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sexta-feira, 10 de maio de 2013

O grande erro das Cotas...

Sabe o que eu tenho achado super interessante no facebook? A politização. Sim, nós no Brasil temos a, digamos, "autofama" de sermos seres "apolíticos", se é que essa palavra faz algum sentido. Pois bem, o facebook está provando exatamente o contrário, senão está mudando esse quadro para melhor. É incrível a quantidade de assuntos, mobilizações em massa, debates, enfim, toda variedade de discussão política presente hoje nas redes sociais. Eu, pessoalmente, ganho muito, principalmente por não precisar me distanciar completamente do contexto político do meu país enquanto estiver fora.

Par contre, tem o lado ruim disso tudo também: é impressionante como muitos brasileiros estão descontextualizados  ou tomam partido de algo sem refletir muito bem sobre o assunto, pior e mais profundamente falando: é triste ver como o brasileiro é individualista. Talvez seja esse individualismo o responsável pela nossa cultura feia de autocrítica. Saber se criticar é legal, é válido sim, mas temos que saber criticar o que realmente é problemático, sem deixar o individualismo influenciar na decisão.

Uma coisa muito comum que vejo criticarem de maneira totalmente individualista e sob uma ótica extremamente errada é o famoso sistema de cotas. Eu era contra o sistema de cotas, sim, quando eu tinha 15 anos e mais da metade das minhas opiniões era diferente das de hoje em dia. As pessoas evoluem, algumas mais, outras menos, umas positivamente, outras negativamente. Eu acredito que evolui positivamente, pois vejo muitas coisas com muito mais clareza.

Eu sempre caia no senso comum quando falava das cotas: "mas essa medida é absurdamente racista, é como se o Estado considerasse os negros menos capazes de passar no vestibular. E outra, isso é uma desculpa para o Estado não melhorar a educação básica, pois é muito mais fácil colocar alunos nas Universidades pela 'porta dos fundos' do que melhorar a base da educação brasileira". Pois é, se analisarmos o problema de maneira rasa, realmente, essa repetição de ideias "opinião" até que faz muito sentido...

Depois de fazer 2 vestibulares de instituições diferentes e um Enem, cheguei a uma conclusão realmente cruel: vestibulares são extremamente eliminatórios. Pois é, isso parece meio óbvio, né? rs. Mas na hora de expor as suas opiniões muita gente parte do pressuposto de que o vestibular é mais classificatório que eliminatório. Mas não é, e isso ficou claro pra mim quando fiz as provas. O caráter eliminatório do vestibular é tão forte qu eu ousaria dizer que esse tipo de prova Não testa muita coisa do que aprendemos no ensino médio, pelo menos não as coisas importantes. tanto que somos quase obrigados a fazer um curso de "apoio" que vai nos ensinar truques para decorar questões e fugir de pegadinhas, e não gerar conhecimento de fato.

Isso é compreensível, até. Como o governo vai oferecer educação de qualidade e 100% GRATUITA para 100% dos alunos em ponto de cursar a universidade (entende-se por alunos que terminaram o ensino médio)? Gente, isso é lindo, mas é impossível. Se nada é impossível, numa visão realmente otimista, isso é muito difícil de alcançar. Nem mesmo os países mais ricos e desenvolvidos do mundo conseguiram (a não ser alguns países do norte da Europa com IDH lá em cima e com uma população menor do que a cidade de São paulo).

Ok, justifica-se a aplicação de um exame de seleção eliminatório para a seleção de vagas nas universidades públicas. Só que isso tem tantos problemas, não? Primeiro vem a base da educação pública, que está mal das pernas há muito tempo. Outra é essa máfia de cursinhos pré-vestibular que se criou exatamente em função desses exames. Existem outros diversos fatores socioculturais que eu não tenho fontes nem conhecimento para citar, mas não podemos deixar de considerar. Isso tudo faz com que o acesso às universidades, além de limitado, seja desigual. 

