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domingo, 10 de junho de 2012

Dos Arrependimentos

"Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié,
Je me fous du passé!"

(Non, Je Ne Regrette Rien - Édith Piaf)




Relutei muito até escrever de novo sobre esta pessoa. Aliás, de um ano pra cá, mais ou menos, confesso que tenho evitado pensar sobre os momentos bons e ruins que vivi com ele e por causa dele. Talvez fosse o arrependimento, talvez fosse a mágoa. No fim das contas, uma mistura das duas coisas, mas com certeza com muito mais arrependimento do que mágoa. Com o passar do tempo, tal qual uma mistura azeotrópica, mágoa e arrependimento se dispersaram na atmosfera, porém a mágoa, muito mais volátil, já quase não existe mais. No fundo do copo, resta o arrependimento, líquido viscoso, incômodo, malcheiroso... Custa a evaporar, e incomoda bastante.

Paramos de nos falar há quase 1 ano. Desde então, nem mais uma palavra, ao menos não pessoalmente. Há cerca de metade deste tempo eu tenho voltado a pensar nele, que foi companhia fiel durante a melhor e pior fase da minha vida. Esse feriado fumei um cigarro de cravo, fui ao terraço daquela boate onde sempre íamos e nos divertíamos tanto. Impressionante como tais fatos que me fizeram pensar ainda mais nele, e de como ele me faz tanta falta. Me dei ao luxo de pensar, ainda, se valera a pena levar a situação até ponto em que chegou. Hoje vejo que foi uma grande burrice.

Não, não gostei nem um pouco daquela situação no mínimo chata que passamos naquela casa noturna. Não aprovei suas atitudes, não achei certo. Mas daí a levar essa situação até o fim da nossa amizade, eis aí um dos pontos centrais do meu arrependimento. Falar no fim de uma amizade pode ser chocante para muita gente, pelo menos para os mais iludidos que acreditam fielmente no poder incorruptível da amizade. Pra mim, o que houve foi exatamente isso, visto que não consigo imaginar meios de as coisas voltarem a ser do jeito que eram há 1 ano e pouco atrás.

Me arrependo ainda de não ter tido pulso firme. Mesmo que a pessoa (a que 'intermediou' isso tudo) valesse tão a pena assim (de fato, não valia), era meu dever não ter sido complacente, ao menos em nome da nossa já extinta amizade. Eis aqui a nobreza do arrependimento, sentimento tão injustiçado, tão mal visto, negado e evitado, significa apenas a grandeza de admitirmos nossos próprios erros. Hei de me engrandecer às custas dos meus arrependimentos, já cresci inclusive. O preço é que não foi tão doce, e me faz falta hoje.

Já me torturei, já me lamentei, principalmente quando vi que lutei em vão e que sacrifiquei um bem precioso em nome de uma mentira. Mas o que me importa a essa altura, o que o importa também? Não dá para voltar a fita, e nada nesse momento pode regenerar o que foi perdido no passado, não nessa situação em especial. Só o que me resta agora é o arrependimento. Hei de conviver com este odor fétido, esperar que a fadiga olfativa o faça tão familiar a ponto de nem o perceber mais...


"Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n'ai plus besoin d'eux!"

(Non, Je Ne Regrette RienÉdith Piaf)


Um grande abraço a todos... Boa Parada para os Paulistanos! Até o próximo...

domingo, 3 de junho de 2012

Caras mais velhos sabem o que fazem...

"Vai, pode falar, pode escrever 
Eu vou me entregar 
No meu lugar, quem não faria? 
Diz que é loucura, diz que é besteira
Mas eu não vou ligar 
Não tente entender 
E o tempo dirá 
A sina é sonhar 
Que eu pago pra ver 
Qual meu lugar 
Que a vida é um dia 
Um dia sem culpa 
Um dia que passa aonde a gente está"
(O que se quer - Marisa Monte)



Ah, e como eles sabem. E eu sou só um garoto. Eles sabem muito bem como agradar um garoto. Depois de tanto tempo, depois de uma decepção, depois de me planejar tanto para não sofrer mais de novo, eis que surge ele na minha vida. Na verdade, ele sempre esteve por perto e eu talvez nunca tenha dado a atenção merecida.

