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domingo, 1 de janeiro de 2012

Quando Grandes Mudanças se Fazem Necessárias!

"Uma menina me ensinou
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir

Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo."


(Ainda é Cedo - Legião Urbana)

Sabe quando chega uma hora em que as coisas tomam um rumo que você não previa, mas já passou tanto tempo que mudar o percurso já se tornou um dos trabalhos de Hércules? É muito difícil lidar com situações desse tipo, pelo menos quando nunca se viveu isso antes...



Aí é que está o problema... Será que eu nunca vivi isso antes? Esses dias, conversando com minha irmã, eu me lembrei de uma grande amiga de infância, a Víviam. Já falei dela antes aqui no blog, nós éramos "namoradinhos", fomos criados juntos até o início da adolescência. Minha afeição pela Víviam sempre foi muito grande, principalmente entre 5-6 anos de idade, em que ela era a minha única companhia aqui nesse bairro. Ela era criança, mas era esperta que só ela, usava essa afeição que eu sentia por ela em seu favor, e me chantageava...

Eu me lembrei desse tempo, dessas histórias... É como perder o controle da situação, sabe? É como se o outro tivesse você na mão e te utilizasse como fantoche. Não que o outro queira o seu mal, pelo contrário... Ás vezes justamente por querer seu bem, o outro chega e toma as rédeas da situação. Ás vezes você mesmo, por sua maneira de pensar e agir, por imaturidade, por passividade, deixa que a situação vá por um caminho perigoso, que não deveria ir. Não é de má fé, isso com certeza não é...

Daí, quando um dos lados começa a se prejudicar, começa a sofrer, agente percebe que as coisas não estão certas do jeito que estão. Alguma coisa precisa mudar, antes que esta estrada dê num precipício e não sobre mais nada daquilo que sempre foi tão bonito. O problema é que quando nos damos conta de que grandes mudanças são de fato necessárias, já passou tempo suficiente para tornar essas mudanças o mais árduo dos trabalhos. E põe árduo nisso... 

Quando se trata de alguém que agente ama de verdade, a coisa piora mais ainda. Vem o medo de magoar, o medo do novo, das mudanças na verdade... Deve-se agir com cautela, pois somos humanos, e a chance de erro é grande. Não se pode errar nessas horas. É preciso ser firme, preciso, até um pouco frio e calculista... Não é tão fácil assim equilibrar uma balança, antes você precisa ter a sensibilidade dos pesos. É uma tarefa quase impossível, sim... Mas tenho certeza que valerá muito a pena, como tem valido muito a pena todo esse tempo em que estive nessa estrada, por mais que eu tenha planejado um caminho diferente do que o que foi tomado...


Senti saudades daqui... E dos amigos, é claro! Q venham os próximos (Posts)! :D

Um grande beijo a todos... Até o próximo...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Desses 20 anos...

"Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E penso sempre em sexo, oh yeah!"
(Aloha - Legião Urbana)



20 anos... Eles chegaram com tudo, e eu nem senti. Mesmo que muitos digam que eu aparento 18, ou que eu sou tão ingênuo, inseguro bobo que pareço ter 18, o que vale é o que está ali, na identidade (será?). Todos aqueles números, parecem ter tanto significado para algumas pessoas. Pra mim são apenas números impressos em papel moeda. É o que eu sempre digo aos que se impressionam com a minha pouca(?) idade: A idade é apenas um número

Sendo assim, qual é a graça de se fazer 20 anos? Ganhar respeito, ou algo que me lembre respeito? Pra mim isso não faz diferença. Eu não mudei da água provinho nessas útlimas 24 horas só porque iria fazer 20 anos. Qual o significado disso? Porque todos fazem tanta questão de lembrar dos seus 20 anos? É, não tem como negar... 20 é um número cheio de significado. E o significado mais expressivo que esse número tem pra mim agora é Juventude

Eu me sinto Jovem... Com uma vida inteira pela frente, cheio de planos, de desafios. Com muitas reponsabilidades, mas também sem medo de errar e fazer de novo (tem tempo, né verdade?). E esse gosto, gente, gosto de liberdade sem medo, é um gosto muito bom, melhor do que chocolate com cereja. Esse dia de hoje, pra mim, por mais que na prática não tenha muita relevância, é de um significado simbólico muito grande. Marca a primeira mordida no meu bombom de cereja, da minha liberdade doce e amarga, da melhor fase da minha vida.

É interessante como tudo na vida tem um momento certo pra acontecer. Há poucos posts atrás eu comentei como minha vida tem se modificado de uns 4 ou 5 meses até agora. Tudo isso me assustou de início, mas tudo que é novo causa um certo temor. Agora acho que tenho mais condições de interpretar todas essas mudanças acontecendo ao mesmo tempo: é o sabor  do bombom de licor de cereja, e eu estou pronto para me deliciar sem culpa. Sem medo do sabor amargo, afinal de contas o amargo do chocolate está alí para nos lembrar o quanto o chocolate pode ser doce. Sem freios para sentir o doce constante e suave da cereja, aquele doce que fica no hálito, depois na mamória, nostalgia... É assim que eu quero meus 20 anos, de um sabor tão doce que possa ser lembrado, misturado a um sabor tão amargo que não me faça esquecer que, mesmo nos momentos mais amargos, a vida nunca deixa de ser doce.

E as pressões, as cobranças, as dúvidas, as inseguranças... Elas persistem, e se intensificam, e se renovam. É a força motriz que nos faz seguir, que nos motiva. Nada se move sozinho, essa á a parte amarga do chocolate. Mas quem disse que tem que ser ruim? Eu não tenho tempo a perder, mas tenho todo tempo do mundo. Não existe tempo perdido nessa vida, só existe o tempo. Esse sim tem que ser usado enquanto ele parece não ter mais fim. Que venham, se renovem e persistam as pressões, cobranças, dúvidas e inseguranças, elas tornam o caminho mais interessante, mais rico...

É isso aí gente... A vida é agora, e eu estou doido para viver mais, cada vez mais, mais intensamente... Uma caixa inteira de bombons de chocolate amargo com licor de cereja. Fazer jus a meu nome, Júlio. Não sei se vocês sabem, mas Júlio significa "cheio de juventude". Bem oportuno, não acham? hahah. Pois então, hoje é meu dia de Júlio, meus 20 anos... E estou feliz de poder partilhar isso com vocês! :D

"E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
Que cresçam logo as crianças."
(Aloha - Legião Urbana)



Saudades de todos! Prometo que quando tiver uma trégua da faculdade eu volto a ler todos vocês. Prometo isso mais por mim do que por vocês mesmo... rs

Um grande abraço vigoroso, doce e amargo! Até o próximo post

PS1: Eu não desisti do blog, jamais! Aliás, esse tempo distante de tudo, principalmente de ler vocês, amigos, têm me deixado até estressado. Ontem eu tive uma crise de stress voltando pra casa, desde que comecei a ler blogs e a escrever aqui isso não acontecia comigo. Mas tudo isso tem um objetivo claro e bem definido: eu quero me formar, um dia... E quando eu me formar, eu não quero ser um farmacêutico tosco que não sabe nem diferenciar vírus de virion (oops, acho que muitos não vão entender essa, só o Gui talvez, e o Lobo, eu imagino... hahah). Pra isso eu tive que abdicar desses momentos de lazer que tenho no blogger e meter a cara nos estudos. De qualquer jeito, a saudadede vocês é grande, de verdade!