Sim, é hipocrisia, é MENTIRA dizer que um estudante de escola pública tem as mesmas chances de entrar numa universidade por meio de vestibular que um estudante de escola privada. Claro, muito disso tem a ver com a qualidade inferior da maioria das escolas públicas, então a solução certa seria melhorar a qualidade da escola pública para melhorar o acesso dos alunos às Universidades? Não é bem isso. A educação tem sim que melhorar, mas não para aumentar a competitividades dos alunos ante ao vestibular, e sim para melhorar a base desses alunos quando chegarem finalmente à universidade. Mas é certo limitar o acesso desses alunos à universidade simplesmente porque a educação pública não faz o seu papel? "Claro, vamos melhorar a educação primeiro". Mas isso é a longuíiiissimo prazo... E nesse meio tempo? Vamos manter a desigualdade por mais alguns anos? Ou vamos promover a "Equidade" do acesso à universidade? Sim, a palavra chave é equidade, pois sabemos que as condições socioculturais interferem e muito nessa questão, e arrisco dizer, independentemente das condições em que se encontra nossa educação básica.

O caminho é simples, gente. Nossa política atual está focada na diminuição das desigualdades sociais. Ter acesso à universidade, na nossa sociedade, é fundamental para que isso aconteça. Mas num país extremamente miscigenado, 80% dos postos são ocupados por pessoas brancas, de classe média para cima. Cadê a equidade de acesso com números como esse? Como promover o fim da desigualdade mantendo justamente o sistema que deu origem a esses números? A proposta do governo com as cotas é apenas mudar esses números. Já que o governo não pode dar educação superior gratuita e de qualidade para TODOS, que pelo menos uma parte de TODOS tenham acesso à isso, e não apenas um pequeno grupo privilegiado (sim, privilegiado) pelo contexto sociocultural do país.

Muita gente apenas trata o assunto pela ótica errada. As cotas não são um privilégio para negros e pessoas pobres, pelo contrário, é justamente a correção da falta de privilégios desses grupos. As pessoas são tão individualistas às vezes, pensam tão pequeno que vem com essa: "mas isso é dizer que os negros são menos capazes que os brancos". Não, não é mesmo. É óbvio que existem negros com base ótima para fazer o vestibular e negros com a base péssima, assim como existem brancos, índios, pardos, amarelos, de cada lado também. Mas será que essa proporção é igual para todos? Temos mesmo que ignorar que o histórico de racismo e escravidão vivido pelos negros do Brasil interfere fortemente nos fatores socioculturais? É fato, o negro e o branco tem a mesma capacidade cognitiva, somos seres da mesma espécie. Mas não podemos desconsiderar que o racismo tem sim colocado os negros numa posição inferior socioculturalmente, e isso se reflete no acesso às universidades quando pegamos uma turma de 50 alunos e vemos que no máximo 3 são negros... Mais uma vez, o objetivo não é nem nunca foi considerar os negros como inferiores, mas sim permitir o acesso do maior numero de negros possível à universidade pública, para assim tentar pelo menos diminuir essa lacuna sociocultural criada desde a escravidão e que vemos até hoje.

Esses dias li uma reportagem dizendo que alunos cotistas tem, em média, desempenho acadêmico inferior em cerca de 10% em relação a alunos não cotistas. Isso não diz muita coisa sobre o sucesso ou fracasso das cotas, no entanto, concordam? Querem atribuir um fracasso ao sistema de cotas justificando pelo desempenho inferior dos alunos. Mas o objetivo das cotas é qual afinal? Gerar alunos de grande excelência acadêmica ou simplesmente fazer com que alunos tenham acesso ao curso superior independente se sua base foi boa ou não? Pois é, na sua essência, as cotas têm cumprido seu papel de maneira exemplar: diminuindo a desigualdade de acesso às universidades entre negros e brancos, entres ricos e pobres... E isso é louvável, está longe de ser uma vergonha!

Mas claro, como pode um programa tão inclusivo ser aceito numa sociedade extremamente individualista? Antes de tecer opiniões, ou melhor, repetir opiniões, pense no quão individualista você é, e que arrumar um país é um pouco mais complexo do que arrumar o seu quarto! ;)

Bem gente, por hoje é isso! Em breve, plus des nouvelles sur le Canada! :)

À plus!


sábado, 16 de março de 2013

Je me Souviendrai Toujours!


