"Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu
Até pensei que era mais
Por não saber que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Pra algum país distante
Voltar a ser feliz
Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo o que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se o meu desejo então já se realizou
O que fazer depois, pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim..."
(Maurício – Legião Urbana)
Sinto falta de alguém. De alguém que me dê atenção. De alguém que me diga o que eu mereço ouvir. Que me diga o que eu quero ouvir, mesmo que não seja verdade. Que me coloque pra cima (em todos os sentidos), que me dê força e coragem pra continuar essa rotina cansativa. Que me dê um sentido na vida. Que me dê filhos, mesmo que estes não sejam nossos. Que faça planos comigo. Que me faça sofrer de saudades, de ciúmes...
Tenho medo. Morro de medo de essa pessoa não existir. E olha que eu não exijo perfeição. Acho que não estou em condições de exigir nada. Eu só queria alguém que me chamasse de "meu", é exigir muito? Mas eu tenho esperança... Acho que é ela que me dá esse impulso para continuar sonhando com ele, mesmo sem saber se ele realmente existe, ou se ele é criação da minha cabeça.
Minha esperança ainda vai mais longe, me fazendo acreditar que ele pode estar aqui, pertinho... Talvez não tão perto agora, mas também não tão longe. Algo verdadeiro, tocável, com cheiro, cor. E ele é tão perfeito, mesmo eu não exigindo perfeição. Seria audácia minha querê-lo? Será que eu devo, que eu posso? Será que ele é assim tão perfeito, ou é apenas algo que eu criei na minha cabeça? Isso já não importa... O que me intriga é não ter certeza de que ele é mesmo ele... E isso não se descobre com pressa, se descobre com paciência, tempo...
Não vivem dizendo por aí que o amor é uma ilusão? Pois então, tudo que eu queria agora era vivê-la. Como quem come um mousse de maracujá: aquela brevidade doce, que nos tira desse plano por alguns segundos, segundos tão maravilhosos que ficam guardados na nossa cabeça. E eu sou guloso, quero me deleitar. Multiplicar os segundos em horas, dias e meses (quiçá anos...). Comer todos os mousses de maracujá que eu tenho direito, sem me preocupar com as conseqüências.
Mas eu tenho pressa, e dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Eu não quero perfeição, quero realidade. Acho que a pressa é inimiga dos acontecimentos. Então vou ter que dar um freio nessa danada. Pra que se importar com a espera, se dela podem brotar os frutos que eu tanto desejo, com sabor de mousse de maracujá?
"Seja paciente, Júlio... Você nem chegou aos 20 e já tá desse jeito, moleque? Toma vergonha na cara e vá estudar, vá cuidar de sua vida... Porque amor não enche barriga não, ainda mais amor platônico." (Palavras de Dona Consciência, já to de saco cheio dessa gorda chata). Infelizmente (ou felizmente) eu tenho consciência que o amor, por mais que seja muito, não alimenta, nem tira fome, nem dá dor de barriga, como faz o meu mousse preferido...
Uma noite dessas eu escrevi dois poemas. Um bando de pensamentos povoava a minha mente e não me deixava dormir, além do calor que faz há noite aqui em casa. Levantei e escrevi. Não sei se ficaram bons, acho que ficaram meio bobos. Quando eu escrevi a minha última poesia eu tinha 14 anos, e com ela ganhei o festival de poesia da minha escola. Pois é, mesmo tendo muito mais incentivo do que os personagens de Saint-Exupéry (tá que a minha poesia ficou bonitinha na época, nada comparado a uma jibóia digerindo um elefante, kkk), acho que com o tempo sem praticar, acabei perdendo o jeitinho pra coisa. Também, depois de trocar uma palavra com o Bruno sobre poesia, acabei descobrindo que eu não entendo nada disso... Acho melhor eu voltar a estudar células do sistema imunológico, pelo menos parte delas eu entendo (kkk).
Enfim, ruins ou não, eu não vou queimá-los (os meus poemas de agora) como pensei em fazer logo de cara, mas também não os postarei aqui. Pelo menos não por enquanto, até ter certeza de que eles não são tão idiotas quanto eu penso.
"Maurício" é uma música linda. Eu vivo dizendo que Legião Urbana é minha trilha sonora, só que tem músicas deles que eu definitivamente não queria ter como tema. "Maurício" é uma delas, apesar de linda... Pra minha insatisfação e angústia, de alguma forma, essa música se encaixou na minha vida assim, de repente, nem sei como... Vou deixar a música aqui, caso alguém ainda não tenha ouvido. Pensando pelo lado positivo, antes ter "Maurício" na minha trilha sonora do que "Love in the Afternoon", hahaha.
Um beijo daqueles que eu sempre deixo para vocês. Virtual, mas cheio de carinho... E até o próximo post!

