que esta, é uma do Jorge Vercillo. Eu, sinceramente, não sei se o Jorge Vercillo é gay ou hetero, mas essa música com certeza é para um casal gay, não consigo imaginar outra situação. O fato de ele não ser gay tornaria a música mais interessante, afinal, um artista hetero assumindo um eu lirico gay seria o sinal de que a sociedade caminha de certa forma para uma igualdade. O nome da música é "Avesso".

"Nós já temos encontro marcado
Eu só não sei quando
Se daqui a dois dias
Se daqui a mil anos
Com dois canos pra mim apontados
Ousaria te olhar, ousaria te ver
Num insuspeitavel bar, pra decência não nos ver
Perigoso é te amar, doloroso querer
Somos homens pra saber o que é melhor pra nós
O desejo a nos punir, só porque somos iguais
A Idade Média é aqui
Mesmo que me arranquem o sexo, minha honra, meu
prazer
Te amar eu ousaria
E você, o que fará se esse orgulho nos perder?
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
O que eu sinto, meu Deus, é tão forte!
Até pode matar
O teu pai já me jurou de morte
por eu te desviar
Se os boatos criarem raízes
Ousarias me olhar, ousarias me ver
Dois meninos num vagão e o mistério do prazer
Perigoso é te amar, obscuro querer
Somos grandes para entender, mas pequenos para opinar
Se eles vão nos receber é mais fácil condenar
ou noivados pra fingir
Mesmo que chegue o momento que eu não esteja mais
aqui
E meus ossos virem adubo
Você pode me encontrar no avesso de uma dor
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar"
(Avesso - Jorge Vercillo)

Eu me emocionei quando ouvi essa música pela primeira vez. Nunca tinha escutado algo tão despreocupado que falasse sobre uma relação entre dois homens. E felizmente, a tendência é que músicas como estas sejam cada vez mais comuns. Quero dizer por fim que eu não tenho uma experiencia invejável no que diz respeito a música. Devem existir muitas bandas ótimas que fazem um trabalho magnífico nesse sentido. Eu só falo aqui pelo que eu ouço no meu dia a dia, em rádios comuns, que não tocam nenhum tipo de conteúdo  realmente bom específico. Logo, se alguém quiser fazer alguma sugestão legal, fiquem a vontade! Estou aqui, esperando os comentários de vocês...



Um grade abraço a todos, um beijo e Até o próximo post!!!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ser um Gay Normal...

ATENÇÃO: Esse é um post de reflexão pessoal. Como minhas ideias normalmente não entram em conformidade com a realidade, perdoem qualquer erro de referencia ou de conceito seja lá do que for


Na ultima sexta eu fui a uma confraternização de final de perído, com os meus amigos de turma. Lá, nos encontramos com uma amiga que trancou a facul, pois queria tentar outro curso. Vou chama-la de Amiga Fofinha. Realmente, ela é uma fofa. O Clima geral era de descontração, como deveria ser. O problema é que em um momento da conversa, essa amiga fofinha fez um comentário que me fez refletir um pouco.

Amiga Fofinha, com a câmera na mão: Ahh Júlio, deixa eu te mostrar um amigo meu que também é gay...
Eu: Humm, deixa eu ver...

Mostra a foto

Eu: Realmente ele é bonito (era mesmo, gente).
Amiga Fofinha: Eu até queria te apresentar, mas ele já ta namorando.
Eu: Poxa, que pena...
Amiga Fofinha: Pior é que o namorado dele é muito afetado...
Eu: É mesmo?
Amiga Fofinha: Pois é, eu acho. Ele não é normal igual a você, ele é muito afetado, sabe como é, né? Eu acho isso muito estranho. Não tem necessidade disso, né?
Eu: É né... (a contragosto)
Amiga Fofinha: Se meu amigo terminar com ele, eu te apresento meu amigo... (risos)
Eu: (risos)

Esses dias eu li um post no blog do Foxx, que aliás, foi bastante esclarecedor em vários sentidos. Há um tempo atrás, a luta contra o preconceito era apenas uma questão de bem-estar, como eu não me importava muito com o meu próprio bem estar, e apesar de me importar com o dos outros, nunca me liguei que minha participação poderia fazer diferença, eu acabei deixando essa questão de heterossexismo (não sei se é o termo certo, não queria usar homofobia aqui) meio de lado. Depois de ler o post do Foxx, e outros posts não apenas do Foxx, mas de outros blogayros brilhantes, minha visão sobre o assunto passou por várias modificações.

