Procure Edições Antigas

Carregando...

domingo, 10 de novembro de 2013

Faça os testes na sua cara, literalmente...




Antes de iniciar qualquer discussão eu quero deixar algo bem claro: eu sou a favor da experimentação animal sim. E não se trata de uma opinião parcial de alguém que estuda Farmácia na universidade, nem de um ponto de vista tomado emocionalmente. É apenas uma questão de posição, afinal eu tento ser o mais coerente possível quando tomo partido de uma opinião.

Independente de qualquer posicionamento ideológico, é fato que a invasão e assalto do Instituto Royal há algumas semanas foi, não somente exagerada e extremamente prejudicial em diversos aspectos, como também criminosa. Você pode ter a ideologia que for, somos livres para pensar e tirar nossas próprias conclusões sobre qualquer coisa. Mas daí a invadir uma instituição privada, depredá-la, saqueá-la, furtar animais (muito caros por sinal) e arruinar trabalhos de muitas pessoas, além de atrasar diversas pesquisas que viriam a beneficiar a própria comunidade, não deixa de ser uma atitude criminosa, e deveria ser punida.

Existe toda uma discussão ética e ideológica em torno deste assunto, óbvio. Fala-se muito em especismo e combate aos maus tratos dos animais. Nós, enquanto espécie, de fato, não poderíamos causar dor ou submeter animais à procedimentos cruéis sem justificativa plausível. Eu, inclusive, concordo plenamente com a afirmação anterior. A questão é: onde que a experimentação animal interfere na afirmativa anterior?

Primeiro tópico é a crueldade. Eu não sei se as pessoas não sabem, ou se simplesmente ignoram essa informação [ATENÇÃO, ISSO PODE MUDAR A SUA VIDA PARA SEMPRE], mas antes de qualquer tipo de experimentação animal prevista no protocolo de aprovação de um produto destinado à consumo humano, ou mesmo simples experimentação para fins de pesquisas a respeito de fisiopatologia de doenças, antes de serem executadas precisam, obrigatoriamente, passar por uma coisa chamada Comitê de Ética. O objetivo disso é justamente, entre outras coisas, avaliar a necessidade da utilização de sistemas in vivo, e garantir que a pesquisa não gere (ou gere o mínimo) de sofrimento às cobaias.

Eu, sinceramente, duvido muito que uma empresa como o Instituto Royal (ou qualquer outra empresa farmacêutica, por mais porca e desonesta que seja) faça testes ati-éticos e que promovam, sem necessidade, o sofrimento dos animais utilizados para a pesquisa. Não é o objetivo da pesquisa causar sofrimento a outros seres vivos, as empresas não são sádicas a esse ponto. Causar dor e sofrimento não vai facilitar o andamento dos testes (pelo contrário, inclusive). Outras práticas amplamente difundidas causam muito mais sofrimento aos animais e queda de sua qualidade de vida, desde a criação e abate de animais para consumo de sua carne até mesmo a você, solteirão (solteirona), vivendo sozinhx numa casa com apenas um gato, que por sinal está obeso e cheios de problemas de saúde, que não consegue nem mais andar direito sozinho, porque você coloca porra de ração em excesso e ainda deixa ele comer o que não deveria.

Existe o argumento mais ideológico, menos pragmático, que diz que independente se a atividade causa ou não sofrimento ao animal, a prática deve ser abolida, afinal, somos todos animais, todos temos capacidades cognitivas excepcionais (estamos falando apenas de animais superiores, boa parte dos cordados que possuem algum sistema nervoso mais ou menos definido, e com quem podemos nos identificar por hora). Explorar tais animais seria algo semelhante à escravidão. Esse argumento pode até fazer muito sentido, se desconsiderarmos diversos detalhes.

Um deles é que, apesar de nos identificarmos com esses animais, eles não são da nossa espécie, logo, eles não são integrantes da sociedade, pelo menos não da mesma maneira outros seres humanos. Isso não quer dizer que eu esteja afirmando que seres humanos são superiores a outros animais, mas nós, enquanto espécie, nos organizamos em sociedade justamente com o objetivo (um deles) que continuar perpetuando nossa espécie.