"One day when the light is glowing
I’ll be in my castle golden
But until the gates are open
I just wanna feel this moment
"
(Feel this Moment - PittBull feat Chrinstina Aguilera

 
Comecei a escrever algo meio down ontem há noite, sobre depressão e saudade, essas coisas... Daí eu pensei: "Porque escrever algo assim agora?? EU TO NO CANADÁ, PORRA" hauahauahauahauahaauah
 
E é nesse clima mais alto astral que eu venho aqui fazer umas observações importantes e mostrar minhas percepções, finalmente! De fato, tenho percebido que meu comportamente nas redes sociais ainda está muito longe do ideal ou esperado. Ando muito ligado às minhas origens ainda. Não que eu queira ou tenha que me desligar delas, mas é saudável deixar certos aspectos "na gaveta" nesse momento, afinal de contas, preciso viver esse momento intensamente, não? Aproveitar e absorver o máximo desta grande oportunidade que me foi concedida...
 
Muitas pessoas falam sobre impacto cultural que as pessoas sofrem quando vão viver em um país diferente, sobre seus aspectos bons e ruins, suas curiosidades... E curiosamente, só consigo começar a perceber aspectos que poderiam ser "negativos" agora, quase três meses depois que eu cheguei no Canadá. Mas nada que apague ou ofusque o brilho da minha satisfação em estar num país tão Fantastique!
 
Antes de viajar, ouvia muito pouco sobre o Canadá, muito menos sobre o Québec, província onde me encontro atualmente. As únicas coisas relevantes que sabia de fato a respeito é que o Canadá era um país bem frio, com alto índice de qualidade de vida, onde se pode usar maconha sem que isso seja um crime, onde a Religião não interfere na vida das pessoas de maneira significativa. Sobre o Québec eu só sabia mesmo que era um grande província na América do Norte onde se falava francês e se comia Poutine! hahaha
 
O impacto cultural foi grande desde que pus meus pés no Aeroporto Internacional de Toronto, na minha primeira escala fora do Brasil. Pense numa cidade bem grade, bem iluminada, e com o chão coberto de branco... Foi a primeira visão linda que tive do Canadá, e olha que esta está longe de ser uma das coisas mais lindas que ví por aqui. Montréal também me impressionou muito, mesmo no primeiro momento, quando eu estive só de passagem, já que meu destino final era Sherbrooke, uma linda ville de la campagne nos arredores da Capital.
 
Minhas primeiras impressões, além do frio apaixonante, foi com a limpesa das ruas, a simpatia dos canadenses e seu sotaque bem peculiar do Francês. Estradas de paisagem repetitiva, repletas de pinheiros, árvores bordo desfolhadas e muita, mas MUITA neve... Ahh, a neve é realmente uma coisa fantástica, micro e macroscopicamente! Fofa, úmida e escorregadia... Deixa suas mãos dormentes ao toque, mas ainda assim de início você não resiste em querer sentir aquele frio na sua pele...
 
Tudo aqui é diferente: a comida, o café, as pessoas, a forma como as pessoas lidam com a própria vida e com a TUA vida, o valor e a paciencia que recebemos e com que nos tratam, a facilidade com que resolvemos problemas, apesar da burocracia... É um lugar apaixonante, a cada dia me apaixono mais pelo Québec. Sair de um país onde as pessoas só sabem reclamar da própria cultura para aportar em uma província em que o amor pela sua cultura vem expressa até mesmo nas placas dos carros de cada cidadão é realmente muito impactante!
 
 
 
Outra impressão muito boa, desta vez sendo mais específico, é o respeito que as pessoas têm em relação a sexualidade de cada um. Em momento nenhum fui discriminado ou tratado diferente por ser homossexual. As pessoas aqui não estão preocupadas com o que você faz com o seu corpo, com que você dorme todas as noites, ou por quem você sente atração. Se existe homofobia aqui? Sim, infelizmente isso existe em qualquer lugar, mas está longe de ser um extremo. E é lindo ver um estado verdadeiramente laico, onde cristãos, ateus, muçulmanos e diversas outras crenças convivem realmente bem.
 