PS2: Ah, antes que eu me esqueça. Como foi muito bem lembrado pelo Lobo, e agora eu reforço, dia 21 vai ter MEDDIETOPEBCS (essa sigla é tudo, haha)... Informações, vide Uivos do Além (hahaha). Vai ser Supimpa... ;)

sábado, 23 de abril de 2011

Especial

"Sempre precisei
De um pouco de atenção

Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
Nesses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
"


(Teatro dos Vampiros - Legião Urbana)




Eu sempre fui assim, meio carente. E não digo isso do ponto de vista sexual, sabe? Eu sou carente de atenção. E, curiosamente, eu sempre fui muito fechado. Talvez pelo fato de as pessoas se interessarem tão pouco pelos meus problemas, eu criei um espécie de trava para compartilha-los. E olha, de fato, essa minha caracteristica sempre passou despercebida pelas pessoas que me cercam.

O Fato é que eu sempre quis ser especial, sabe? Não digo especial do tipo uma celebridade, que todos amam, tem a atenção de todos. Eu queria a atenção de uma pessoa, só uma. Sabe aquela sensação de que você é sempre o coadjuvante na vida das pessoas? De que você passaria despercebido? De que você não faria nenhuma falta, pois é apenas um acessório? E um acessório bem apagadinho, diga-se de passagem. 

As pessoas nunca me notaram muito, a minhavida toda. Não, eu nunca me importei com isso. Convivo com isso há tanto tempo que aprendi a lidar. Mesmo assim, de alguma forma, eu sempre me vejo procurando uma maneira quase que inconscientemente de chamar a atenção dos outros, seja deixando os cabelos compridos, seja me sobressaindo em provas de vestibular. Mas essas coisas não adiantam muito, sabe? Vc chama atenção por um tempo, mas é tudo tão surperficial. As superfícies são tão frágeis, se degradam e são substituidas por outras novas. Mas nada efetivo. De modo que eu nunca me senti plenamente especial na vida de ninguém.

É claro, todo esse blablabla até aqui não importa de nada... Vocês sabem muito bem que eu não me importo com a sociedade, aliás eu acabei de falar que aprendi a lidar com isso ao longo do tempo. Não me importo mesmo se a sociedade está me notando ou não. Vocês sabem onde eu quero chegar com essa história toda: ser especial para alguém. Eu sempre fui um romântico, daqueles mais bregas, de escutar canções de amor, de ler histórias de amor, de gostar da novela das 21h. E, mesmo percebendo o quanto aquele amor foge a realidade, eu sempre quis ter algo parecido com aquilo: algo recíproco, intenso... Aquilo de ficar pensando na pessoa amada, e de a pessoa amada também ficar pensando em você... Eu sempre sonhei com isso, não só com o conteúdo, mas principalmente com a reciprocidade.

Sempre fiz questão de demonstrar quando gosto de alguém, ou o quanto a companhia da pessoa me faz bem, o quanto eu valorizo a amizade de alguém. Não me lembro de ter recebido muita coisa em troca... Teoricamente eu nem deveria esperar nada em troca, e realmente, do ponto de vista da amizade, eu nunca esperei mesmo, sempre fui feliz em ser bom com meus amigos, isso sempre me fez bem, independentemente de eu receber algum tipo de ação recpiroca ou não. Mas acho que quando se trata de amor, essa coisa de esperar é meio que involuntária... E a reciprocidade? Eu sei, sou egoista, egocentrico... Penso em mim, só em mim, e tudo que eu faço para os outros é esperando um retorno para mim. Pode me chamar de Mr. Ego agora. Como é que pode o fato de eu querer reciprocidade ter se tornado em um pecado tão grande?

Eis uma coisa que eu sei que não posso exigir... Reciprocidade. Não devo exigir? Por que, é pedir demais? Não seria o mínimo? Essas coisas me deixam confuso, me desnorteiam... Como agir sem ter certeza? Por que o ser humano gosta tanto das entrelinhas? Tem cursinho de entrelinhas? Poderia fazer depois que eu terminar o inglês.... Por que as coisas não podem ser mais diretas? Teria a mesma graça se não fosse? E essa porra de amor, pra que que serve? Só para torrar nossa paciencia, e nosso cérebro tentando ler as tais entrelinhas... Eu só queria um pouco de atenção, atenção espontânia... Ser lembrado por alguém, fazer a diferença para alguém, dar tesão em alguém, não sair da cabeça de alguém... Nossa, que mistura, quantas exigencias... Essa pessoa existe? Será que existe? Eu quero, mas nunca vou ter certeza... Nunca, a palavra proibida!

Talvez eu tenha certeza de sua existência sim, assim que encontrá-lo e olha-lo nos olhos e dizer-lhe a verdade... nas entrelinhas, é claro. Sem elas não é a mesma coisa, não tem graça, né? Ah, a esperança da certeza nos olhos dele... E se não tiver certeza já não mais importa, porque eu estarei em seus olhos. O problema reside no seguinte: Será que vou encontrá-lo (de novo) (logo)? Essa é a pior das icertezas...


"Vamos lá tudo bem
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
Esperamos que um dia nossas vidas possam se encontrar



Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir"

(Teatro dos Vampiros - Legião Urbana)

Perguntas, respostas, mais perguntas... Vocês já devem estar cansados desse texo nem um pouco fluido e demasiado confuso. Eis-me aqui, não é verdade? Um cara confuso, acima de tudo... Pelo menos deu para espantar uns fantasmas e demônios que estavam presos aqui dentro... rs
Um beijo a todos... Até o próximo



domingo, 3 de abril de 2011

Montanha Russa

"Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Pra tentar ser feliz
"

(Teorema - Legião Urbana)



Eis-me aqui... Como sempre estive, só que mais confuso que nunca. Sim, esses últimos 4 meses foram os mais loucos da minha vida. Nunca antes eu vivi com tanta intensidade. Chega uma hora que agente cansa de ser o cara certinho, o orgulho da familia. Chega uma hora que agente passa desconsiderar a cobrança dos outros e acaba se cobrando sobre a própria felicidade. Foi então que eu cheguei, parei e pensei: O que eu fiz até hoje da minha vida? Será que eu fui feliz??? Feliz eu sei que eu fui, mas será que eu fui feliz do jeito que eu queria? Com a intensidade que eu queria? Não.. Justamente porque eu sempre me impotei com a opinião dos outros. Eu sempre quis ser um exemplo, mesmo que isso me custasse a privação de muitas coisas.

Só que uma hora agente cansa... A vida vai passando, sabe? O tempo não para, nunca parou, muito menos para me esperar decidir ser feliz. Eles vem chegando (os 20), já faltam menos de 2 meses, sabiam? E o que eu fiz nesses quase 20 anos? "Desses 20 anos, nenhum foi feito pra mim..." Justamente porque eu não me deixei viver do jeito que eu julgo ser o certo, ou o mais prazeroso.

Foi pensando nisso que eu decidi embarcar nessa Montanha Russa. Quase sem querer, mas sem deixar de ser minimamente calculado. Eu só precisava dizer sim. Parece tão fácil, né? Três letrinhas, uma sílaba... Mas é tão difíciu. Como é que pode agente ter que lutar com todos os nossos mostros só para conseguir pronunciar três letras, uma silaba? Mas eu consigo... Todos conseguem, porque eu não conseguiria?