É uma adaptação evolutiva. A ciência é uma adaptação evolutiva positiva, uma vez que se não tivéssemos desenvolvido a ciência ao ponto que ela existe hoje, nossa espécie não teria se perpetuado com tanta eficácia, talvez até entraríamos em extinção. E isso inclui, necessariamente, a utilização de animais em testes. Deixar de fazer esses testes por considerar a utilização de animais antinatural ou errada poderia ser uma atitude nobre, mas sem dúvida nenhuma, poderia condenar a nossa espécie. Se um tigre possuísse capacidade cognitiva semelhante à nossa e deixasse de se alimentar de mamíferos herbívoros para não explorar tal espécie, com certeza o tigre estaria condenado à extinção.

Óbvio que fazer testes em animais com os quais nos identificamos não é uma tarefa agradável. Se houvesse alternativa que nos permitisse substituir esses testes, sem dúvida estas seriam utilizadas. E seriam largamente difundidas, por sinal, pois ao contrário do que têm publicado por aí, a experimentação animal está longe de ser uma alternativa barata e rápida. Mas é a única alternativa para diversos testes onde se precisa determinar a distribuição da substancia em um organismo inteiro. Não, não existem outras alternativas. Ou é isso, ou é abrir mão da nossa capacidade de se sobrepor a obstáculos evolutivos, o que não deixa de ser uma forma de evolução.

Eu respeitaria muito a posição destas pessoas que se opõem aos testes, primeiro, se elas não cometessem atitudes criminosas que só resultarão em perdas financeiras para todos nós, mesmo que indiretamente (lembrando que o instituto Royal está envolvido em diversas pesquisas de Universidades e Institutos federais, logo, indiretamente é nosso dinheiro de contribuinte que foi jogado no lixo), segundo, se eles não espalhassem todo tipo de informação falsa e sensacionalista a respeito dos testes e de seus realizadores. Pensem comigo, o pesquisador no Brasil já tem que enfrentar um ambiente de trabalho que não é lá dos melhores, trabalhando muito, com poucos recursos e com salários bem abaixo da média mundial. Tudo isso para desenvolver produtos que beneficiarão a todos... para depois serem reduzidos a meros demônios sem coração, sádicos, torturadores de beagles.

Só para salientar mais dois aspectos importantes. Primeiro, esses testes são uma exigência internacional para que qualquer produto de uso terapêutico ou não, destinado a consumo humano, possa entrar no mercado. Proibir os testes aqui não significa acabar com a experimentação animal, significa apenas que estes testes serão feitos em outro país, ou seja, empresas nacionais perdem a chance de fazer os testes (menos empregos para pesquisadores ou futuros pesquisadores, como o rapaz que vos escreve), e nós perdemos dinheiro e tempo, visto que provavelmente os custos e o tempo de desenvolvimento subiriam muito se os testes de produtos desenvolvidos no Brasil tivessem que ser feitos no exterior.

Em segundo lugar, qualquer produto, mesmo cosméticos, devem ser testados in vivo antes de entrarem no mercado, não chega a ser uma exigência, mas é realmente aconselhável. Existem empresas nessa confusão toda que dizem se abster de qualquer teste de experimentação animal. Grande jogada, não? Aliás, das duas uma: ou essa empresa utiliza produtos que já foram testados em animais (não por ela, porque ela não sujaria as mãos cometendo tamanha atrocidade), ou elas simplesmente não fazem os testes. Se elas não fazem, é óbvio que elas não tem permissão para fazer testes em preto bandido favelado (isso foi ironia) presidiários e criminosos como muitos por aí andam sugerindo (isso sim seria anti-ético, mas é assunto para um próximo post). Ou seja, o produto vai ser testado linda e literalmente na SUA CARA (ou em outra parte, mas seria legal se fosse na cara, né?)! :)

Tá grande, tá confuso, tá emocionado... Mas acho que pelo menos tem coerência. Precisava dizer isso tudo. Algumas pessoas simplesmente ignoram o trabalho de outras como se aquilo não lhes fosse necessário. Reflita mais profundamente e respeite o trabalho dos outros.