Conheci o Alex há pouco mais de um ano, antes mesmo de conhecer o meu primeiro namorado. Só o conhecia pela internet, porém conversávamos bastante. De cara, gostamos um do outro. Confesso que o fato de ele ser 15 anos mais velho me deixava ainda mais curioso e interessado. Marcamos diversos encontros que não deram em nada. No final, eu sempre hesitava a encontrá-lo, não sei se por medo ou por incerteza mesmo se realmente queria avançar com ele. Até que certo dia eu desmarquei um encontro com ele para conhecer meu ex-namorado, e acabou dando no que vocês já devem ter deduzido.

Óbvio que o Alex ficou puto chateado comigo naquela época, confessou-me recentemente. Me disse que se sentiu trocado. Mas em pouco tempo voltamos a nos falar, como amigos, e ele sempre esteve por perto desde então. Próximo ao término de meu namoro, ele se aproximou bastante, como se sentisse o quanto eu estava precisando de alguém que me ouvisse naquele momento. Teria sido a entrada estratégica? Porque depois disso, quase um ano depois de termos nos conhecido, eu me lembrei o quanto o achava interessante e o quanto o fato de ele ser 15 anos mais velho me deixava ainda mais excitado ansioso por conhecê-lo...

Depois do término do meu namoro, voltamos a demonstrar mais interesse um pelo outro do que simplesmente uma amizade. Outras várias marcações de encontro que não deram em nada nos levaram até a última quarta-feira, dia 30 de maio de 2012. Nos encontramos lá, naquela praça cheia de significado... Confesso que ele me pareceu ainda mais atraente pessoalmente. Confesso que me deixei levar pelas suas atitudes, pelas palavras que ele sabia que eu queria ouvir. Confesso que cedi ao seu convite de um contato mais, digamos, íntimo... Lá mesmo, próximo àquela praça...

Os passos já eram contados, e a turbulência daquele elevador antigo já passava despercebida perto do atmosfera de curiosidade e desejo que nos envolvia. E foi ali, naquele quarto de motel próximo a Cinelândia, que Alex me provou o que eu já desconfiava: caras mais velhos sabem o que fazem... Sabem exatamente como encantar um rapaz de vinte e poucos anos. Tudo nele me parecia ainda mais atraente entre aquelas 4 paredes fartas de presenciarem as mais diversas histórias de amor e erotismo.

Amor e erotismo. Queria eu ter a certeza e a coragem tão veladas, como as expressas nas de Marisa Monte, de admitir que era exatamente isso que eu estava sentindo. Garotos têm duvida. Garotos não sabem o que querem. Garotos tem medo de cair da bicicleta, por mais que tenha alguém os dando o apoio e a certeza de que eles não vão cair de novo. Alex é um homem incrível, lindo, simpático, inteligente, seguro de si... Ele é tudo que eu queria e precisava encontrar em um cara. Também sinto que as intenções dele são as melhores, de modo que nunca antes alguém tivera tais intenções em relação a mim. Porque então eu ainda tenho dúvida?

Há quem diga que a vida é uma só, e ela passa rápido... Devemos vive-la intensamente. Mas é tão difícil voltar a subir na bicicleta depois do primeiro tombo... Mais difícil ainda é tomar uma decisão sem ter certeza do que realmente quer, sem ter certeza se suas vontades futuras podem acabar magoando alguém. O que eu sinto pelo Alex é tão especial que jamais teria coragem de magoá-lo por qualquer motivo que seja. No entanto, minha única certeza é que, nesse momento, só o que eu quero é voltar a ouvir sua voz e sentir o calor do seu abraço... Me resta torcer para que ele, além de saber o que fazer para me conquistar, também saiba que garotos como eu nunca têm certeza do que querem, pelo menos por hora...
"Mas se eu tenho tanto a  perder 
Eu perco é o medo  
Do que a sorte lê 
Sabe quem quer 
Sabe quem tem 
O que se quer"
(O que se quer - Marisa Monte)




