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domingo, 5 de junho de 2011

O Mundo anda tão complicado...

"A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também
"
(Baader-meinhof Blues - Lergião Urbana)

E eu que achava que as coisas tendiam a melhorar. Eu que achava que as coisas tendiam a caminhar para frente. Que a era das práticas tradicionalistas, preconceituosas, atrazadas, retrógadas e, ouso dizer, desumanas estavam com os dias contados. Que os tempos estavam mudando, que o ódio residia no coração de poucos, que determinadas instituições (nem preciso citar que isntituições) finalmente estavam vendo quanta contradição existe entre aquilo que elas pregam e aquilo que elas praticam. Que fanatismo era apenas a insensatez de alguns loucos. Que as pessoas paravam para pensar e refletir sobre aquilo que elas ouviam dos outros e não engoliam verdades prontas assim do nada... Pelo que tenho visto nos ultimos dias, tudo isso que eu pensava era apenas uma grande ilusão.

Eu não sei se eu sou o único, mas eu vejo uma contradição extrema em os cristãos serem contra o PL122. Por um lado, eles forçam uma barra vivem tentando arrumar "argumentos" baseados na Bíblia para legitimar a homossexualidade como algo tão criminoso quanto tirar a vida de um ser humano. Por outro lado, pensem comigo, não seria contradição uma "ideologia" cujo principal sustentáculo deveria ser é o "amor ao próximo" incentivar a prática do ódio em todos as suas facetas (desde a humilhação e constrangimento até a violencia física e assassinato)? Como que podemos explicar isso, ir de encontro à própria base, para preservar as frágeis periferias (que, diga-se de passagem, são totalmente passíveis de reinterpretação)? Só existe uma explicação para isso: os atuais cristãos não estão preocupados em "ir para o céu" ou "fazer a vontade do Nossso Senhor Jesus Cristo". A questão central de todo esse caos que tem se instaurado nesse País só possui uma finalidase, clara e precisa: sustentar os  velhos preconceitos que nos assombram desde sempre.


Marcha em Brasília reune cerca de 80 mil soldados do exército de Deus para salvar a alma de pecadores profanos, evitando a criminalização da homobia: “Em Favor da Paz, Contra a PLC 122, Em favor da destruição da Família e Liberdade  de violentar, assassinar e humilher homossexuais Expressão.”

Há quem diga que houve melhoras. Eu sou muito jovem, não tenho como ter a noção do quanto a situação mudou de lá pra cá. De fato, deve ter mudado bastante. Mas, como que em resposta à todo o progresso que obtivemos até hoje (o turismo é um ótimo negócio, não acham?), parece que uma onda de resistência dos "cavaleiros do Senhor" ou "exército de Deus" tem tomado uma forma tão aterrorizante quanto a do tsunami que devastou o japão no inicio do ano, e me parece que esse tsunami já chegou à Brasília. Não vou discutir nada a respeito da reitrada dos kits antihomofobia aprovados pelo MEC, essa é uma questão meio complicada pra mim. Mas o medo é que essa onda destrua definitivamente as nossas ultimas esperanças de ter acesso ao direito universal de ir e vir, que destrua nossas possibilidades de poder, no futuro, sair na rua e pegar um taxi sem medo de ser agredido pelo taxista por estar aompanhado de um companheiro do mesmo sexo. Seria pedir muito? Poder sair na rua sem medo de represálias gratuitas? 


Eliza Schinner, musicista e publicitária. Foi a agredida na madrugada do dia 8 de maio por um taxista pelo simples fato de ter beijado sua namorada no banco de trás do táxi. Ela perdeu cerca de 70% da audição devido a agreção. Imagem deste site: http://oblogentrenos.blogspot.com

 


"Essa justiça desafinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?
"
(Baader-meinhof Blues - Lergião Urbana)


Obrigado, Governador Sérgio Cabral, por pensar no dinheiro que os turistas vão trazer ao Rio na gente



