No início de tudo, eu era um cara muito preconceituoso com os caras mais afeminados. Tinha uma visão até um tanto facista com relação a isso. Pra mim, eles só queriam aparecer, se mostrar e chocar a sociedade. Na minha cabeça, isso era uma exposição desnecessária. Eu nunca senti necessidade de adquirir características femininas, como seios, ou usar batom, ou até mesmo assumir um tom de voz mais feminino. E eu interpretava isso como regra geral, logo, ninguém precisaria disso, e se agisse dessa maneira era porque queria chamar atenção. Vocês não tem ideia de como eu tenho vergonha de ter um dia pensado assim.

Eu fui amadurecendo, fui tendo mais contato com os outros gays. Conheci gays de todos os tipos, afeminados ou não, travestis... Algum fundamento tinha que ter para explicar tanta gente diferente dentro de um mesmo grupo. Não fazia parte da minha lógica interpretar um grupo por um comportamente padrão, mas eu acho que sempre tive tendencia a pensar assim meio que por instinto, ou seria mesmo o tal do condicionamento social. Nada que seja impossível de ser eliminado.

Eu li muita coisa, tentando achar explicações. Depois de um tempo, eu caí em mim. Será que eles fazem isso apenas para chamar atenção mesmo? E tentei fazer uma coisa que nunca antes tinha pensado em fazer: me colocar no lugar deles. Foi só isso. Se não tem lógica se tornar gay, também não tem lógica querer ser afeminado. Quem escolhe ser um chamaris de homofóbicos preconceituosos, quem escolhe sofrer as diversas modalidades do mesmo preconceito em todos os ambientes pelos quais passa? Se um homem é afeminado, é porque ele nasceu assim, com essa característica. Para arrematar esse raciocinio, eu li alguns artigos, supostamente de cunho científico, que afirmavam exatamente esse raciocínio.

Com o tempo, eu fui vendo isso de maneira muito mais natural, de forma que hoje, chamar um afeminado ou afetado de estranho ou anormal passa a ser tão absurdo quanto dizer que um negro é menos capaz de passar em um vestibular que um branco. Acabei até simpatizando demais com os afeminados, hoje eu até me atraio pelo tipo, o que antes o preconceito não me deixava (fala sério, eu acho super charmoso quando um cara chega pra mim com aquela voz afeminadamente entonada... xD). Me sinto mais maduro com essa visão, como se eu tivesse dado um passo a frente no caminho para ser uma pessoa cada vez mais evoluida, que não julga as outras pela capa.

Mas depois de tudo isso, ainda assim eu ainda não me identificava nem fazia questão de me engajar na nossa causa, não sei se por preguiça, se por não compreender ao certo a dimensão disso tudo, ou uma mistura dos dois. Só que outra coisa que o Foxx conseguiu fazer, sem querer, com aquele texto incrível, foi a gota d'água para eu abraçar a ideia de uma vez por todas. Ele associou essa visão que minha amiga tem dos gays tidos como normais pela sociedade com a inserção dos gays na sociedade de consumo.