É isso por hoje, meus lindos... Até o próximo! 

domingo, 20 de maio de 2012

Identidade Ursina



"I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
Of nothing in particular

You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way ?
I am human and i need to be loved
Just like everybody else does"

(How Soon is Now - The Smiths)





Todos aqui sabem (ou pelo menos a maioria) o quanto eu sempre fui complexado com meu peso e com minha aparência. Todos aqui, e apenas aqui... Essa não era o tipo de coisa que eu costumava expressar para quem quisesse ouvir. Mas sim, sempre tive problema em me aceitar como indivíduo obeso com sobrepeso. Mas isso mudou muito desde a minha ultima postagem sobre o tema aqui.

Tempos depois eu descobri que isso só acontecia porque existe uma espécie de regra em nosso meio: se você quer mesmo se sentir desejado por alguém, ou tenha um corpo perfeito e sarado ou frequente o lugar destinado ao seu biotipo, afinal de contas, tem maluco que gosta de tudo, até de gordo. Pois é gente, essa é a verdade: entre os homossexuais, não existe coisa pior do que ser gordo, pelo menos entre os homossexuais da cidade "maravilhosa".

Motivado por essa pressão de interesse e aparências, e também por um pouco de interesse pessoal, eu decidi começar a frequentar a Sociedade Ursina Ckarioca (SUCk, hahahaha, brincadeirinha). De fato, quando eu descobri que havia um lugar onde eu poderia conhecer caras lindos, volumosos, com barba, com jeito másculo, e ainda poder ser desejado por eles, o que pensei foi: ótimo, é pra lá que eu vou. Doce ilusão... Por vários motivos.

Sempre senti uma forte atração por caras com sobrepeso, os barbudos também sempre tiveram minha preferência. Confesso que, por questões adaptativas, meu interesse por caras gordinhos aumentou muito com o tempo. Vamos combinar, desejo não é só aparência física, e além de serem lindos, eu via nesses caras a única possibilidade de ter carinho ou de me sentir desejado. 

Pois é, não sei como é em outros lugares, mas aqui no rio o cara pode ser o cão chupando manga, mas se ele for sarado, bronzeado, e tiver uma tatuagem, todas as atenções se voltam para ele. O Contrário vale para os gordinhos, se o cara for lindo de morrer, simpático, inteligente, beijar bem (...), mas tiver aqueles quilinhos a mais, pode ter certeza, vai passar por um lugar como um fantasma, não será nem percebido, ou pelo menos será a segunda ou terceira (ou quarta, ou quinta...) opção para qualquer pessoa que seja um pouco menos "cheiinha" que ele. Pois bem, em tese, isso não ocorreria em locais ursinos. Docíssima ilusão...

Conheci meu ex-namorado em um grupo de facebook ursino da vida. Foi nesse momento que comecei a frequentar a tal da Carioca Bear Society. E, de cara, muitos mitos caíram por terra. A começar pela própria impressão pessoal do que é ser realmente um urso. Quando falamos em Urso, o que nos vem a cabeça? Caras grandes, com excesso de gostosura, peludões, com barba, jeitão nem um pouco afeminado... Pois é, até hoje pouquíssimos dos ursos que eu conheci obedeceram essa descrição. Meu próprio ex-namorado estava muito longe disso, só o que tinha de urso era o fato de ser muito gordo gordinho mesmo. Na verdade, o fato de eles não serem "pouco afeminados" ou de gostarem de se depilar não me importava nem um pouco, esse tipo de coisa é tão superficial para definir o gosto pessoal ou o objeto de desejo de uma pessoa. E no mais, eu acho muito charmoso quando o cara tem aquele "jeitinho", sabem?