Não pense, no entanto, que não existem problemas aqui... Aquí é proibido beber alcool em público, você pode ser multado se atravessar fora da faixa, e a neve que gruda na sua bota pode transformar seu quarto numa bagunça lamacenta... hahahaha. Mas acho que isso é bem suportável, né? E como todo brasileiro, tenho o dom de fazer graça de tudo... Até mesmo quando de chamam de /rúlio/ ao invpes de /júlio/ achando que no Brasil se fala espanhol... hauahauahauhauahauah
 
 
 
Um grande abraço, queridos!
Até o próximo!!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Je t'aime, par contre...

 "Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado
"
(Longe do Meu Lado - Legião Urbana
 

 
Piscianos... Não entendo muito bem como, mas eles sempre acabam entrando na minha vida de alguma forma. Talvez existam explicações astrológicas para isso. Mas elas não importam muito. O que importa é que eles entram na minha cabeça e no meu coração como quem estivesse entrando em sua própria casa... bagunçam, tiram as coisas do lugar... E eu? Me sinto perdido, não sei como agir... De forma que tenho preferido não fazer nada!
 
Eis que há cerca que um ano eu conheci um Jeune Homme (JH)... Sim, trop jeune por sinal. E por mais insana que seja a situação, ele me encantou. Tal qual uma sereia encanta seus pescadores. Talvez fosse sua beleza única, perfeita... Talvez a sua ingenuidade tão pura. Mas de uma coisa eu tenho certeza, ele me colocou numa posição em que eu jamais estive antes: a de príncipe. Príncipe? Como assim? Pois é, o príncipe clássico dos contos de fada, montado num cavalo branco pronto para resolver todos os problemas e salvar seu jovem (seu jovem?) daquele mundo de aparências e de fracasso... E eu gostei de ser um príncipe, confesso que gostei...
 
O fato é que essa coisa meio platônica (sim, platônica) hora ou outra cai por terra. Não que JH tenha se tornado menos especial para mim, mas eu decidi voltar pro mundo em que os príncipes só existem na Europa, e nem são daquele jeito que a gente imagina. JH é jovem demais, mora longe demais, é sonhador demais, é fofo demais e lindo demais e gostoso demais e... Cruzes, como não ficar confuso diante de um pisciano tão envolvente? Mas não, é insano demais pensar em uma história real com alguém que eu encontrei no mundo das idéias...
 
E nesse meio tempo... Quado eu já estava conformado... Quando eu já tinha me programado para pensar "Não se apegue, Júlio... Você vai ficar um ano no Canadá"... Eis que eu conheço um Chasseur (C). Confesso que não levei C muito a sério no início, um amigo tinha me falado dele, íamos juntos para uma festa e eu disse "Legal...". Trocamos duas palavras, nos perdemos na pista e depois de 5 beijos eu encontrei os lábios dele. Me apaixonei? Não... Mas confesso que foi o melhor beijo da noite...
 
Até aí tudo bem, foi só mais um cara que eu beijei numa festa e que provavelmente será um bom amigo depois. Até que eu o beijei de novo... E de novo... E de novo... E... Pois é, C já não era mais um amigo apenas. E era o que? Sinceramente não sei... A esse ponto eu estava mais perdido ainda... Me sentia como se dois peixes estivessem na minha circulação sanguínea, um entrando pelo átrio esquerdo e outro saindo pelo ventículo direito. Parecia bom do jeito que tava, mas ainda assim era perturbador...
 
A questão central é que eu conheci o C na pior hora. Ele é tão real pra mim, ele tão... literalmente palpável. Mas escapou das minhas mãos, e por escolha minha. Eu estava prestes a realizar um sonho, e estou realizando. Não é sensato tirar um peixe do rio e esperar que um ano depois eu volte e ele continue lá, do jeito que eu deixei. O certo é devolvê-lo ao rio, mesmo que ele mesmo não queira voltar. E se o acaso, o destino, a sorte, ou qualquer outra força sobrenatural permitir, em um ano eu volto a pescá-lo.
 