Eu vejo a sociedade de consumo como uma droga. Nós temos consciencia de que aquilo tudo só faz mal pra todos nós, mas não conseguimos nos desvencilhar dessa realidade. E o pior é que ver uma solução para acabar com isso é um tarefa muito difíciu, tanto que eu não consigo imaginar o mundo agora, de repente, livre do capitalismo selvagem. Eu não quero fazer mais associações aqui, senão esse post não acaba nunca, e eu confesso que já estou muito tempo sem ler nada sobre o assunto, estou enferrujado. Só estou escrevendo com um coração que nunca se conformou com a realidade com que viveu desde que nasceu. Me sinto culpado, por sustentar esse sistema que destroi sonhos, vidas inocentes, ao passo que me sinto injustiçado, por também ser vítima desse sistema, apesar de as ilusões funcionarem como uma espécie de ópio que nos mantém comprando, porque é só pra isso que agente serve, né?

Juntar todo esse, digamos, ressentimento (utilizando um eufemismo muito grande) que eu tenho pelo sistema, com todo o preconceito encrustado nessa sociedade tosca que pode inclusive limitar o meu direito de livre expressão de afeto, ou pior, o meu direito natural de ser Pai (meu sonho é ser pai, e eu quero criar meu filho do lado do meu homem, com todos os direitos que temos e ainda não temos) me pareceu no mínimo chocante. Foi como se alguém chegasse em mim, durante um sono pesado, me sacudisse pelos ombros com força e dissesse:

Qual é, seu idiota... Vai ficar aí parado sem fazer nada? Vai continuar concordando com esse povo só para não ficar mal na fita na frente dos seus amigos?

Eu to perdido. Eu quero fazer, mas não sei o que fazer. Tenho medo, mas também tenho vontade de chocar, de gritar, de discutir, de me impor. O que eu faço agora? Como eu faço? Com quem eu faço? Quem vai lutar comigo? Quem vai me beijar na entrada do cinema só para chocar os pais de familia e as donas de casa de bem? Eu quero tudo isso... Eu não quero ser normal, não quero ser o gay normal... Eu quero entrar na luta, quero sair da casca, sem deixar de ser eu mesmo. Como eu faço???

Eu sonho com o dia em que comentários como o da minha amiga não serão mais ditos. Que nós possamos ser vistos com o mínimo de respeito que merecemos, ou melhor, que não sejamos mais vistos. Que eu poderei chegar no cinema, com um namorado, e beija-lo como qualquer casal tido como normal faz. Eu não quero ser normal, eu só quero ser eu mesmo, plenamente, e que os normais deixem de existir.

Bom gente, isso é tudo que eu tenho a dizer. Nunca pensei que um comentário pudesse dar vazão a tanta coisa que estava entupindo minhas ideias. O fato é que eu estou mais leve do que nunca, mais gay do que nunca (adoro isso).

Um Beijo a todos, de graça... Porque o amor não se compra! Até o próximo post!!!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sujeito Passional II: A primeira vez

Putz, amigos, desculpem encher o saco de vocês de novo. Eu mesmo já estou de saco cheio. Não vou culpa-los se não lerem esse post. Mas eu preciso escrever isso, preciso me libertar disso hoje, não aguento mais. Há poucos dias me aconteceu uma coisa que me ressucitou fantasmas que pra mim já tinham feito a passagem há muito tempo, mas estavam lá, só esperando o melhor momento de aparecer a acabar comigo. Hoje é o dia do exoscismo, eles vão sumir da minha vida de vez.



Meu Ídolo Freddie na cena da libertação (I want to break Free)

Bom gente, eu não vou ficar repetindo aqui as coisas do outro post. Vamos direto ao ponto específico do de hoje, sem os alongamentos de costume. Hoje eu vou falar de uma pessoa, um grande amigo, que sem saber acabou comigo por muito tempo, numa espécie de tortura. Eu já falei dele aqui no blog, o nome dele é Walmir (não vou preservar a identidade dele).