Outro mito que foi quebrado, e esse sim me importa muito, foi o seguinte: urso vai em festa de urso porque gosta de ficar/sente desejo por outros ursos. Isso é a mentira mais deslavada que eu já ouvi sobre o meio ursino, pelo menos para os ursos daqui do Rio. A verdade ursina por aqui é a seguinte: Quem gosta mesmo de urso é chaser (ou seja, 2% da população da Carioca Bear Society), urso só fica com outro urso por Falta de Opção! É triste, mas é a verdade... Não vou dizer que não existem exceções, eu mesmo acho que não me enquadro muito bem nisso, mas posso dizer com certeza que a grande maioria dos ursos cariocas se encaixa nessa regra.

No final das contas, eu mesmo acabei entrando numa reflexão perigosa: será que todos os caras do meio ursino com quem já fiquei (inclusive meu ex-namorado) só ficaram comigo por falta de opção? A conclusão foi a seguinte: Foda-se, e daí? Se eu ficar me preocupando com isso, não vou pegar ninguém, ? E depois, pelo menos nas baladas ursinas as pessoas me olham, e com algum desejo. Eu não sou mais um fantasma. Isso já foi o suficiente para eu retirar o estigma do ninguém-me-quer e ligar o botão do I'm-Sexy-and-I-Know-It... Enfim, só precisava que alguém chegasse pra mim e falasse: "cara, você é lindo!" para eu poder chegar, me olhar no espelho e dizer: "Realmente, eu sou LINDO". Felizmente, essas pessoas já apareceram! rs


"There's a club, if you'd like to go
You could meet somebody who really loves you
So you go, and you stand on your own
And you leave on your own
And you go home, and you cry
And you want to die


When you say it's gonna happen "now"
Well, when exactly do you mean ?
See, i've already waited too long
And all my hope is gone"

(How Soon is Now - The Smiths)





É isso aí, meus amores!
Um abraço de Urso! E um beijo também, só para não perder o costume! ;)

Até o próximo!


sábado, 12 de maio de 2012

Dado Viciado



"Você não tem heroína, então usa Algafan
Viciou os seus primos, talvez sua irmã
Mas aqui não tem Village, rua 42
Me diz pra onde é que é que você vai depois
Por que você deixou suas veias fecharem?
Não tem mais lugar pras agulhas entrarem
Você não conversa, não quer mais falar
Só tem as agulhas pra lhe ajudar"
(Dado Viciado - Legião Urbana)


Hoje me deu uma vontade danada de escrever sobre uma pessoa... Talvez uma das pessoas mais especiais que já passaram pela minha vida. Hoje vou falar do meu melhor amigo... o Wall! Já falei do Wall antes aqui... Já cansei de dizer o quanto ele é especial para mim, já falei de decepções que tive com ele, de frustrações, de diversas situações que experimentamos juntos... Mas ainda assim, vocês não têm nem ideia do quanto esse cara significa pra mim.

Na véspera do ultimo feriado, no final da tarde, Wall esteve aqui em casa. Passamos a noite colocando o papo em dia, ouvindo "The Smiths", "Bauhaus" e Joni Mitchel, falando besteiras e fazendo nossas conjecturas impossíveis. É bom saber que Wal hoje está seguindo um caminho regular, que não tem mais motivos para entrar em depressão, ou para se achar improdutivo. Sim, Wal sempre foi um cara depressivo, e eu sempre quis ajuda-lo, mas muitas vezes não sabia como. As vezes eu tinha a sensação de que apenas eu enxergava o quanto Wall era genial, e isso me dava uma aflição... De qualquer forma, eu sempre procurei estar por perto quando ele precisasse de mim, e ele, sem dúvida, foi o único amigo que também sempre esteve do meu lado, por mais que muitas vezes estivesse distante.