E como pode, além de tudo, isso tudo ainda ter o apoio do governo federal. Que eu saiba, por mais que uma decisão não seja vontade da maioria, basta que ela defenda os direitos de uma "minoria" para ser legítima em uma democracia. Mas então, a gente vive numa democracia, né? Eu fui obrigado a votar votei no ano passado, eleição assim só tem em democracia, né? A pessoa vota, ou serve ao exército, por livre e espontânea pressão vontade, né? E onde estão os nosso direitos mínimos? Cadê a NOSSA liberdade de espressão e afeto, cadê a NOSSA liberdade de ir e vir? É... Pelo visto a democracia brasileira, é um pouquinho diferente daquilo que aprendemos nas aulas de Sociologia, Geografia, História e Filosofia que tivemos na escola. Pois então, viva a teocracia democracia Brasileira, um exemplo de democracia, segundo o ilustrissimo presidente do mundo dos EUA, Barack Obama... Pelo menos estamos subvivos até hoje, não é verdade?

É isso aí, amigos. Desculpem o meu desabafo. Mas é que a cada dia que passa, eu fico mais decepcionado com a incapacidade que certos seres humanos tem de lidar com a mudança, e com o talento que os mesmos tem para se meter no problema (ou na "solução") dos outros. O PL122 não tem nada a ver com os ditos "cristãos", não interfere em nada na vida deles. Eles vão poder continuar falando mal da gente nas igrejas, não limita a liberdade de expressão de ninguém. A única coisa que o PL122 vai fazer é evitar certos abusos que ainda existem. Não acredito que seja a solução para a homofobia. Gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transsexuais vão contunar morrendo independente da aprovação da lei, isso não tem como evitar. Mas e daqui pra frente? E os gays que acabaram de nascer, ou que estão por vir? Podemos (devemos) pensar em construir uma cultura menos opressora para eles, não é? Podemos garantir que eles não sejam convidados a se retirarem de um Café pelo simples fato de terem se beijado lá dentro, não é?


"Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.
"
(Baader-meinhof Blues - Lergião Urbana)

Bem, gente... Acho que isso é tudo!
Que Deus os abençoe (e não o padre, ou o pastor)!

Até o próximo!

PS: Eu continuo sendo ateu, essa bênção era pra ser uma ironia... Acho que não ficou muito claro, sou péssimo com ironias... hahah

quinta-feira, 19 de maio de 2011

(des)Ilusão do Amor - Le Blanc de Neige

"Nada além
Nada além de uma ilusão
Veja bem
É demais para o meu coração
Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz
Eu vou vivendo assim feliz
Na ilusão de ser feliz
"
(Nada Além Orlando Silva)

De vez em quando, eu ouso tocar em palavras que eu nem conheço a origem. Ideias, que muitas vezes eu nem sequer experimentei por completo. Conclusões precipitadas, calorosas, intensas, exageradas. A ideia é essa, ousar desafiar o desconhecido, para que assim seja possivel refletir o conhecer melhor. Há quem diga que isso é realmente perigoso, mas eu não estou em condições de avaliar o risco agora...

O amor é uma coisa realmente difíciu de definir, dificiu de identificar, em nós mesmos e nos outros. Muitos se questionam se realmente existe. Disso eu não tenho dúvida, o amor existe. Eu amo minha mãe, meu pai, minha irmã e sobrinha, os amigos... Mas e aquele amor, aquele sem comrpomisso, aquela magia, os sininhos, o tesão, as histórias de novelas e comédias românticas, dos contos de fadas... Aquilo existe? Mesmo aquele amor ultraromântico, o "mau do século", aquela coisa sublime e inalcansável, aquilo que nos faz sofrer e ainda assim nos vicia. Aquilo realmente existe?  Não, essas ideias são muito certas para serem reais. Por mais ingênua que a pessoa seja, ela sabe que esse é o tipo de sentimento que só existe na nossa cabeça.

Na verdade, esse é o ponto: a nossa cabeça. Nela é tudo perfeito, é tudo possível. Ela torna nossa vida mais doce, molda os fatos a seu jeito, nos ilude. E é tão bom se levar pela ilusão de que tudo pode ser perfeito, por mais que tenhamos certeza de que não pode. Nunca quis nada além disso, algo que suprisse minha imaginação, minhas ilusões, pelo menos a partir de certo ponto em que isso se tornasse possível. Esse é o meu ideal de amor, uma grande ilusão. A morfina que nos cura do tédio, da rotina massacrante. O tal veneno antimonotonia, "a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida".