E lá fui eu, por esses caminhos tortuosos, fui viver. Das loucuras divertidas até a vibe gay da depressão. Tudo junto, um verdadeiro tornado (como diria esse cara da minha espécie, rsrs). É o momento de beber até passar mal, de falar mal dos outros, de ferir o ego, de recuperá-lo...  Da curiosidade, de experimentar coisas novas, pessoas novas (sim, experimentar pessoas novas). Mas tem sempre aquele gosto que agrada mais, que fica na memória. Aquele beijo que encaixa, e que você quer repetir (o quanto antes). Aquelas palavras, aquele perfume... E aí toda aquela loucura perde um pouco do sentido...

E é assim mesmo que acontece. No meio daquela adrenalina, na situação mais inusitada, no local mais inóspito, você encontra aquela pessoa que te faz querer sair dalí. A pessoa que te faz perceber que para ter aquela adrenalina toda, não precisa de montanha russa nenhuma, basta estar ao seu lado. A montanha Russa é dispensável, apenas um acessório. E foi assim que eu decidí, se você me der a mão, eu saio da montanha russa, de bom grado... Eu não preciso de mais caminhos tortuosos (na verdade, eu já até cansei dessa brincadeira), eu só preciso de carinho, e um pouco de atenção... De uma frase bonitinha, de um arrepio na nuca, e isso eu sei que você pode me dar (você sabe me dar).

"Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer
"

(Teorema - Legião Urbana)




Nossa, esse texto ficou uma bagunça... hahaha... Assim como foram essas ultimas semanas da minha vida. Mas enfim, estou feliz de ter escrito hoje... Foi como se eu tirasse uma tonalada em pensamentos, expectativas, angústias... Mas enfim, o que tiver de ser será... vamos deixar a vida seguir seu curso normal, no ritmo que tem que ser!

Um abraço a todos vocês... Estava morrendo de saudades! Até o próximo!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mulheres da Minha Vida


Estava voltando pra casa. Quando chego na esquina da minha rua, encontro Vivian, indo em minha direção.

Eu: Oi Vivian...
Vivian: Oi Julinho... Tudo bem?
Victor Hugo (no colo dela): Uinhu... (aponta pra mim)
Eu (cara de surpresa): Nossa Vivian, esse menino tá mais esperto a cada dia...
Vivian: Não é verdade? Mas é porque ele também chama o pai dele assim, deve ter se lembrado...
Eu: Passa lá em casa qualquer dia desses, minha mãe quer te ver...
Vivian: Claro, passo sim... (sorri)

Vivian sempre foi uma garota muito precoce. Crescemos juntos, ela era minha vizinha desde que nascemos. Ela era poucos meses mais velha. A mãe dela vivia dizendo que, se não nos casássemos, seríamos melhores amigos. De fato, não poderia me casar com ela (vocês sabem porque). Mesmo ela sendo linda, não era dessa fruta que eu queria comer (e nem quero ainda). Mas na infância agente ainda não tem paladar para frutas. Ela era a minha namoradinha, daquelas que normalmente agente tem aos 5 ou 6 anos de idade. Vivíamos juntos, pra lá e pra cá... Éramos sim, grandes amigos... O tempo nos separou. Ela começou a criar corpo, só que eu comecei a gostar de garotos... Nos distanciamos, talvez por causa do estudo, talvez por causa das diferenças... Hoje ela é mãe, tem um filhinho lindo, e um namorado de verdade. Fico muito feliz por ela, mas gostaria de resgatar aquela amizade pura da infância... Sinto saudades daquela Vivian que me escrevia cartinhas de amor, que me chantageava para eu fazer o que ela queria, que me dava selinhos...

Bruna veio na minha cabeça esses dias, não sei por quê... Sempre linda, com seus cabelos pretos e compridos, a pele bem branca, o corpo bem formado, seios fartos. Não sei ainda o que eu senti por ela naquela época. Eu tinha 15 anos, ela tinha 19. Estudávamos francês... Eu era meio CDF, ela me pedia ajuda com as tarefas, sempre me procurava para formar os grupos de trabalho. Quando trabalhávamos juntos ela projetava os seios em direção a mim, soltava aquele sorriso lindo... Talvez fosse coisa da minha cabeça. O fato é que ela me dava aquela esperança ilusória, tendência de qualquer menino de 15 anos que ainda nem sabe o que está sentindo, disposto a usar todas as armas de que dispunha para lutar contra aquele sentimento antinatural. Eu queria me sentir atraído por ela, e queria muito. Me dei ao luxo de pensar constantemente nela, e já estava acreditando que ela seria a solução dos meus problemas. Mas não, foi apenas uma ilusão (e graças a deus que foi uma ilusão). Ilusão de pensar que uma garota linda como ela se interessaria por um CDF, que ainda por cima era bem mais novo. Ilusão maior ainda de acreditar que ela resolveria o meu "problema". Pouco tempo passou e ela se mudou para os EUA. Menos de 6 meses de sua partida e eu vejo as fotos do seu casamento no Orkut. Minha certeza de que ela não seria a tal solução para os meus "problemas" apareceu quando eu me vi mais atraído pelo noivo dela do que por ela (nossa, que americano gato... kkkk). Enfim, enganos acontecem, ainda mais quando queremos nos enganar...

Esses dias eu encontrei Carla na padaria. Ela como sempre, me chamou de "Meu Amor". Eu coloquei a mão na barriga dela, e perguntei para quando seria. Ela respondeu que Alice viria em Maio. Se Vivian era bastante precoce, Carla era mais ainda. Nos conhecíamos da infância também. Mas apenas quando eu tinha 16 e ela 13 que nos beijamos pela primeira vez. Eu sempre a vi como amiga, nada mais. Dela não se podia dizer o mesmo. Carla foi a primeira e pessoa que demonstrou claramente algum tipo de interesse em mim, como homem. Mesmo assim, era contra a minha natureza sentir mais do que um grande afeto por ela. Um garoto de 16 ou 17 anos não tem maturidade para abrir mão de sopro de ego assim tão fácil, nem do álibi perfeito para manter as coisas estacionadas, muito menos para abrir o jogo com uma menina que se dizia apaixonada por ele. Mas o Júlio de 18 anos teve maturidade suficiente para acabar com uma "farsa" que não visão dele era no mínimo desleal. "Carla, você sabe o quanto que eu gosto de você, menina... Mas nós só poderemos ser amigos, porque eu sou gay". Ela reagiu bem melhor do que eu pensei, pelo menos aparentemente. Como eu disse, ela era bastante precoce. Levou aquilo na maior naturalidade. Hoje ela encontrou o Júlio César dela (o namorado dela tem o mesmo nome que eu, dá pra acreditar?) que a deu de presente a Alice, que chega em Maio. Só de pensar que a Alice poderia ser minha filha, eu já penso "Graças a Deus que eu nasci gay..." Eu não teria grana nem maturidade agora para assumir um filho, apensar de querer muito isso. Só deixo os meus votos a minha amiga Carla, que ela seja feliz, e que esse outro Júlio a ame de verdade, do jeito que ela merece.