Exatamente por esses motivos eu sempre me preocupei muito com o Wal. Ele é o tipo de amigo que não se pode nem pensar em perder. Acho que uma das fases mais tensas foi há pouco mais de 2 anos. Na época, Wall começou a trabalhar como frentista em posto de gasolina onde seu pai era gerente. Ele trabalhava no turno da madrugada, e como o bairro dele fica em uma região isolada da cidade, aquele era o único posto de gasolina que funcionava até este horário naquela região. Na época tínhamos 18 ou 19 anos e um monte de ideias doidas na cabeça... Uma delas era a de experimentar algumas drogas ilícitas, como maconha, LSD, Ecstasy e Cocaína, só para ver como é que era... Coisa de adolescente mesmo, que quer experimentar de tudo que a vida tem a oferecer

Certa vez, durante seu expediente no posto, Wall estava atendendo 3 caras. Eles estavam bebendo cerveja. Em determinado momento, um dos três pegou alguma coisa no bolso e o grupo se reuniu mais, na tentativa de esconde-la. Quando reparou que havia algo errado, Wall ficou tenso. Um dos rapazes percebeu sua reação e, com medo de que Wall tomasse alguma atitude contra eles, ofereceu um pouco do conteúdo que havia no recipiente que retirara  de seu bolso: cocaína. A julgar pelas ideias que tínhamos naquela época, nem preciso dizer se meu amigo aceitou ou não a oferta, não é?

Eu fui o primeiro a saber. Wall fez questão de ligar pra mim no dia seguinte para se gabar da aventura. Confesso que senti uma pontinha de inveja, afinal de contas ele estava na "vantagem" sobre mim. De qualquer jeito, eu "sabia" dos perigos que uso imaturo e descontrolado destas substâncias poderia trazer, e isso me deixou tenso. Conhecendo a personalidade depressiva de Wall, sabia o uso de cocaína poderia se tornar muito conveniente, e que a propensão ao vício seria maior nesse caso. No entanto eu não o repreendi, só o alertei para que não fizesse mais... Ele já tinha provado, era isso que ele queria, já estava de bom tamanho, né?

Mas não foi bem isso que aconteceu... Wall não era muito de ouvir conselhos. Ao contrário do que eu tinha sugerido, Wall criou uma espécie de rotina para usar a droga. Os mesmos caras do primeiro dia traziam a droga para ele quase que diariamente, e quando pararam de trazer, ele passou a procurar outros meios de obter a cocaína. Em menos de um mês ele já estava fissurado, e já estava usando outras drogas, como maconha. Foi aí que eu comecei a ficar seriamente preocupado... Já cheguei a presenciar algumas vezes ele usando cocaína. Aquilo nunca me chocou, mas não podia deixar de ficar preocupado. Na época (eu sei que nem faz tanto tempo) eu tinha um pensamento totalmente diferente do que eu tenho hoje sobre drogas ilícitas, e eu tinha medo de verdade de que algo muito sério acontecesse com meu melhor amigo...

Talvez tenha sido o próprio Wall que tenha feito eu mudar meu pensamento em relação ao uso de drogas ilícitas. É um assunto muito complicado e polêmico para eu discutir aqui nesse post, que por sinal já está bastante extenso. A grosso modo, podemos dizer que a mídia dá uma boa exagerada, por motivos extremamente complexos além de apenas a preocupação com a saúde dos usuários. A questão é que o fato de meu amigo fazer uso de drogas não o impediu de ser uma pessoa brilhante e bem sucedida. Essa era a minha maior preocupação, depois é claro da de perder o Wall para sempre, literalmente. Ele aprendeu a controlar o consumo e hoje convive bem com isso. Está lá, estudando, fumando os seus baseados de vez em quando, dando suas aulas de inglês, se mostrando até mesmo mais brilhante do que eu poderia imaginar.

É incrível como certas pessoas tem o poder de entrar na nossa vida e nos fazer aprender muito sobre muitas coisas. Não sei mais se devo chamar o Wall de amigo. Ele é muito mais que isso. É o irmão que eu escolhi. Minha convivência com Wall me ensinou tanta coisa... Ele sempre significou muito pra mim, por isso tive tanto medo de que algo de ruim acontecesse a ele. No final das contas, ainda pude tirar algo positivo de uma situação que tinha tudo para dar errado. Na verdade, hoje até rimos do que aconteceu naquela época! E que bom que rimos, e podemos ouvir nossa música boa em paz nos feriados, ele pode corrigir meu inglês tosco... De uma coisa eu tenho certeza, não é qualquer narcótico que seria capaz de levar embora o meu melhor amigo... Eu não deixaria, mesmo que o caminho não tivesse sido esse!