Blanc de Neige


Como eu disse, esse é o meu ideal de amor. Ideal, meu. Não posso exigir que os outros pensem como eu, não posso esperar atitudes para comigo visando esse ideal de amor. Não posso nem esperar que todos acreditem no amor, de qualquer forma que ele possa se apresentar. Minha cabeça pode até projetar isso, mas na prática (fudeu), as coisas são bem diferentes. As pessoas complicam, descomplicam. Cada um tem a sua cabeça, e isso é tão maravilhoso que chega até a nos complicar a vida

Como fazer duas cabeças terem a mesma ilusão do amor? Como entrar em sintonia? Eu, sinceramente, não sei. Não ouso dizer que seja impossível, mas acredito que leva uma vida inteira, ás vezes nem isso. E o que são meus 5 anos 20 anos diante de uma vida inteira? É, hoje eu me senti tão ingênuo quanto uma criança de 5 anos... Enquanto isso, só me resta provar do meu próprio ópio: cru, impuro, cheio de efeitos adversos. Como a branca de neve que morde uma maça invenenada na ânsia de do sabor de fruta mordida. Le Blanc de Neige...

"Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor, bem melhor
A ilusão do amor
Eu não quero e nem peço
Para o meu coração
Nada além
De uma linda ilusão..."
(Nada Além Orlando Silva)



Bom gente, por hoje é só! :D
Já fez um bem danado escrever isso aqui, já posso até dormir agora... :)
Agora é com vocês! rs
Um beijo e um abraço em cada um de vocês! Até o próximo

sábado, 9 de abril de 2011

Polêmico Sangue

"É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói

Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
"

(Metal Contra as Núvens - Legião Urbana)





Semana passada, na sexta, houve aqui na faculdade uma campanha de doação de sangue chamada Universitário Sangue Bom... O objetivo seria trazer um grande número de estudantes da universidade para uma doação em massa. O Gui já falou sobre isso no blog dele até, taí o link...

Eu sou uma pessoa que sempre gostou de ajudar as pessoas. Não para aliviar a minha consciência ou para me "sentir útil", mas por simples prazer de ajudar a quem precisa. Por isso, desde que eu era pequeno, eu sempre quis doar sangue... Eu vejo o ato como uma maneira prática de ajudar quem está precisando muito daquilo. Já fazia um tempo que eu não doava sangue, mais ou menos um ano, pois em abril do ano passado eu tive dengue, e quem tem esse tipo de doença tem que esperar um bom tempo para poder doar de novo...

A campanha caiu como uma luva pra mim. Eu queria doar sangue, e não precisava interromper minha rotina acadêmica para isso. Por isso, assim que tive um tempinho, logo de manhã, eu fui ao Instituto Biomédico para  realizar a minha boa ação do dia.

Esses procedimentos de doação são muito burocráticos, e com razão. A "qualidade" do sangue deve ser assegurada, afinal de contas, o objetivo é salvar uma vida com aquele sangue, e não fazer a pessoa ficar mais doente. Tudo bem, vamos lá responder questionário, CPF, endereço, bla bla bla... A última etapa era a triagem: uma espécie de entrevista baseada nos dados respondidos no questionário.

Eu, claro, respondi o questionário da maneira mais sincera possível, se é que me entendem. Tá, haviam perguntas que eu sabia exatamente porque estavam lá (já teve relações sexuais com pessoas do mesmo sexo? Teve mais de um parceiro sexual do mesmo sexo nos últimos 6 meses?), mas eu não acreditava que aquela triagem fosse ser tão discriminatória rigorosa a esse ponto:

Entrevistadora: Deixe-me ver aqui... Humm... Você já fez sexo com outros meninos, certo?
Eu: Sim... Eu sou homossexual...
Entrevistadora: Então você só faz sexo com meninos? Ou meninas também?
Eu: Não não, só meninos...
Entrevistadora: Aqui diz que você teve dois parceiros distintos nos últimos meses, certo?
Eu: Foi isso mesmo...
Entrevistadora: E quando foi a ultima vez que você teve relações com meninos?
Eu: Humm... Tem mais ou menos 2 me...
Entrevistadora: Desculpe, você não vai poder doar sangue...
Eu: Ué... Mas por que não?
Entrevistadora: Existe uma norma da ANVISA que não permite que você doe sangue...
Eu (confuso): Norma da ANVISA?!
Entrevistadora: Mas não se preocupe, eu vou imprimir um comprovante certificando que você esteve aqui, mas não pode doar sangue. Com ele você poderá abonar uma falta, caso tenha tido que faltar alguma aula para estar aqui...

Nem precisa dizer que eu saí perplexo daquele lugar. Me senti sujo naquela hora, um lixo. Eu nunca passei por uma situação de discriminação antes, nem de leve. O máximo que já aconteceu foi eu tomar as dores de um grupo de discriminados, ou até mesmo de uma pessoa. Mas diretamente, eu nunca fui discriminado por causa da minha sexualidade. Foi muito impactante na hora, e eu fiquei com aquilo na cabeça o dia todo. E pra mim, como estudante da área da saúde, foi uma espécie de desencanto. Como que pode a nossa vigilância sanitária ainda usar esses critérios retrógrados para garantir a "qualidade" do sangue? É mesmo preciso discriminar pessoas e perder litros de sangue saudável só para continuar com os mesmos critérios e com os mesmos preconceitos?

É claro, eu não vou dizer que não existe promiscuidade entre os homossexuais... Mas existem outros fatores que influenciam e muito nisso! Primeiro, o que que tem de errado em ser promíscuo? Hoje em dia, a pessoa não se infecta por HIV por ser promiscua, ela se infecta por que quer... Existem inumeros mecanismos que podemos lançar mão para garantir a nossa saúde, mesmo fazendo sexo com a torcida do flamengo inteira... Portanto, a não ser que o cara seja muito burro, ou que ele tenha uma forte ascendencia ao suicídio, o cara vai saber se proteger e garantir a "qualidade do seu sangue", assim como eu sempre fiz.



E depois, impedir os gays de doarem sangue é, alem de nos tacharem de burros e ignorantes, dizer que todos somos promíscuos. Como isso pode ser verdade em um grupo tão heterogêneo quanto o dos homossexuais? É como dizer que toda loira é burra, ou que nenhum negro é capaz de passar para uma universidade pública nas condições normais de concorrencia (outro dia eu falo sobre cotas, hahah) , ou seja, é DISCRIMINAÇÃO...

Foi assim que eu me senti naquele dia, discriminado. Pior, me senti impotente, e isso ficou ainda mais forte essa semana. Quem acompanha o noticiário já soube do "Massacre de Columbine" brasileiro, que ocorreu ontem em Realengo (Rio de Janeiro). Foi uma tragédia nunca antes vista por aqui, dezenas de crianças feridas, 11 mortas... A maioria com ferimentos graves, na cabeça ou no abdômen... Esse é o momento em que o Hemorio mais está precisando do nosso sangue, e eu não  posso doar porque eu sou homossexual. Nunca usei drogas injetáveis, ainda não fiz tatuagem, não coloquei piercing, a ultima doença infecciosa que tive foi há mais de um ano... Tenho todos os requisitos de um doador ideal, só não posso doar porque tenho relações com pessoas do mesmo sexo...



Logo depois de deixar o Biomédico, eu fui pra casa do Gui, e contei o que havia acontecido... Ele ainda questionou: Por que você não mentiu? Não poderia mentir, por n motivos. Claro, eu não condeno e nem desaprovo a pessoa mentir sobre a sexualidade em um momento como esse. É uma questão muito delicada, envolve vidas,  em ambos os lados.