Wall foi um marco na minha vida, apareceu no momento que eu mais precisei dele, se não fosse ele, eu nem estaria aqui, escrevendo para vocês. Ele me ajudou fazendo com que eu revelasse não só para ele, mas para mim mesmo, que eu sou gay. Eu fiz o mesmo por ele. Se seríamos felizes? Nós não sabíamos, tínhmos 16 anos. Mas o fato é que não precisariamos mais carregar o peso sozinhos. E esse foi o estopim para a cascata de acontecimentos que me levaram a me tornar um sujeito bem resolvido com a minha sexualidade. Só que eu e Wall, não éramos apenas grandes amigos, ou confidentes. A sexualidade não foi a única coisa que Wall fez por mim. Ele foi o primeiro cara com quem eu fiz sexo.

Foi uma coisa quase que natural, e imagino que aconteça com muita gente. Ele era meu amigo, dormia várias vezes lá em casa. Em uma dessas vezes, nós decidimos experimentar, e acabou acontecendo. E aconteceram outras vezes (não me lembro mais quantas). No início foi estranho, nós éramos amigos, era normal rolar um sentimento estranho. Ele era muito frio e mecânico, e eu me sentia desconfortável. Tinhamos vergonha um do outro ainda. Nós não nos beijávamos, só faziamos sexo. A medida que as coisas começaram evoluir, nós ganhamos mais intimidade nesse aspecto. Até que um dia, ele decidiu me beijar, me acariciar, e fez o sexo com mais sentimento e sensiblidade. Verdade gente, até aquele momento, nossa relação não tinha mudado em nada, e o sexo que fazíamos era quase uma masturbação de tão mecanico e casual que era. Só que dessa vez foi diferente, ele me deu atenção, e eu estava muito carente. Na minha cabeça, a amizade que eu sentia por ele começou a se transformar em amor, eu eu fiquei ligado nele.

Tentei falar com ele, mais de uma vez, mas ele não me deu importancia, ele não sabia lidar com isso, e ele ainda era só o meu amigo, não sentia mais nada por mim. Foi então que eu comecei a reprimir o que eu sentia, com medo de estragar uma amizade tão importante. O tempo passou, sim, mas eu ainda pensava que era com ele que deveria ficar. Ficava indignado com a forma que ele era tratado pelos pais, queria poder fugir com ele, para morarmos juntos e enfrentarmos o mundo só nós dois. Eu acreditava que uma relação entre nós pudesse dar certo, e fui sustentando esse sentimento, no stand by, tentando esconder o fato de mim mesmo. Cheguei ao ridículo de sentir ciúme dos professores de inglês, que ele adorava dar em cima, e dos caras que ele dizia que queria pegar.

O Wall nunca foi um cara de convivencia fácil. Se você não gostasse dele de cara, você não ia gostar dele nunca mais. Ele é um tipo meio franco, que tenta ser engraçadinho. E com isso, ele acabava me dizendo coisas que eu não gostava de ouvir. Ele me colocava pra baixo, me comparava com pessoas... Isso me magoava, porque eu já gostava dele, me atingia o ego, e derrubava a minha auto-estima. Eu sei que não era intenção dele, sei que queria tirar sarro da nossa situação, mas ainda assim eu me sentia magoado. Isso foi me deixando triste, deprimido, e isso se arrastou durante um bom tempo. Até que Wall começou a me falar do Marcelo (pseudônimo), um rapaz casado (com mulher), bonito, corpo perfeito e esbelto... Ele tava apaixonado pelo Marcelo, e o Marcelo dava corda a ele (nem preciso dizer o que eles faziam, né?). Bem, eu senti um ciúme danado no início, acabei transferindo o ciúme para um comportamento mais ríspido com o Wall, que ele ignorou. O que mais me deixou triste foi o fato de Wall ter feito coisas por Marcelo que ele nunca faria por mim. O que vocês acham que eu fiz? Sentei e chorei? Não. Eu estava começando a utilizar o blog na época, e com o blog veio o amor próprio. Eu já estava cansado de ser uma figura secundária na minha própria vida. Decidi olhar pra mim mesmo e enchergar um homem bonito, sensível, e merecedor de outro homem a sua altura.