Mas eis as questões... E se eu não quiser pescá-lo? E se ele não se permitir ser pescado? E quanto ao JH? E quanto a mim? Céus, como estou confuso... E estando confuso, prefiro não fazer nada, pelo menos não agora.
 
Ontem eu estava falando com o C, tentando explicar a situação pra ele... Je n'ai pas réussi. Como explicar o que não tem explicação? Ele me disse que me ama, e que isso não dependia de mim. Je ne lui ai pas répondu... O que dizer? "Je t'aime, par contre... Je ne peut pas t'aimer"? "Je t'aime, par contre... Je ne veux rien faire"? "Je t'aim... Non, moi non plus"? En fait... Je ne sais pas!
 
Au Révoir, mes chéri(es)... À Bientôt!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Promiscuidade Relativa e Diferenças Culturais!

 
"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
"
(1º de julho - Legião Urbana)

 
E mais uma vez venho aqui para falar desse assunto que dá pano pra manga: promiscuidade. Na verdade, estou usando essa palavra pois não consigo pensar em uma melhor, mas não sei se é exatamente disso que eu vou falar aqui...
 
Pois bem, há cerca de 2 anos eu fiz uma postagem sobre doação de sangue, e de como fui discriminado por ser homossexual. Naquele dia eu senti na pele como nós, gays, sofremos ao sermos constantemente associados a essa questão. Puro preconceito,  e pior, mente fechada dessas pessoas.
 
Claro, se uma pessoa tem um número relativamente grande de perceiros sexuais ao longo de um ano, o risco de ela adiquirir uma DST é também maior, isso é matemática. Mas essa é uma maneira rasa de tratar o problema. Por exemplo, como eu já argumentei anteriormente, uma pessoa pode sim ter quantos parceiros ela quiser com uma boa segurança de que não vai adquirir uma DST, é só ela tomar as devidas precauções, como por exemplo, além do óbvio (camisinha e cia), ter o mínimo de critério na hora se escolher a "presa"... rsrsrs
 
Mas enfim, o fato de eu ter tido 5 parceiros sexuais ao longo de um mês não me torna uma "puta", "vagabunda", ou mesmo me desvaloriza. O corpo é meu, eu uso da mneira que me convém... Século XXI, gente, acorda... Se pensarmos por esse lado, podemos até ver um lado positivo em sermos constantemente associados à promiscuidade em relação ao heterossexuais: temos a mente mais aberto (isso não é uma regra, nem nos isenta de nada...)
 
Pois bem, desde de que vim para o Canadá, percebo que essa questão da liberdade sexual varia muito de cultura para cultura. Antes de começar a falar do assunto, eu não estou querendo dizer que os heterossexuais brasileiros são mais comportados sexualmente, ou que não existe heterossexual brasileiro que seja promíscuo. Muito pelo contrário. Só quero salientar o quanto a NOSSA sociedade é hipócrita quando o assunto é sexo e liberdade sexual.
 
Só mais uns fatos antes do início... Vamos partir do princípio de que toda mulher que dá para um homem na primeira noite é considerada Puta. Sim, muita gente pensa assim aqui no Brasil, puro machismo. Claro que cada mulher tem o direito de fazer o que quiser, inclusive de não dar. Mas taxar a outra mulher que deu como piraranha, vagabunda, ou outro termo pejorativo é meio ridículo, né?
 
 
 
Ontem eu estava conversando com a minha colega de intercambio sobre uma outra colega que não é brasileira, foi criada na França (não vou colocar os nomes aqui pra não dar problema... rs). Alguém comentou que essa nossa amiga estrangeira teve relações sexuais com um amigo nosso na primeira noite em que eles ficaram. Minha amiga brasileira ficou surpresa, ela no seu lugar jamais faria isso, pois no Brasil, isso é coisa de puta.
 