Eu fiz a minha escolha... Eu optei pelo resultado a longo prazo. Claro que eu adoraria ajudar uma pessoa com o meu próprio sangue, mas diante de uma situação como essa, é preciso pensar sobre quais atos você prioriza naquele momento. Eu me recuso a mentir sobre a minha sexualidade em consideração a mim, a todos os que sofreram tanto e por muitos anos tiveram que mentir sobre a sexualidade para ter uma sobrevida, e principalmente, aqueles que ainda estão por vir, para que eles não precisem ser vítimas dessa sociedade preconceituosa em que vivemos.

Eu sei que não vou mudar o mundo com isso, sei que uma vida pode ser perdida pelo simples fato de eu não ter mentido naquele questionário... Mas não é justo comigo, nem com todas essas pessoas que falei. Eu estou em um momento da minha vida em que mentir ou até mesmo omitir minha sexualidade está simplesmente fora de cogitação. Eu sofri muito para chegar onde eu estou agora, eu preciso dessa fase de autoafirmação da sexualidade, eu tenho esse direito. E os outros precisam que mais pessoas como eu contextem essas normas discriminatórias, para que os gays do futuro não precisem passar por isso. Se continuarmos a ser coniventes com o preconceito, até quando teremos que mentir para poder exercer o simples direito de ajudar ao próximo?

"E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.



E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos
.
"

(Metal Contra as Núvens - Legião Urbana)





É isso aí, gente! Mais importante do que desabafar é demonstrar minha insatisfação... Pelo menos já é o início pra que alguma coisa efetiva seja feita...

Um beijo a todos, um abraço apertado... Luto pelas vítimas da chacina de Realengo, nada  nos ultimos dias me deixou tão aflito e tocado quanto o ocorrido lá...

Até o Próximo post!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Angústia com Sabor de Maracujá


"Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu

Até pensei que era mais
Por não saber que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem

Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Pra algum país distante
Voltar a ser feliz

Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo o que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se o meu desejo então já se realizou
O que fazer depois, pra onde é que eu vou?

Eu vi você voltar pra mim..."
(Maurício – Legião Urbana)

Sinto falta de alguém. De alguém que me dê atenção. De alguém que me diga o que eu mereço ouvir. Que me diga o que eu quero ouvir, mesmo que não seja verdade. Que me coloque pra cima (em todos os sentidos), que me dê força e coragem pra continuar essa rotina cansativa. Que me dê um sentido na vida. Que me dê filhos, mesmo que estes não sejam nossos. Que faça planos comigo. Que me faça sofrer de saudades, de ciúmes...

Tenho medo. Morro de medo de essa pessoa não existir. E olha que eu não exijo perfeição. Acho que não estou em condições de exigir nada. Eu só queria alguém que me chamasse de "meu", é exigir muito? Mas eu tenho esperança... Acho que é ela que me dá esse impulso para continuar sonhando com ele, mesmo sem saber se ele realmente existe, ou se ele é criação da minha cabeça.

Minha esperança ainda vai mais longe, me fazendo acreditar que ele pode estar aqui, pertinho... Talvez não tão perto agora, mas também não tão longe. Algo verdadeiro, tocável, com cheiro, cor. E ele é tão perfeito, mesmo eu não exigindo perfeição. Seria audácia minha querê-lo? Será que eu devo, que eu posso? Será que ele é assim tão perfeito, ou é apenas algo que eu criei na minha cabeça? Isso já não importa... O que me intriga é não ter certeza de que ele é mesmo ele... E isso não se descobre com pressa, se descobre com paciência, tempo...

Não vivem dizendo por aí que o amor é uma ilusão? Pois então, tudo que eu queria agora era vivê-la. Como quem come um mousse de maracujá: aquela brevidade doce, que nos tira desse plano por alguns segundos, segundos tão maravilhosos que ficam guardados na nossa cabeça. E eu sou guloso, quero me deleitar. Multiplicar os segundos em horas, dias e meses (quiçá anos...). Comer todos os mousses de maracujá que eu tenho direito, sem me preocupar com as conseqüências.





Mas eu tenho pressa, e dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Eu não quero perfeição, quero realidade. Acho que a pressa é inimiga dos acontecimentos. Então vou ter que dar um freio nessa danada. Pra que se importar com a espera, se dela podem brotar os frutos que eu tanto desejo, com sabor de mousse de maracujá?