Aquelas atitudes, as comparações, as atitudes dele com o Marcelo, e o meu amor próprio fizeram com que esta coisa que eu entendia como sendo amor e sentia pelo Wall fosse se desfazendo, até ficar apenas a velha amizade que eu sentia por ele ainda na época em que "não eramos" gays, já um tanto abalada pelo fio de mágoa que eu senti (eu sou ser humano, eu me magoo sim, não tenho culpa, mas eu sempre supero isso). Os acontecimentos narrados no ultimo post foram o ponto final da história, quando eu vi que posso sentir algo diferente por uma pessoa que não era ele. Eu meio que me distanciei do Wall, quase que naturalmente, ao longo desse ano, e só agora ele percebeu e sentiu minha falta. Sentiu ciumes de vocês, dos meus amigos não virtuais, alegou a eles e a vocês esse nosso afastasmento. Fez até um poema sobre isso (ele escreve poesia quando está com os sentimentos a flor da pele, foi o primeiro poema que ele fez pra mim e me mostrou). Eu não gostei disso, me senti ofendido... É como se ele tivesse colocando a culpa de tudo nos meus outros amigos.

Ninguém tem culpa nessa estória, ou ambos temos: ele devia ter me dado mais atenção e me ajudado a eliminar esse sentimento maluco que eu criei por ele, já eu não devia ter me envolvido. Mas meus amigos não tem nada a ver com isso. Eu disse tudo isso a ele, como eu me senti durante esse tempo, e ele ficou transtornado. Acho que foi demais pra ele saber isso tudo, até meio egoísta da minha parte. Mas pra mim, somente pra mim, foi bom demais. Coloquei os pingos nos is, arrumei meu coração, e ele está limpinho e... vazio. A carencia agora vem como um leão pronta para me devorar, e eu estou pronto para procurar um amor de verdade, ou mesmo para me divertir, seja lá o que for... Acho que amadureci com tudo isso, estou ficando menos passional, sem deixar de ser sensível, porque a sensibilidade é uma virtude, e eu gosto de ser sensível.

Deixar de ser amigo dele nunca, ele é um dos amigos mais importantes dessa vida. Agora eu só quero que a nossa amizade tome o viço de antes. A carencia? Eu resolvo isso em breve, e não vai ser com o Rei, kkkk. Desisti do rapaz, nada como uns comentários coerentes e amigos para me fazerem desencanar rsrsrs. Espero que não faltem pretendentes agora, já que tem bastante espaço sobrando.

Bem gente, disculpem mais um post novela mexicana/ malhação gay. No próximo eu vou tentar colocar algo mais animado, ou mais agressivo (dessa vez é sério). Os que tiveram paciancia de ler, obrigado, cometem... hahah. Os que não tiveram, ahh, os que não leram nem isso vão ler, então deixa quieto... kkkkk

Beijos e Abraços Renovados... Até o Próximo!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sim, eu sou Urso...

Essa sempre foi uma questão complicada pra mim, sabe? Não ser aceito, ou admirado, ou desejado da maneira que eu mereço por ser gordo, e já expus isso aqui antes. Não sei se isso é coisa da minha cabeça, mas a cada dia que passa, eu vejo que não é não, as pessoas são sim muito preconceituosas conosco. Eu não sou muito gordo, eu tenho o que alguns chamam de sobrepeso, nada que prejudique minha saúde... Mas ainda tem muita gente que faz questão de salientar isso, de jogar na minha cara: VOCÊ É GORDO... Tá, eu sou gordo? Sou mesmo, qual é o problema? O problema é que as pessoas costumam associar isso a outras coisas que não tem nada a ver, como por exemplo: se você é gordo, você é fedorento (eu definitivamente não sou fedorento, mesmo transpirando muito); os gordos não tem uma boa performance sexual (O que??? O que uma coisa tem a ver com a outra??), ahh, quase me esqueci, a pior de todas, "Ahh, se ele fosse uns quilinhos mais magro, ele seria tão bonitinho" (Essa é a coisa que eu mais ODEIO ouvir... Porque eu não posso ser bonito, gostoso ou seja lá o que for com o peso que eu tenho?? Tudo bem, pode ser uma questão de gosto sim, mas isso não é motivo para me taxar, ou ofender).
Eu, particularmente, nunca fiz distinção por peso, cor, tamanho (sim, é isso mesmo que vocês estão pensando), grau de femininidade, ou seja mais lá o que for... A beleza é muito relativa, em todos os aspectos, isto é, cada um vê a beleza de uma forma diferente, e cada pessoa pode ser bonita do seu jeito. Não existe essa história de padrão, isso não entra na minha cabeça... E ainda tem o fator da personalidade, que é muito importante. Só que como considerar os outros fatores se a maioria das pessoas faz questão de desconsidera-los no momento que um único fator se mostra fora do padrão? Eu, sinceramente, to cansado de tentar me inserir nisso...