Mamãe e Nana já tem um post só para elas, e terão mais outros. Nem preciso dizer o quanto essas são especiais pra mim. Do mesmo jeito que são especiais as minhas tias, todas elas. As minhas madrinhas, todas as duas. Aliás minha madrinha Silvia (que coincidentemente mora no mesmo Estado que a minha madrinha Borboleta) me ligou esses dias me elogiando por esse blog, e pela minha decisão de ter assumido a homossexualidade publicamente. Seria um fato corriqueiro e sem tanta relevância se não considerássemos que dindinha Silvia é evangélica da Igreja Batista. Não concorda com o homossexualismo, nem podemos dizer que ela é o tipo de religiosa liberal. Dindinha Silvia é o tipo de mulher que leva a religião a sério, e eu não posso deixar de admirar isso nela, apesar de tudo. Essa atitude dela me encheu de alegria, não por ela ter me "aceitado" em si, mas eu tê-la feita vencer uma barreira do preconceito, tê-la feito refletir, mesmo que apenas por um momento, considerando apenas o coração e o bom-senso, e não os dogmas religiosos. Pra mim, foi uma conquista... Pequena, mas já ta valendo... :D

Tem ainda muitas, muitas outras mulheres especiais que passaram e passam pela minha vida a cada dia. Cada uma com a sua importância, fazendo a diferença... Por isso eu não entendo quando dizem que "Gay não gosta de mulher" ou que "Gay tem alergia a mulher". Isso pra mim é um afronta, me ofende. O que seria de mim sem elas? O que seria da minha vida sem a presença decisiva delas? Como que eu, apenas por ser gay, poderia deixar de amá-las? Não, elas são minhas, todas elas... As mulheres da minha vida... Todas elas têm e sempre vão ter um lugarzinho aqui no meu coração...

O Post saiu maior do que eu esperava... rsrs. Vocês entendem, né?

Um grande beijo, um forte abraço... Até o próximo Post!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Angústia com Sabor de Maracujá


"Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu

Até pensei que era mais
Por não saber que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem

Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Pra algum país distante
Voltar a ser feliz

Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo o que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se o meu desejo então já se realizou
O que fazer depois, pra onde é que eu vou?

Eu vi você voltar pra mim..."
(Maurício – Legião Urbana)

Sinto falta de alguém. De alguém que me dê atenção. De alguém que me diga o que eu mereço ouvir. Que me diga o que eu quero ouvir, mesmo que não seja verdade. Que me coloque pra cima (em todos os sentidos), que me dê força e coragem pra continuar essa rotina cansativa. Que me dê um sentido na vida. Que me dê filhos, mesmo que estes não sejam nossos. Que faça planos comigo. Que me faça sofrer de saudades, de ciúmes...

Tenho medo. Morro de medo de essa pessoa não existir. E olha que eu não exijo perfeição. Acho que não estou em condições de exigir nada. Eu só queria alguém que me chamasse de "meu", é exigir muito? Mas eu tenho esperança... Acho que é ela que me dá esse impulso para continuar sonhando com ele, mesmo sem saber se ele realmente existe, ou se ele é criação da minha cabeça.

Minha esperança ainda vai mais longe, me fazendo acreditar que ele pode estar aqui, pertinho... Talvez não tão perto agora, mas também não tão longe. Algo verdadeiro, tocável, com cheiro, cor. E ele é tão perfeito, mesmo eu não exigindo perfeição. Seria audácia minha querê-lo? Será que eu devo, que eu posso? Será que ele é assim tão perfeito, ou é apenas algo que eu criei na minha cabeça? Isso já não importa... O que me intriga é não ter certeza de que ele é mesmo ele... E isso não se descobre com pressa, se descobre com paciência, tempo...

Não vivem dizendo por aí que o amor é uma ilusão? Pois então, tudo que eu queria agora era vivê-la. Como quem come um mousse de maracujá: aquela brevidade doce, que nos tira desse plano por alguns segundos, segundos tão maravilhosos que ficam guardados na nossa cabeça. E eu sou guloso, quero me deleitar. Multiplicar os segundos em horas, dias e meses (quiçá anos...). Comer todos os mousses de maracujá que eu tenho direito, sem me preocupar com as conseqüências.





Mas eu tenho pressa, e dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Eu não quero perfeição, quero realidade. Acho que a pressa é inimiga dos acontecimentos. Então vou ter que dar um freio nessa danada. Pra que se importar com a espera, se dela podem brotar os frutos que eu tanto desejo, com sabor de mousse de maracujá?

"Seja paciente, Júlio... Você nem chegou aos 20 e já tá desse jeito, moleque? Toma vergonha na cara e vá estudar, vá cuidar de sua vida... Porque amor não enche barriga não, ainda mais amor platônico." (Palavras de Dona Consciência, já to de saco cheio dessa gorda chata). Infelizmente (ou felizmente) eu tenho consciência que o amor, por mais que seja muito, não alimenta, nem tira fome, nem dá dor de barriga, como faz o meu mousse preferido...

Uma noite dessas eu escrevi dois poemas. Um bando de pensamentos povoava a minha mente e não me deixava dormir, além do calor que faz há noite aqui em casa. Levantei e escrevi. Não sei se ficaram bons, acho que ficaram meio bobos. Quando eu escrevi a minha última poesia eu tinha 14 anos, e com ela ganhei o festival de poesia da minha escola. Pois é, mesmo tendo muito mais incentivo do que os personagens de Saint-Exupéry (tá que a minha poesia ficou bonitinha na época, nada comparado a uma jibóia digerindo um elefante, kkk), acho que com o tempo sem praticar, acabei perdendo o jeitinho pra coisa. Também, depois de trocar uma palavra com o Bruno sobre poesia, acabei descobrindo que eu não entendo nada disso... Acho melhor eu voltar a estudar células do sistema imunológico, pelo menos parte delas eu entendo (kkk).





Enfim, ruins ou não, eu não vou queimá-los (os meus poemas de agora) como pensei em fazer logo de cara, mas também não os postarei aqui. Pelo menos não por enquanto, até ter certeza de que eles não são tão idiotas quanto eu penso.
"Maurício" é uma música linda. Eu vivo dizendo que Legião Urbana é minha trilha sonora, só que tem músicas deles que eu definitivamente não queria ter como tema. "Maurício" é uma delas, apesar de linda... Pra minha insatisfação e angústia, de alguma forma, essa música se encaixou na minha vida assim, de repente, nem sei como... Vou deixar a música aqui, caso alguém ainda não tenha ouvido. Pensando pelo lado positivo, antes ter "Maurício" na minha trilha sonora do que "Love in the Afternoon", hahaha.



Um beijo daqueles que eu sempre deixo para vocês. Virtual, mas cheio de carinho... E até o próximo post!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pedaços de Sonhos

"Quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo, você me veio como um sonho bom. E me assustei, não sou perfeito..." (Teatro dos Vampiros - Legião Urbana)

Quando eu era bem pequeno (por volta de uns 5 anos de idade), eu vivia dentro das histórias. Adorava uma boa história, principalmente aquelas que envolviam castelos, princesas, príncipes em cavalos brancos. Odiava histórias de aventura sem nexo, de violência por nada. Sim, eu era pequeno mas tinha sensibilidade para isso. Naquela é poca eu já adorava o mar, nadava como um peixe, nunca tive medo de água. Quando íamos a praia, eu queria criar barbatanas e ir embora mar adentro, como um peixe, ou uma sereia... A pequena sereia... Não, eu não queria ter longos cabelos vermelhos, eu só queria fazer parte daquele mundo que me parecia tão rico e encantador.