"Seja paciente, Júlio... Você nem chegou aos 20 e já tá desse jeito, moleque? Toma vergonha na cara e vá estudar, vá cuidar de sua vida... Porque amor não enche barriga não, ainda mais amor platônico." (Palavras de Dona Consciência, já to de saco cheio dessa gorda chata). Infelizmente (ou felizmente) eu tenho consciência que o amor, por mais que seja muito, não alimenta, nem tira fome, nem dá dor de barriga, como faz o meu mousse preferido...

Uma noite dessas eu escrevi dois poemas. Um bando de pensamentos povoava a minha mente e não me deixava dormir, além do calor que faz há noite aqui em casa. Levantei e escrevi. Não sei se ficaram bons, acho que ficaram meio bobos. Quando eu escrevi a minha última poesia eu tinha 14 anos, e com ela ganhei o festival de poesia da minha escola. Pois é, mesmo tendo muito mais incentivo do que os personagens de Saint-Exupéry (tá que a minha poesia ficou bonitinha na época, nada comparado a uma jibóia digerindo um elefante, kkk), acho que com o tempo sem praticar, acabei perdendo o jeitinho pra coisa. Também, depois de trocar uma palavra com o Bruno sobre poesia, acabei descobrindo que eu não entendo nada disso... Acho melhor eu voltar a estudar células do sistema imunológico, pelo menos parte delas eu entendo (kkk).





Enfim, ruins ou não, eu não vou queimá-los (os meus poemas de agora) como pensei em fazer logo de cara, mas também não os postarei aqui. Pelo menos não por enquanto, até ter certeza de que eles não são tão idiotas quanto eu penso.
"Maurício" é uma música linda. Eu vivo dizendo que Legião Urbana é minha trilha sonora, só que tem músicas deles que eu definitivamente não queria ter como tema. "Maurício" é uma delas, apesar de linda... Pra minha insatisfação e angústia, de alguma forma, essa música se encaixou na minha vida assim, de repente, nem sei como... Vou deixar a música aqui, caso alguém ainda não tenha ouvido. Pensando pelo lado positivo, antes ter "Maurício" na minha trilha sonora do que "Love in the Afternoon", hahaha.



Um beijo daqueles que eu sempre deixo para vocês. Virtual, mas cheio de carinho... E até o próximo post!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

De Volta


Oi pessoal, estou on-line de novo! Eu sei que eu disse que seria apenas uma semana, acabei me alongando para mais uma. O fato é que eu nunca estive tão ocupado durante as férias. Aliás, pra falar a verdade, eu não sei o que são férias de verão desde 2007/2008.

Eu já devo ter comentado aqui que 2008 não foi um ano fácil, em nenhum dos campos da minha vida. Acho que carrego o cansaço obtido nele até hoje. Foi um ano inteiro estudando em período integral, por causa do curso técnico, e ainda estudando aos sábados também em período integral, por causa do pré-vestibular. Além disso tudo, ainda tinha Inglês e Francês.

Mal dava para respirar. Vida social? Não podia nem pensar nisso. Pra piorar a minha situação eu ainda perdi a minha única oportunidade de descansar dessa maratona de 1 ano: as minhas férias de verão. Isso já foi por causa do estágio. Sim, tive que fazer estágio para concluir o meu curso técnico. Comecei assim que as aulas acabaram no final de novembro. Não tive nem um final de semana para descansar. E pasme, eu estagiei em uma obra de grande porte, custeada pelo Governo Federal (o nosso famoso PAC). Não era uma obra do PAC qualquer, era uma obra enorme, onde estavam envolvidas três das maiores construtoras desse país. Uma grande experiência, que eu carrego pra minha vida toda, apesar dos pesares (todos aqui sabem o que costuma acontecer em obras desse tipo, mas por amor a minha vida, assim bem exagerado mesmo, eu vou deixar subentendido).

Agora, a pergunta que não quer calar. Como é que um cara com formação técnica em Edificações, com estágio, a ponto de tirar o CREA, tendo a oportunidade de ser efetivado por uma das três empresas de grande porte envolvidas naquela obra imensa, teve a burrice audácia de tentar vestibular (e passar) para um curso da área da saúde (tipo, nada a ver) e não para Engenharia Civil ou Arquitetura? Bom gente, eu tento encontrar uma resposta decente para isso até hoje.