"And I'll be there
You've got a friend.
If the sky above you grows dark and full of clouds,
And that old north wind begins to blow,
Keep your head toget-her and call my name out loud.
Soon you'll hear me knockin' at your door.
You just call out my name, and you know wherever I am,
I'll come running to see you again.
Winter, spring, summer, or fall, all you have to do is call"
(You've Got a Friend - Carole King)




Então, gente... Era Isso!
Um grande Beijo a todos vocês!
Até o próximo...


EDIT: Pra quem estiver curioso, agora já é possível acessar o blog do Wall, hauahau. Ei-lo aqui: http://domoestrelado.blogspot.com.br/

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Não seja promíscuo, Gay...

"Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive and the world is turning inside out Yeah!
I'm floating around in ecstasy
So don't stop me now don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time"

(Don't Stop me Now - Queen)

Vamos dar uma pausa nos posts subjetivos e dar lugar a uma coisa mais direta: a argumentação. Pois então, o que motiva esse meu desejo de argumentar foi apenas um comentário, que para a maioria das pessoas pode ter passado desapercebido, mas me chamou muita atenção. Meu amigo Raphael Martins (vulgo Enrustido) foi entrevistado em um blog super legal de conteúdo adulto, e me passou a entrevista para eu ler. O texto dizia muito da personalidade do Raphinha, que ele é um cara muito legal, antenado, careta (haha), e que é apaixonado pelo Juan. O que me incomodou mesmo foi um comentário que ele fez no final da postagem, falando para nos valorizarmos enquanto gays e evitarmos a "promiscuidade". Eis aqui o comentário transcrito:

"Se valorizem. Evitem a promiscuidade. Quem sabe daqui a algum tempo podemos mudar a imagem ruim que a sociedade tem em relação aos gays."

De cara, eu li esse comentário e já ia passar desapercebido por mim também. Mas daí eu voltei, pensei... Tem algo que me incomoda nesse comentário aí...

Não sei, me passou a impressão de que todo gay é promíscuo. Tá, não sejamos hipócritas. Existe sim muita promiscuidade entre os homossexuais. Talvez até possamos associar essa característica aos homossexuais. Mas, não sei... Passou também a impressão de que isso é uma característica exclusiva dos homossexuais, e que esta característica exclusiva era a origem de todos os males que sofremos, ou no mínimo de uma imagem feia que criaram da gente

Pra começar, promiscuidade não é uma característica restrita aos homossexuais. Tanto que existe antes mesmo de a ideia de homossexual existir. Ah, vamos, promiscuidade por promiscuidade, existem muitos outros grupos que estão muito mais associados ao termo do que nós, gays. Um exemplo disso são os padres pedófilos, maridos e esposas adúlteros, prostitutas e profissionais do sexo, enfim. Não sei exatamente quando nem como a promiscuidade foi associada aos homossexuais. Talvez o que nos diferencia em relação a outros grupos é o fato de alguns de nós assumirmos a promiscuidade como algo normal, ou cotidiano.

E de fato, o que tem de errado nisso? Devemos mesmo nos preocupar tantos com estes princípios morais? Se encanássemos com princípios morais, entraríamos num caminho sem volta em direção a negação do nosso próprio desejo. Que desejo? O mais óbvio, sentir atração por pessoas do mesmo sexo. Afinal de contas, isso também não é assim tão bem visto pela sociedade de maneira geral, não é? Isso faz com que, por menos promíscua que a pessoa (gay) seja, de uma forma ou de outra, ela acaba quebrando esse paradigma social que vivemos devido aos tais "princípios morais" simplesmente por ser gay. Claro que não estou falando que, se você é gay, necessariamente tem que ser promíscuo. Mas daí a condenar a promiscuidade (e simplesmente ela) como a causa dessa imagem tosca que temos perante a sociedade cristã ocidental já é demais, né? Por que não ser indiferente, não é verdade? E depois, tanto eu quanto vocês sabemos que o buraco é muito mais embaixo...