Aos 8 ou 9 anos, eu e minha família morávamos em um condomínio grande, com mais de 10 blocos. Ao lado do condomínio, havia uma padaria, onde havia uma programação de videokê de palco toda sexta-feira há noite. Eu sempre ia com os meus pais, adorava ver as pessoas cantarem ou pagar mico. Até que um dia eu mesmo cheguei e pedi para cantar. Cantei "Catedral" (Zélia duncan). Para vocês verem que eu já tinha bom gosto pra música àquela época. E eu tinha uma voz muito bonita, eu era afinado, levava jeito pra coisa. Ver as pessoas me aplaudindo, mas por eu ser uma criança do que por algum talento, me deixava radiante. Tanto que dalí em diante, meu plano era me tornar cantor. Se alguém chegasse para mim, àquela época, e me perguntasse o que eu gostaria de ser quando crecesse, eu respoderia "Quero ser cantor". Estava tão convicto que pedi por várias vezes para meus pais me colocarem em uma aula de canto, mas eles nunca me deram ouvidos com relação a isso. O tempo passou, minha cabeça foi mudando, minha voz foi mudando, a timidez se tornando característica marcante na minha personalidade... De modo que, se existe algum talento de fato, ele está muito bem escondido pela timidez e falta de treino... rsrsrs

Início da puberdade, questões sérias vindo a tona. Essa fase é muito complicada, envolve transformações no corpo, na cabeça... Contato com novas formas de ver o mundo, novas ideologias. Tudo que fizesse todo sentido do mundo me parecia convidativo. Foi então que um professor de História (sempre são os professores de história, rsrs), com aquele discurso eloquente que só ele tinha, fez com que eu me apaixonasse pela ideologia do Socialismo Científico. Era incrível como aqueles ideais faziam sentido pra mim. Chegou a virar uma característica minha... E com o passar do tempo, só foi piorando. A medida que o tempo passava, e eu lia mais sobre o assunto, mais eu refletia, debatia, corrigia, moldava... De modo a se tornar algo que funcionava de maneira muito lógica na minha cabeça. Eu criei o meu próprio socialismo científico, e acreditava que um dia eu poderia convencer as pessoas de que minhas ideias eram boas e eu poderia assim mudar o mundo. Pena que agente cresce, e chega uma hora em os pés alcançam o chão.

O meio da adolescência, lá pelos 15 ou 16 anos. Minha cabeça já estava pra lá de confusa. No auge da paixão pela minha ideologia, eu começava a acordar para a realidade. Não que eu tenha desistido dessas ideias, elas estão aqui até hoje, mesmo que escondidas de alguma forma. Mas eu começava a sentir a cobrança das pessoas, em todos os campos: profissional, sentimental... O que eu, de fato, queria ser quando fosse a hora de escolher? Essa era uma preocupação que me atormentava demais. Eu queria entender o Universo, queria ajudar as pessoas, queria ganhar dinheiro. Nessas idas e vindas eu acabei me encantando com a carreira oferecida pelo IME (Instituto Militar de Engenharia). Lá eu usaria uma farda bonita, faria exercícios, emagreceria, ficaria forte, estudaria coisas interessantes, ganharia dinheiro (pelo menos o suficiente para conquistar minha independência). Ignorava quando me diziam que aquela prova era realmente difíciu, que eu tinha que me preparar muito... Fui com a cara e a coragem prestar um concurso que durava 5 dias, uma verdadeira tortura psicológica. A prova era tão surreal, que eu me preocupei em olhar mais para o Pão de Açúcar (a sala em que eu prestei o concurso ficava e frente para o famoso cartão postal) do que para aquelas questões que pareciam escritas em um dialeto oriental para o meu cérebro. Resultado: Compareci apenas nos dois primeiros dias de prova, e abortei de uma vez por todas o "sonho" de me tornar engenheiro militar.



fonte: http://www.waldimir.longo.nom.br/imagens/fotos/ime_2.jpg


Esses são os meus planos impossíveis, minhas frustações mais íntimas e pessoais. Meus sonhos, que eu posso chamar de incoerentes, para não dizer absurdos em determinadas situações. Mas, como eu disse, são sonhos, e sonhos podem se dar ao luxo de serem absurdos, ou incoerentes. Vez ou outra eles voltam a ocupar meus pensamentos, seja para me divertir, ou para me trazer nostalgia, arrependimento. Apesar disso, não os esqueceria jamais. São eles os responsáveis pelo que sou hoje, ou melhor, é a não realização deles que me construiram, e eu estou satisfeito com o que sou hoje, apesar dos pesares. Se os caminhos que eu escolhi não foram os que me fariam uma pessoa mais feliz, eu nunca saberei. Só me resta reconstruir o que jamais foi ou será construido, dentro da minha cabeça. Imaginar possibilidades, e continuar sonhando sonhos impossíveis, absurdos e incoerentes, sem ter medo do futuro, porque a felicidade não depende da realização dos seus sonhos.

Não sei o que deu em mim, acho que foi uma onda de nostalgia. Vez ou outra isso acontece comigo... rsrsrs

Um beijo enorme, minha gente... Até o próximo

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Amenidades e Outras Coisas

"Estive cansado. Meu orgulho me deixou cansado. Meu egoísmo me deixou cansado. Minha vaidade me deixou cansado" (Soul Parsifal - Legião Urbana)

Olá amigos. Hoje o post não tem tema. Apenas senti falta de vocês, e resolvi escrever. Escrever amenindades, coisas do cotidiano, besteiras e etc. Nem sei se vou colorir o post, caso este texto esteja colorido, é porque no final eu me arrependi e não quis editar o texto.

Bem, o fato é que estou cansado, tanto física, como emocional ou psicologicamente. Isso chega a ser contraditório, visto que estou de férias, teoricamente sem mais nada de útil para fazer a não ser estar aqui com vocês. Só que as coisas estão acontecendo por aqui, e estão passando num rítmo que eu desconheço. São muitas emoções, acontecimentos... Preciso de um tempo para fazer a triagem e mostrar tudo para vocês, e vocês darem os seus palpites que eu tanto gosto.

Uma coisa que aconteceu foi a mudança. Acabo de me mudar, meio que repentinamente. Foi uma mudança mal planejada, rápida. Mas que foi melhor para todos, principalmente para mim. Estou de volta ao Bairro em que nasci. Não é o melhor bairro da cidade, mas muitos de meus amigos estão aqui, meu velho quarto está aqui, minha privacidade está aqui. Estou feliz e satisfeito e... cansado. Gente, fazer mudança é mega cansativo, carregar geladeira, cama, fogão, máquina de lavar, computador, televisão... Nossa, minha coluna que o diga. Gastei muito do meu suor e do meu ATP nesses ultimos dois dias de mudança e arrumação.

Tem também as questões de familia, e como eles estão lidando com o novo (ou velho mas escondido) Júlio. Agora eu sou gay, antes eles não sabiam. Estou feliz por eles saberem e me apoiarem. Mas agora o meu trabalho é redobrado. Tem muitas coisas que minha mãe e irmã não sabem ainda sobre mim, e sobre nós. Quero fazer delas pessoas melhores do que elas já são, mais tolerantes, mais visionárias. Esse é um desafio que estou disposto a levar até o limite do possível. Quanto ao Pai, e aos apêndices (vô, vó, tios, tias, primos, enfim, vocês entenderam), já está tudo resolvido. Aliás, isso é assunto para um post futuro que já está na gaveta (armário não, essa é uma palavra que eu eliminei para sempre da minha vida no dia 31/12/2010).