Uma coisa é fato, a cada dia que passa, eu tenho mais certeza de que eu nasci para ser farmacêutico. O curso é muito cansativo, difícil... mas é encantador (pelo menos pra mim). Também tem aquela leve sensação de que eu seria uma pessoa pouco realizada profissionalmente caso eu seguisse a carreira de Engenharia, ou Arquitetura. Só que também tem o outro lado. De vez em quando, me vem a cabeça que eu poderia estar ganhando 10 vezes o que eu recebo hoje como bolsista de IC, apenas como estagiário de engenharia civil em uma construtora multinacional de grande porte. As vezes me bate aquela saudade do meu escalímetro, do compasso, da régua T, do papel manteiga... Dos meus projetos. Tijolo de vidro, jardim interno, telha de barro colonial... De brincar de arquiteto no CAD... Eu sinto falta disso as vezes, e fico pensando se eu seria um bom Arquiteto, ou engenheiro.




 
Mas a cada dia que passa, a cada ramo novo da biologia e da química que eu desvendo, a cada possibilidade de atuação do farmacêutico que eu descubro, eu fico mais apaixonado pela minha futura profissão. Valeu a pena abrir mão de um salário bom em curto prazo, valeu a pena transformar a minha criatividade em hobby, valeu a pena entrar em um ramo totalmente novo e desconhecido... Acho que já posso dizer que encontrei minha vocação (acho que é melhor esperar eu me formar antes de dizer isso com tanta certeza, não é? Hahah).

Pois foi assim que eu entrei nessa louca rotina da faculdade de Farmácia. Saí do estágio numa sexta-feira em março de 2009 para começar a estudar na segunda-feira seguinte. Não tive descanso nem nas férias de julho, quando eu, Gui e Ângela resolvemos fazer um minicurso oferecido pelo instituto de química. Nas férias de verão de 2009 para 2010 eu também não descansei, tive que participar de um outro curso de férias por causa da minha IC (a história de como eu consegui essa IC também é muito louca, talvez eu fale sobre isso em outro post futuramente).

Essas seriam as minhas primeiras férias tranqüilas desde 2007/2008. Cheguei até a ter o mês de janeiro para vadiar descansar um pouco. Só que, mais uma vez por causa da IC, eu tive que interromper meu descanso. Só que dessa vez eu estou muito mais empolgado. Estou em um projeto realmente interessante e que desperta muito o meu interesse. Tá até valendo sacrificar o restinho das minhas férias por causa dele.

Essa semana eu tenho mais um evento relacionado a esse projeto, mas eu vou procurar visitá-los mesmo assim. Essas duas semanas longe da Blogosfera me fizeram ver de verdade como esse troço vicia. Eu estou morrendo de saudades de todos vocês, tanto dos textos quanto da presença virtual de cada um aqui nesse blog. Quis falar de coisas que aconteceram comigo, de sentimentos, de angústias aqui no blog durante essas duas semanas de ausência. Mas já passou, e agora tudo que eu quero é estar aqui até que as aulas voltem efetivamente, quando ficará muito mais difícil, e o tempo será muito mais escaço.

Bem gente, acho que isso é tudo... Falei de tudo o que eu queria e mais um pouco (como sempre)... rsrsrs

Um beijo a todos, um abraço apertado... E até o próximo post!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dos Evangélicos e Sua Intolerância