Como eu já questionei, será mesmo que somos tão oprimidos assim simplesmente por sermos seres promíscuos e assumirmos isso? Ou será que o simples fato de nossa própria origem ferir os princípios ideais da sociedade já basta? Basta, claro que basta. É só pensar em quantos homossexuais nunca tiveram a chance de terem contato sexual com nenhum ser humano e mesmo assim são mal vistos pela sociedade... O simples fato de você gostar de homens já é motivo para ser alguém à margem. E não, a promiscuidade não interfere nisso. Mas essa situação nos permite algo extraordinário: abrir a mente. Nos dá a chance de pensar que, conhecer outras pessoas, pessoas diferentes, ao mesmo tempo e em tempos diferentes, pode deixar de ser um ato condenável para se tornar um ganho de experiência. Ser promíscuo não é condenável, é apenas um desejo, que diz respeito única e exclusivamente a cada um de nós, de conhecermos outras pessoas e compartilharmos uma coisa maravilhosa com elas: o prazer

Mas isso seria banalizar o sexo, não é verdade? Sim, seria. E o que há de errado em banalizar o sexo? O sexo pode sim ser uma situação de comunhão entre duas pessoas que se amam, mas também pode ser simplesmente uma forma de relaxar e ter prazer. Quem decide isso é a pessoa que faz, e ninguém tem direito de julga-la por causa disso. Há quem diga que é um problema de saúde pública, que existe hepatite B, hepatite C, HIV, HPV, HTLV (melhor eu parar, se não o post vai ficar grande demais), e é fato que camisinha não protege contra todos eles. E daí? Você pode pegar essas doenças com qualquer pessoa, seja ela promíscua ou não, basta ela ter a doença. E depois, ser promíscuo não é ser burro, dá sim para ter o mínimo de critério na hora de escolher um parceiro sexual, seja para uma transa ou para o resto da vida. Uma coisa é você fazer sexo com pessoas que você nem mesmo conhece pessoalmente, outra é fazer isso com pessoas com quem você já tem algum nível de intimidade (amigos e colegas, por exemplo). No final das contas, com um pouco de cautela e tomadas as medidas de segurança necessárias, dá para aproveitar a vida numa boa, sem ficar grilado.

No final das contas, só o quero dizer é o seguinte. As pessoas usam a promiscuidade para justificar preconceitos, homofobia. É só você perguntar a alguém, "Por que não gosta de Gays?" ou "Porque você é contra os Gays?" pra pessoa responder: "Porque são um povinho muito promíscuo". Mentira, hipocrisia. Promiscuidade não define o caráter de ninguém, e a origem do preconceito é muito mais complexa do que simplesmente a promiscuidade. Deixar de ser promíscuo não vai fazer diferença nenhuma na imagem que a sociedade tem da gente, mas vai sim ajudar a reprimir cada vez mais o que sentimos e o que queremos. Não tem nada de errado em querer ter relações sexuais com mais de um parceiro por um curto período de tempo, ou mesmo com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, seja(m) ela(s) do mesmo sexo ou não, basta que você tenha o mínimo de critério e tome as devidas precauções.

"I'm burning through the sky Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm traveling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball don't stop me now
If you wanna have a good time just give me a call
Don't stop me now ('cause I'm havin' a good time)
Don't stop me now (yes I'm havin' a good time)
I don't want to stop at all"


 (Don't Stop me Now - Queen)



Ai ai ai... Polêmica, como eu adoro polêmica. Antes que eu me esqueça, quero agradecer ao Raphinha pela inspiração. Espero vocês não pensem que eu sou uma frick bich, como diria a Gaga. Pelo contrário, sou um rapaz certinho, tímido, ingênuo... Mas, entre 4... deixa pra lá. 

Um abraço, biches... Até o próximo!