Falando em novos posts, tenho alguns posts novinhos quase prontos. Estou doido para postar, mas tenho que deixa-los a alturas dos meus atenciosos leitores. Breve eles estrão aqui, espero que antes do fim de janeiro. Assuntos? Um não tem nada a ver com o outro, mas eu acho que vai agradar. Na verdade, eu nem estava tão preocupado em postar antes. Esse e os próximos eu faço porque vos leio, e porque quero que me conheçam, pelo menos parte de mim, o que eu posso mostrar, o que ele (o cérebro) me deixa mostrar. Afinal, um dos melhores passa-tempos que tenho hoje é estar ao lado de todos vocês. Por isso sou mais comentarista de blog do que escritor de blog. Por isso não posto com a mesma frequencia de muitos de vocês. Aliás, a cada dia que passa, eu descubro mais blogs, e o tempo já está ficando curto para acompanhar todos com a assiduidade de antes. Isso me deixa triste, queria ter um vira-tempo igual o da Hermione só para poder ler todos os posts de todos os blogs da minha listinha aqui, agora do lado esquerdo.

Tem um outro assunto importante a ser postado aqui. Vocês já sabem qual é, porque a maldita o Gui fez questão de fofocar adiantar a vocês . Não vou falar disso agora, digo, da minha visão do que houve, do que eu senti quando houve, ainda é cedo para dizer tudo isso aqui. Preciso de um tempo para absorver o que aconteceu, falar com ele sobre isso... Mas podem ter certeza de que, na hora certa, vai ter um post aqui para ele, afinal de contas, ele é um fofo e merece, não concordam? xD

Enfim gente... Adoro vocês, sabiam? Prometo comentar mais nos próximos dias, hoje ainda talvez, quando eu acordar, lá pelas 15:30h da tarde (kkkkk).

Um beijaço... Até o próximo post

PS: Eu chamei o Gui de maldita assim riscado mas eu adoro o meu amigo, não é maldita não, é bem informado (devia mudar o nome do blog dele para Gossip Gay, mas deixa pra lá, kkkk)

PS2: Adorei conhecer o Daniel e o Rafa no encontro dos blogayros ocorrido aqui no Rio. Uma pena muitos não terem ido, espero poder conhecer mais blogayros nos próximos encontros...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Ultimo Outing do Ano


"Me fiz em mil pedaços,
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caido
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira"


(Quase sem Querer - Legião Urbana)




Nana: Júlio, preciso conversar uma coisa com você...
Eu: O que houve Nana... O que aconteceu?
Nana: Bem, eu li o seu Blog...
Eu: Ah, você leu o meu blog...

Bom gente, como eu disse no ultimo post, os ultimos dias foram bem intensos. Misturar os acontecimentos em um post só me pareceu muito confuso, até porque uma coisa não tinha nada a ver com a outra. O assunto desse post é mais sério, mais importante. Isso porque agora eu sou eu mesmo para uma das pessoas mais importantes da minha vida, a minha irmã.

Falar da Nana é complicado pra mim, ainda mais sabendo que ela lê meu blog agora. E, pra minha surpresa, ela disse que eu escrevo bem. Vocês não tem noção de como esse elogio me deixou feliz. Sim, porque, na verdade, a opinião da minha irmã sempre foi muito importante. Os elogios, sempre edificantes. As críticas, na maior parte dos casos, motivos mais do que suficientes para uma mudança total de atitude. Os conselhos, quase regras incontestáveis. Mas por quê? Talvez por ela ser minha irmã mais velha. Talvez por ela possuir argumentos tão infalíveis. Talvez por ela ser uma mulher brilhante, linda, um modelo a ser seguido.

Acho que, na verdade, eu sempre quis ser igual a Nana, em versão masculina. Ela sempre me inspirou muita confiança, muita certeza, muita segurança, muita inteligência. Ela é o tipo de pessoa que não desiste do argumento, sabe? Ela sempre tem razão, e consegue convencer a todos disso. Acho que por isso a palavra dela sempre teve muito peso sobre as minhas atitudes. Por isso sempre me preocupei muito com as opiniões dela. Na verdade, acho que eu tinha medo. Medo da rejeição dela, medo de uma bronca, de uma crítica. Medo de ela não me levar a sério. Foi por medo que tanto hesitei em dividir parte mim com ela.

Fui covarde, preferi o caminho mais longo, que na verdade era o mais curto, ou menos doloroso. Não confiei nela, não confiei no fato de ela ser ainda mais incrivel do que parece ser. E foi exatamente o que ela demonstrou quando abordou o assunto do blog comigo.

Nana: Por que você não me contou isso antes?
Eu: Sei lá Nana, acho que você já tem os seus problemas...
Nana: Problema? Desde quando isso é um problema?

O fato é, eu quase planejei o acontecido. Eu hesitei um pouco antes de criar esse blog, porque eu sabia que quando o fisesse, teria que ser eu mesmo, sem máscaras. Não que eu tenha algo contra máscaras, pelo contrário. Entendo porque muitos as usasm, entendo a necessidade disso. Mas eu não, isso não combina comigo, e eu buscava justamente o contrário. Eu queria mostrar meu rosto, meu rosto todo, e não só metade dele. Cheguei aqui e me mostrei, depois de muito pensar sobre o assunto. De jeito nenhum eu subestimei a inteligencia da minha irmã, eu já sabia que ela chegaria ao blog logo logo, e contava com isso. Queria fugir do compromisso de chegar pra ela e falar na lata: Nana, eu sou gay. E eu consegui.

Agora eu me arrependo de não ter dado esse voto de confiança a ela, ainda mais porque ela nem se mostrou decepcionada com isso. Pelo contrário, ela só virou pra mim e disse: Não se preocupa, nós estaremos com você sempre, do jeito que você é... Como é que eu esperava reação diferente dela? Ela é minha irmã, porra. Aquela que fazia chapinha no meu cabelo quando eu era EMO, aquela que me vestia de menina quando agente era criança, que fazia vídeos engraçados, que me aconselhou nas mais diversas situações, sempre na hora em que eu mais precisei, aquela que nunca discutiu comigo, que nunca foi chata comigo, a irmã que qualquer um desejaria ter.

Bem, legal é que agora as coisas estão claras aqui em casa. Eu sou gay, e isso é uma realidade para quase todos. Menos para o meu pai, mas dele, infelizmente, eu só espero a indiferença, se eu bem o conheço. A Nana era a ultima pessoa pra quem eu queria esclarecer essa história de uma vez por todas, mesmo que de maneira indireta. As únicas coisas que ela me chamou atenção foi com relação a minha exposição, mas ainda assim, não acho que estou me expondo tanto. Então, tudo segue como antes, só que de maneira mais clara.

Fico feliz de poder dividir esses momentos com vocês. Tem sido de grande ajuda. Acho que este vai ser meu ultimo post desse ano, né? rsrsr. Aliás, acho que muitos só vão comentá-lo no ano que vem. Então, no ano que vem, agente se encontra, e coloca o papo em dia xD

Um Beijo, como é habitual... Um abraço também! Só desejo muita sorte, felicidade, e coisas boas para esse ano que tá começando...

"Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
Eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você"


Até 2011

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sujeito Passional II: A primeira vez

Putz, amigos, desculpem encher o saco de vocês de novo. Eu mesmo já estou de saco cheio. Não vou culpa-los se não lerem esse post. Mas eu preciso escrever isso, preciso me libertar disso hoje, não aguento mais. Há poucos dias me aconteceu uma coisa que me ressucitou fantasmas que pra mim já tinham feito a passagem há muito tempo, mas estavam lá, só esperando o melhor momento de aparecer a acabar comigo. Hoje é o dia do exoscismo, eles vão sumir da minha vida de vez.



Meu Ídolo Freddie na cena da libertação (I want to break Free)

Bom gente, eu não vou ficar repetindo aqui as coisas do outro post. Vamos direto ao ponto específico do de hoje, sem os alongamentos de costume. Hoje eu vou falar de uma pessoa, um grande amigo, que sem saber acabou comigo por muito tempo, numa espécie de tortura. Eu já falei dele aqui no blog, o nome dele é Walmir (não vou preservar a identidade dele).