Mas não pense que eu ou mesmo a minha amiga brasileira pensamos que a nossa amiga francesa é uma puta por causa disso. Nós já tínhamos um conceito sobre ela, e definitivamente ela está muito longe de qualquer esteriótipo de puta. Ela simplesmente exerce a liberdade de usar o seu corpo da maneira que bem entende, e isso não faz dela uma puta. Ela teve vontade, ela fez, e pronto, problema é dela... E digo, ela não é a única que faz isso por aquí... As canadenses, as outras francesas, e muitas meninas de diversas nacionalidades fazem isso, e não são putas.
 
Se essas meninas vivessem no Brasil, com certeza já estariam com fama de Puta, mesmo sem ser de fato. Aliás, acho que o termo Puta, como estou usando aqui, nem cabe muito bem nessa situação. Perde o sentido.
 
Mas o que essa discução toda tem a ver com a discução do início sobre preconceito? Pensem comigo. Os gays sempre exerceram a questão da liberdade de usar o corpo, muito mais do que os hetero. Será que o fato de sermos constantemente associados a promiscuidade é simplesmente uma questão da nossa própria cultura? Será que nos outros países do mundo a base do preconceito (se é que ele existe em alguns países) ainda é essa associação entre homossexualidade e promiscuidade? Será que a inserção dos homossexuais em outras culturas é mais fácil? Ou será que em outros países eles são ainda mais hipócritas do que a gente, de modo que apenas os heteros tenham o direito de exercer a liberdade sobre o próprio corpo sem estarem associados â questão da promiscuidade? Essas são questões que eu pretendo responder daquí pra frente! :D
 
Um abraço a todos! Até o próximo...
 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

2 de janeiro de 2012

"Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!"


(Mais uma Vez - Renato Russo)

 
Não, isso não é uma tentativa. Nem uma falsa promessa de retorno. Eu reabri sim o "Sem cortes...", agora é pra valer mesmo. Já tentei, nessas minhas idas e vindas, justificar de todas as formas as minhas ausências, ou me questionar sobre qual que necessidade de se ter um blog... Só cheguei a conclusão de que não existe um motivo concreto, ou necessidade propriamente dita para se ter um blog. Eu simplesmente vou e volto, quando dá vontade de compartilhar coisas ou de desabafar, sei lá... rs
 
O fato é que meus últimos meses não foram os melhores da minha vida. Dizer que foram uma porcaria seria mentira, ou melhor, uma injustiça. Mas sem dúvida, foi o tempo em que estive mais desmotivado, em todos os sentidos. Desde o início de 2012 eu não andava bem, por diversos motivos... E acho que foi aí que tudo começou, sabe? Parece que minha vida não ia pra frente, tudo dava errado, e eu não tinha energia pra nada...
 
Só tinha certeza de uma coisa: daquele jeito as coisas não podiam ficar, de jeito nenhum, e eu não podia ficar alí parado esperando acontecer uma novidade, né? Então, eu resolvi me mexer... Aliás, na verdade eu fiz uma promessa, para mim mesmo... No dia 2 de janeiro de 2012 eu prometi que nunca mais eu ia esquecer dos meus sonhos, e que jamais colocaria nada na frente deles. Tudo bem, nunca fui bom em comprir promessas para mim mesmo. Mas essa, eu cumpri...
 
Hoje eu estou aqui, mais um sonho realizado... Talvez o maior e mais intocável dos sonhos que eu tenho/tinha. Não foi fácil, não foi rápido, nem me impediu de cair naquela ladeira de desmotivação da qual eu falei ainda agora. Até eu chegar aqui eu rodei muito, fui até o fundo do poço. Mas hoje tudo está bem, e eu me sinto mais feliz e encorajado que nunca... Mesmo estando longe das pessoas que amo, mesmo o sol se pondo às 16h, mesmo fazendo um frio de -25ºC lá fora, eu nunca estive tão realizado em toda minha vida. Eu consegui provar para mim mesmo que eu sou capaz de conseguir tudo o que eu quiser. Quer maior satisfação que isso? xD
 
Bem, por enquanto é isso... Em breve eu volto, tenho muita coisa pra contar. Agora eu tenho ainda mais motivos para voltar aqui. O Quebeque é lindo, e o mundo precisa saber disso! :)
 
Um grande beijo... Até o próximo!