Sim, já pensei em diversas coisas para colocar os meus parâmetros de beleza superficial em conformidade com o padrão. Já fiz dieta, natação, musculação, já até pensei em tomar anorexígenos (mas só pensei, nunca consumei o ato), e tudo isso só serviu para uma coisa: me deixar ainda mais frustado. Já tive uns episódios de depressão por causa disso. Isso sempre me deixou muito mal, e sempre modulou as minhas atitudes, principalmente no campo amoroso. Só que eu cansei, cansei de tentar agradar somente aos outros e não a mim. Se eu tentasse emagrecer agora, eu ia me privar de muitas coisas que eu gosto, e ia ter que seguir uma rotina que não me agrada, além de me atrapalhar em diversos aspectos. Por isso, eu decidi, não vou mais rmar contra a maré...



Eu nunca consegui ver beleza no meu corpo, e isso é muito estranho, sabe? Por que se fosse outro cara com o corpo igual ao meu, eu me sentiria atraido, eu sempre gostei dos mais cheinhos, mas na hora de olhar para mim mesmo, eu não conseguia me achar  bonito, ou desejável. Depois que eu criei esse blog, não sei porque, mas acabei aprendendo a ver a minha beleza de maneira mais clara, acabei apredendo a me valorizar mais. Para fechar toda essa história, eu resolvi adotar um rótulo. Ta, normalmente os rótulos não são bons, eu sei, mas nesse caso, ele ta me ajudando a me ver de forma ainda melhor, e me mpstra a possibilidade de que eu posso sim ser desejado sim... De agora em diante, eu sou um Urso, bem másculo, viril e peludo.



(kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, essa parte foi zuação). Mas sim, a ideia de "Urso" sempre me agradou muito, sempre me identifiquei muito com eles, e a aparencia deles sempre me agradou, sempre me excitou... Por isso decidi adotar o rótulo de vez! Não sei se ja me encaixo nesse grupo, mas nada que o tempo não possa fazer, né? rsrsrs



 
Enfim, minha intensão hoje era fazer um post engraçado, acabou ficando essa coisa meio desabafo que vocês leram (eu espero que tenham lido mesmo, kkk), até meio sem noção, não sei... Mas eu não vou mais editar meus posts, não quero ferir a ideia do blog que vem no seu título.

Então galera, um abraço de Urso, beijo do gordo, sei lá... O que você preferirem... Até o próximo!

domingo, 7 de novembro de 2010

Como se já não bastasse...