Wall foi um marco na minha vida, apareceu no momento que eu mais precisei dele, se não fosse ele, eu nem estaria aqui, escrevendo para vocês. Ele me ajudou fazendo com que eu revelasse não só para ele, mas para mim mesmo, que eu sou gay. Eu fiz o mesmo por ele. Se seríamos felizes? Nós não sabíamos, tínhmos 16 anos. Mas o fato é que não precisariamos mais carregar o peso sozinhos. E esse foi o estopim para a cascata de acontecimentos que me levaram a me tornar um sujeito bem resolvido com a minha sexualidade. Só que eu e Wall, não éramos apenas grandes amigos, ou confidentes. A sexualidade não foi a única coisa que Wall fez por mim. Ele foi o primeiro cara com quem eu fiz sexo.

Foi uma coisa quase que natural, e imagino que aconteça com muita gente. Ele era meu amigo, dormia várias vezes lá em casa. Em uma dessas vezes, nós decidimos experimentar, e acabou acontecendo. E aconteceram outras vezes (não me lembro mais quantas). No início foi estranho, nós éramos amigos, era normal rolar um sentimento estranho. Ele era muito frio e mecânico, e eu me sentia desconfortável. Tinhamos vergonha um do outro ainda. Nós não nos beijávamos, só faziamos sexo. A medida que as coisas começaram evoluir, nós ganhamos mais intimidade nesse aspecto. Até que um dia, ele decidiu me beijar, me acariciar, e fez o sexo com mais sentimento e sensiblidade. Verdade gente, até aquele momento, nossa relação não tinha mudado em nada, e o sexo que fazíamos era quase uma masturbação de tão mecanico e casual que era. Só que dessa vez foi diferente, ele me deu atenção, e eu estava muito carente. Na minha cabeça, a amizade que eu sentia por ele começou a se transformar em amor, eu eu fiquei ligado nele.

Tentei falar com ele, mais de uma vez, mas ele não me deu importancia, ele não sabia lidar com isso, e ele ainda era só o meu amigo, não sentia mais nada por mim. Foi então que eu comecei a reprimir o que eu sentia, com medo de estragar uma amizade tão importante. O tempo passou, sim, mas eu ainda pensava que era com ele que deveria ficar. Ficava indignado com a forma que ele era tratado pelos pais, queria poder fugir com ele, para morarmos juntos e enfrentarmos o mundo só nós dois. Eu acreditava que uma relação entre nós pudesse dar certo, e fui sustentando esse sentimento, no stand by, tentando esconder o fato de mim mesmo. Cheguei ao ridículo de sentir ciúme dos professores de inglês, que ele adorava dar em cima, e dos caras que ele dizia que queria pegar.

O Wall nunca foi um cara de convivencia fácil. Se você não gostasse dele de cara, você não ia gostar dele nunca mais. Ele é um tipo meio franco, que tenta ser engraçadinho. E com isso, ele acabava me dizendo coisas que eu não gostava de ouvir. Ele me colocava pra baixo, me comparava com pessoas... Isso me magoava, porque eu já gostava dele, me atingia o ego, e derrubava a minha auto-estima. Eu sei que não era intenção dele, sei que queria tirar sarro da nossa situação, mas ainda assim eu me sentia magoado. Isso foi me deixando triste, deprimido, e isso se arrastou durante um bom tempo. Até que Wall começou a me falar do Marcelo (pseudônimo), um rapaz casado (com mulher), bonito, corpo perfeito e esbelto... Ele tava apaixonado pelo Marcelo, e o Marcelo dava corda a ele (nem preciso dizer o que eles faziam, né?). Bem, eu senti um ciúme danado no início, acabei transferindo o ciúme para um comportamento mais ríspido com o Wall, que ele ignorou. O que mais me deixou triste foi o fato de Wall ter feito coisas por Marcelo que ele nunca faria por mim. O que vocês acham que eu fiz? Sentei e chorei? Não. Eu estava começando a utilizar o blog na época, e com o blog veio o amor próprio. Eu já estava cansado de ser uma figura secundária na minha própria vida. Decidi olhar pra mim mesmo e enchergar um homem bonito, sensível, e merecedor de outro homem a sua altura.

Aquelas atitudes, as comparações, as atitudes dele com o Marcelo, e o meu amor próprio fizeram com que esta coisa que eu entendia como sendo amor e sentia pelo Wall fosse se desfazendo, até ficar apenas a velha amizade que eu sentia por ele ainda na época em que "não eramos" gays, já um tanto abalada pelo fio de mágoa que eu senti (eu sou ser humano, eu me magoo sim, não tenho culpa, mas eu sempre supero isso). Os acontecimentos narrados no ultimo post foram o ponto final da história, quando eu vi que posso sentir algo diferente por uma pessoa que não era ele. Eu meio que me distanciei do Wall, quase que naturalmente, ao longo desse ano, e só agora ele percebeu e sentiu minha falta. Sentiu ciumes de vocês, dos meus amigos não virtuais, alegou a eles e a vocês esse nosso afastasmento. Fez até um poema sobre isso (ele escreve poesia quando está com os sentimentos a flor da pele, foi o primeiro poema que ele fez pra mim e me mostrou). Eu não gostei disso, me senti ofendido... É como se ele tivesse colocando a culpa de tudo nos meus outros amigos.

Ninguém tem culpa nessa estória, ou ambos temos: ele devia ter me dado mais atenção e me ajudado a eliminar esse sentimento maluco que eu criei por ele, já eu não devia ter me envolvido. Mas meus amigos não tem nada a ver com isso. Eu disse tudo isso a ele, como eu me senti durante esse tempo, e ele ficou transtornado. Acho que foi demais pra ele saber isso tudo, até meio egoísta da minha parte. Mas pra mim, somente pra mim, foi bom demais. Coloquei os pingos nos is, arrumei meu coração, e ele está limpinho e... vazio. A carencia agora vem como um leão pronta para me devorar, e eu estou pronto para procurar um amor de verdade, ou mesmo para me divertir, seja lá o que for... Acho que amadureci com tudo isso, estou ficando menos passional, sem deixar de ser sensível, porque a sensibilidade é uma virtude, e eu gosto de ser sensível.

Deixar de ser amigo dele nunca, ele é um dos amigos mais importantes dessa vida. Agora eu só quero que a nossa amizade tome o viço de antes. A carencia? Eu resolvo isso em breve, e não vai ser com o Rei, kkkk. Desisti do rapaz, nada como uns comentários coerentes e amigos para me fazerem desencanar rsrsrs. Espero que não faltem pretendentes agora, já que tem bastante espaço sobrando.

Bem gente, disculpem mais um post novela mexicana/ malhação gay. No próximo eu vou tentar colocar algo mais animado, ou mais agressivo (dessa vez é sério). Os que tiveram paciancia de ler, obrigado, cometem... hahah. Os que não tiveram, ahh, os que não leram nem isso vão ler, então deixa quieto... kkkkk

Beijos e Abraços Renovados... Até o Próximo!!!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sujeito Passional

"Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo" (Sereníssima, Legião Urbana)



Eu sou do signo de Touro. Eu não entendo muito de astrologia, mas eu sei de três coisas sobre o meu signo: primeiro, quem é de Touro nasce entre Abril e Maio (se eu não soubesse, não saberia que eu era de Touro, kkk); segundo, a pedra que simboliza o sígno é o quartzo rosa (adoooro, cintilante até a morte, kkkk); e terceiro, os indivíduos de Touro são conhecidos por serem extremamente passionais. Todos sabem aquí que eu sou ateu assumido (o que mais na vida eu tenho que assumir?? kkk), não sou tão cético quanto a maioria dos ateus, mas é natural que eu seja um tantinho cético sim: não acredito em astrologia, mas gosto de reparar nas coincidencias com a vida real.