Sabe gente, uma das minhas características mais marcantes é a minha posição religiosa. Eu sou ateu, na verdade, eu era católico, mas desde que eu comecei a desenvolver capacidade de criticar e contestar o mundo, e me tornei ateu. Não foi exatamente uma escolha, foi mais um confronto lógico... Simplesmente não cabia Deus dentro de tudo em que eu acreditava. Por esse motivo até, eu smpre fui um ateu bastante tolarante, não sou o tipo de cara que contesta determinada religião sem ter um motivo concreto. Eu acredito, acima de tudo, na liberdade de pensamento, e sempre procuro ver o lado de cada um antes de criticar. 
Outra caracteristica minha é que eu não costumo associar as minhas ascendencias "religiosas" com a minha orientação sexual. Mas, é claro que quando eu resolvi aceitar que eu era homossexual, isso passou a ser no mínimo bem conveniente...
Enfim, todo esse blábláblá foi para explicar uma situação no mínimo constrangedora que aconteceu esse domingo aquí em casa. Hoje houve um almoço de familia aqui em casa, e um tio meu (que por sinal, é evangélico) veio para esse almoço. Começamos a discutir as eleições de hoje, e ele, como todo bom e adestrado evangélico, se posicionou a favor do Serra. Até aí tudo bem, o bafafá começou na hora que ele decidiu elogiar o ato tosco e invasivo louvável do titio Silas de distribuir mensagens ofensivas por aos homossexuais por toda a região metropolitana do Rio (pelo menos até onde eu sei).



Ele comentou que isso era um ato de protesto a esses anormais que querem nos fazer engolir a presença deles como se fosse a coisa mais natural do mundo. Fato, Eu fiquei tudo naquela hora: Indignado, constrangido, impotente... E o pior, eu não podia rebater. Apesar de meus pais serem totalmente liberais com relação a isso, eles ainda não sabem sobre mim, e mesmo se soubessem, acho que contestar o meu tio naquela hora poderia constrange-los ou ate dar margem para que pessoas falassem coisas toscas sobre mim deois. Enfim, eu nem consegui desfarçar a cara de desconforto... E isso me motivou a meter o malho comentar alguns pontos com quais eu não concordo sobre os evangélicos.
Gente, eu já falei no início do post, eu não ouso criticar religião nenhuma sem ter um motivo concreto, o fato é que se estou fazendo isso, é pq eu to muito puto da vida mesmo. Desde a publicação desses outdoores eu me sinto no mínimo ofendido, mesmo se eu não fosse gay eu me sentiria. Isso é um afronta não apenas aos gays, asm à liberdade em si. E eu meu tio querido ainda tem coragem de me dizer que quem está sendo desrespeitado é ele. Se um evangéligo não quer ver dois caras de beijando, que ele vire a cara, ou será que ele tem medo de cair na tentação? Eles sempre acham que são os donos da verdade, que são melhores que todos os outros, o que aliás é uma contradição, já que segundo a doutrina cristã a única entidade capaz de julgar qualquer atitude de uma pessoa é Deus. Será que eles querem ser perfeitos? Se igualar aquilo que eles próprios definem como perfeição? E ainda criticam com esse mesmo argumento os cientistas que tenta, salvar vidas humanas com manipulação genética. Outra contradição feia e que está no centro dessa discussão toda é a relação dessa ideologia tosca com o amor: como alguém pode ir para o inferno por realizar um ato de amor ao próximo (um beijo, por exemplo)? Eles não enchem a boca para dizer que q o Deus deles é o Deus do amor? Que devemos amar ao próximo? Pq eu tenhp q ir para a porra do inforno por amar ao próximo? Isso me deixa confuso e cada vez mais certo de que eu NUNCA vou engolir essas contradições... É simplesmente hipócrita, para mim pelo menos a maioria dos evangélicos é hipócrita (afinal de contas, quem nunca conheceu um evangélico enrustido? Eu conheço um monte, inclusive se vc for no banheiro da Barca Niteroi - Praça XV vc tem grandes chamces de topar com um).
Olha gente, eu não sou a favor de vandalismo, mas eu tenho que louvar um ato que alguns caras realizaram há algumas semanas acerca desses outdoores aquí em São Gonçalo. Eles jogaram tinta em alguns deles. Acho que meu tio não viu isso, mas eu gostaria muito que tivesse visto, para ele entender exatamente o que é um ato de protesto em favor da liberdade. Se alguém vir alguma foto na internet, por favor, me envie para eu postar futuramente... Não consegui nenhuma =/

Bem pessoal, acho que isso foi um desabafo, espero que vocês tenham paciencia para ler...

Um Beijo na Boca (Como um ato de amor ao Próximo)