Esses dias, pouco depois de publicação do meu ultimo post, a Borboleta comentou (muito fofa), e me indicou o blog da Lola (que aliás, é fantástico também). O post que li era sobre o redeio de gordas promovido por alunos da UNESP. Bem, eu não vou falar sobre isso nesse post, eu só o citei por que foi nele que eu encontrei inspiração para escrever esse post aqui. No início do texto, a Lola comentou uma discussão que conduziu com seus alunos sobre o PLC 122/06. Seus alunos perguntaram sobre sua posição em relação a tal projeto de lei. Eu particurlarmente, achei a resposta dela bastante sensata: ela se posicionou de maneira bastante imparcial, uma vez que ela não havia tido acesso ao projeto ainda e que ela não faz parte do grupo imediatamente contemplado pelo projeto. No entanto, ela considerou que, como nós, homossexuais, considerávamos o projeto tão fundamental, ela tendia a se posicionar a favor do projeto.
Antes de qualquer coisa, eu gostaria de comentar que tal declaração da Lola não poderia ser mais inteligente. Ela demonstrou um bom-senso incrível com isso. Se todas as pessoas que estão fora do grupo de interesse dessa lei se posicionassem da mesma maneira que ela, nossos direitos estariam muito mais próximos de se tornarem reais.
O fato é que esses comentários me incentivaram a vir aqui e mostrar o que eu penso sobre o PLC 122/06, e como o considero importante, não só para os homossexuais, mas para a sociedade em geral.
Quando eu comecei a frequentar os lugares "gays", eu pude perceber que a discriminação é maior do que eu pensava. Nós só temos liberdade de expressar afeto (simplesmente afeto) pelo outro em locais ou fechados e/ou demarcados como gays. O que me fez perceber isso foi quando eu soube que um pedaço da praia de Ipanema (demarcado pela Rua Farme de Amoedo) era reservado para homossexuais.
Praia de Ipanema (Trecho Gay)

O pior de tudo é que tem gay que acha isso bonito, acha legal ter uma parte da praia só para nós. Eu acho isso um absurdo... Em uma sociedade realmente igualitária os homossexuais poderiam se expressar em qualquer lugar que quisessem sem ter que dar satisfação a nimguém. Se a pessoa sente sua moral ferida, ou se sente  incomodada com isso, que vire os olhos, que vá para outro lugar. A ideia é que vivamos em uma sociedade com liberdade plena de expressão, e não é isso que acontce na prática.


Nós vivemos uma espécie de apartheid, só que um apartheid não declarado, implícito. E existem pessoas que ainda tem a cara de pau de dizer que o PLC 122/06 limita a liberdade de expressão... Pra mim, liberdade de expressão legal é diferente de liberdade de calúnia, liberdade de humilhação, liberdade de violência verbal... Se sugerem tal comportamento, então sugerem que o crime de chamar uma pessoa preta de macaco, crioulo ou outro nome pejorativo também vai contra a liberdade de expressão. Só para vocês verem a contradição dos argumentos.
Como se não não bastasse, eles se sentem no direito de invadir nossos lugares e discriminar, humilhar e violentar... É como se vivessemos numa prisão, onde os carcereiros fazem questão de nos dar uma surra todos os dias (lembrei de "O Conde de Monte Cristo" rs). Isso é muito comum, por exemplo, na Cantareira (Niterói).


Praça da Cantareira (Niterói)

Todo mundo que estuda na UFF ou que mora em Niterói sabe que a cantareira é um local bastante gay alternativo. As pessoas já vão pra lá sabendo que vão encontrar um monte de homossexuais se agarrando em atos de afeto. Eu já perdi a conta do número de pessoas que sofreram (ou quase sofreram) violencia física na Cantareira simplesmente por serem gays. Eu não vou nem comentar os casos de violencia física que levam à morte, que acontece muito com adolescentes homossexuais, ou apenas supostamente homossexuais (como o Alexandre Ivo, adoslescente de 14 anos que foi assassinado aqui em São Gonçalo pelo simples fato de estar com amigos gays), ou com travestis na Lapa...
Para mim, o PLC 122/06 não é apenas um capricho nosso. Agente só quer assegurar nosso direito de liberdde de afeto, nosso direito de ir e vir e, acima de tudo, nosso direito à vida. Quem sabe esse não é o primeiro passo para uma sociedade onde nós possamos ser o que realmente somos, sem a necessidade de ter um armário a postos para entrarmos quando a situação aperta.

Um beijo aqui, um abraço lá... No lugar que você quiser !