O objetivo desse blablabla todo é me justificar, com base na astrologia: Sou um cara muito passional. Eu já disse aquí, meu ego é meu ponto fraco. Quer destruir meu dia? Fale mal de mim na minha cara, ou pior, me faça elogios, faça com que eu me envolva totalmente, e depois me largue sem dar explicações. Pois é gente, acho que não escolhemos esse caminho (daí apelei para o meu signo). Não acho que isso seja uma vantagem, pelo contrário, acho isso uma merda. O meu último pseudorrelacionamento me deixou balançado por quase 1 ano, ele mexeu comigo usando o meu ego, e eu me apeguei muito a ele, depois ele sumiu e não deu mais notícias, fiquei mal no início, depois minha auto-estima foi meio que derrubada, e só há pouco tempo comecei a me olhar com mais entusiasmo (excluí o puto rapaz do msn, orkut, ou seja mais lá que outra rede social), sentia profunda raiva quando um amigo ou outro perguntava "E o Fulano? Não deu mais as caras?"

Eu me entrego muito facilmente, mergulho fundo, me apego mesmo. E as pessoas percebem isso fácil, apesar de eu ser muito reservado pessoalmente, e acabam me magoando fácil também. Outro ponto fraco meu é o sexo, eu não consigo separar as coisas, sabe? Se eu estou disposto a fazer sexo com um homem, é porque ele já me conquistou um pouquinho, e acaba me fazendo ficar ainda mais de quatro (as vezes literalmente, kkkk) quando o sexo é bom. Por esse motivo principalmente, além de outros, eu não faço sexo com qualquer um... Só com aqueles por quem eu to muito interessado, ou seja, que me levam na conversa.

Bom gente, eu sei que estou enchendo o saco de vocês com esse papinho de bicha malcomida gay carente, mas eu preciso desabafar, entendem?? Vamos lá então: há umas três semanas bateu aquela carencia sazonal (eu tenho carencia sazonal), e então, eu decidi entrar no bate-papo (tá, em 90% dos casos eu não conheço ninguém interessante nesses bate-papos, mas eu me divirto muito com as figuras que circulam por lá). Entre uma conversa e outra, eu conheci um rapaz, o Rei (vou chama-lo por um pseudônimo, para preservar sua identidade). Cara fofinho, do jeitinho que eu gosto, lindinho, gordinho, inteligente, culto, mora "perto", e faz faculdade (futuro promissor). Gostei dele, pensei várias vezes que ele fosse um fake (ele era muito dentro dos meus "padrões" de qualidade), mas não deixei de me comunicar com ele, adicionei no msn, no orkut... Até que surgiu a proposta: "Eu moro sozinho, vem aqui na minha casa pra que agente possa se conhecer pessoalmente". É claro, o Rei nem tinha segundas intenções, né? hehe. Mas eu fiquei empolgado e excitado com a proposta, que acabei aceitando. Claro, eu não sou burro, passaram muitas coisas pela minha cabeça (será que ele é um maníaco? será que ele vai me dar bolo? será que ele não é o cara da foto?), cheguei a hesitar, mas a minha excitação e curiosidade eram tamanhas que eu acabei indo ao encontro do bofe, na casa dele.

Aí é que coisa complica. Lá fui eu, mal trocamos uma ideia e ele já tinha pulado no meu espcoço e começado a me beijar. Só o fato de ele querer me beijar já foi suficiente para eu começar a me derreter, a me envolver (ai, como eu sou burro). Não demorou muito e comecaram as carícias mais ousadas, e pouco a pouco nós fomos nos conhecendo, detalhe por detalhe, e eu cada vez mais fascinado com o corpo, com as palavras, com as atitudes. Foi lindo, só o que eu digo, foi lindo, excitante, marcou na memória. E ele sempre massageando meu ego, como se já soubesse. Tudo bem, a hora correu e eu precisava voltar pra casa antes que minha mãe começasse a me ligar, marcamos de nos encontrarmos no dia seguinte (ontem), na Outside Party, uma festa LGBT que ocorre no Circo Voador (Lapa - RJ).


 
Tudo bem, fui pra casa, feliz da vida, cheio de esperança: "Alguém gosta de mim", "Alguém sente tesão por mim", "Eu quero ele, eu quero esse garoto". Já estava quase ouvindo os passarinhos cantando. Mas enfim, o dia da festa chegou, e eu na pilha para ver o gatinho de novo. Liguei pra ele, e ele nada. Quando já era quase a hora de me arrumar, ele me liga, avisando que não ia mais, porque estava muito cansado, mas que era pra eu ir, e aproveitar a festa por ele. Eu: "Poxa, que pena... Eu não vou deixar mesmo de ir na Outside por causa dele, mas queria muito que ele fosse". Tá, eu fui, e foi muito bom, nos divertimos muito, eu e o Gui, que me acompanhou a apavorou (isso você perguntam pra ele, kkkk). Voltei pra casa depois da longa e divertida noite, fui dormir e acordei já indo direto pro PC para ver se encontrava o Rei on-line. Ele estava lá, e fomos conversando, até que eu o chamei para ir ao cinema:

Rei: "Não posso, lindo. Volto para minha cidade natal para omemorar as festas ainda essa semana"
Eu: "Então eu só vou te ver de novo depois do ano novo?"
Rei: "Na verdade, nós não nos veremos por um bom tempo. Depois das festas eu viajo, vou passar as férias fora do estado e só volto no início de março"

Eu?? Fiquei destruido. Como eu sempre tenho uma visão pessimista das coisas, eu já imaginei que ele tava me dando um perdido. E estou com esse pensamento constante. Mesmo que não seja, será que ele vai ficar até março sem conhecer ninguém interessante? Será que eu vou consiguir esquecer ele até que ele volte em março? E se eu gostar de outra cara nesse meio tempo, será que ele vai mecher comigo quando voltar? Eu queria muito que o cara fosse ele, mas tenho medo de sofrer ainda mais. Nós seremos amigos, pelo menos amigos de internet, mas eu vou pensar nele por um bom tempo, afinal de contas, não é todo dia que agente acha exatamente aquilo que agente procura. Tenho esperanças? Ela é a ultima que morre, e eu ainda quero tentar algo mais sólido com o Rei. Mas eu não vou ficar três meses suspirando por ele, vou tentar abstrair, conhecer gente nova, e tentar esquecar daquela tarde inesquecível de quinta feira (9/12).

Eu sou burro, vocês podem até pensar. Mas não fui eu que escolhi ser assim. Eu sou e pronto, daria tudo para não ser tão passional, amar fácil e sofrer mais fácil ainda. Só espero poder superar essa fossa logo, seja lá de que jeito.

"And I guess that's why they call it the blues
Time on my hands could be time spent with you
Laughing like children, living like lovers
Rolling like thunder under the covers
And I guess that's why they call it the blues"
(I guess that's why they call it the blues - Elton John)

Desculpem por encher mais ainda o saco de vocês com isso. Prometo fazer posts mais animados daqui pra frente
Abraços e e beijos apaixonados a todos... Até o próximo post!