Um grande abraço a todos... até o próximo!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sangue Latino

"Jurei mentiras
E sigo sozinho
Assumo os pecados

Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido

Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa"
(Sangue Latino - Secos & Molhados)



Há cerca de um ano, minha irmã resolveu abrir três tarôs para mim. Entre diversas previsões e conselhos em um momento tão unicamente complicado na minha vida, ela disse: nunca se perca das suas origens...  E lá fui eu, alçar meu tão longo e esperado voo, cheio de dúvidas, mas firme, e pela primeira vez na minha vida, sem medo...

Eu poderia cair no clichê de dizer: ah,  mudar de país é muito difícil. Isso, pelo menos no meu caso, foi uma grande mentira. Não sei se eu sou extremamente adaptável ou se escolhi o país ideal, mas nunca tive dificuldade na adaptação, tive poucos problemas com a língua e todos os desafios me pareciam extremamente excitantes apenas pela novidade... O que é difícil mesmo é ficar longe de casa. 

Com o passar do tempo acabamos criando um sentimento tão estranho que é até difícil de explicar. As vezes a identificação cultural é tão grande que acaba sendo maior do que a sua identificação com a cultura de origem. E então, você se pergunta: qual é o seu verdadeiro lugar no mundo?

Essa com certeza é uma questão que me corroeu por meses... Principalmente porque eu decidi, por mim mesmo, não me desligar e não me alienar das minhas tais raízes... Confesso que a hipocrisia é desanimadora, que a auto-crítica não fundamentada é feia e, principalmente, a fragilidade ideológica de um povo que só sabe reclamar e nada sabe fazer é algo extremamente perigoso.

Mas por outro lado, por mais que seu lugar não seja um cenário perfeito de Hollywood, onde as casas não possuem cercas, as famílias são felizes, todos são tão normais e iguais e tão chatos... Você sempre sabe onde fica sua verdadeira casa. Alguns podem me chamar de louco, mas por mais que eu ame muito essa nação que me acolheu tão bem durante quase 11 meses até agora, eu não saberia viver longe do Brasil... O Sangue fala mais alto, talvez. Ou é apenas um desejo imenso e desesperado de voltar e ajudar a fazer as coisas funcionarem.

Podem me chamar do que for, mas eu acredito no meu país. Eu amo a minha cultura, a minha língua, até mesmo os defeitos. Amo os chatos da classe média, os jovens que lutam muitas vezes sem causa, os alienados que reclamam mais do que fazem, e até mesmo cada delinquente que morre injustamente nas mãos de uma polícia fascista.

Não se trata mais apenas de não romper com minhas origens. Isso seria impossível mesmo que eu nunca mais voltasse para o Brasil. Agora é uma questão de honra, de princípios, uma missão... Viver no Québec tem sido maravilhoso, e muito enriquecedor. Mal posso esperar para aplicar tudo o que aprendi por aqui, em todos os campos...

É feras... Eu estou voltando... Melhor e mais chato que nunca! ;)

Gros Bisous, à la procheine...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O grande erro das Cotas...

Sabe o que eu tenho achado super interessante no facebook? A politização. Sim, nós no Brasil temos a, digamos, "autofama" de sermos seres "apolíticos", se é que essa palavra faz algum sentido. Pois bem, o facebook está provando exatamente o contrário, senão está mudando esse quadro para melhor. É incrível a quantidade de assuntos, mobilizações em massa, debates, enfim, toda variedade de discussão política presente hoje nas redes sociais. Eu, pessoalmente, ganho muito, principalmente por não precisar me distanciar completamente do contexto político do meu país enquanto estiver fora.

Par contre, tem o lado ruim disso tudo também: é impressionante como muitos brasileiros estão descontextualizados  ou tomam partido de algo sem refletir muito bem sobre o assunto, pior e mais profundamente falando: é triste ver como o brasileiro é individualista. Talvez seja esse individualismo o responsável pela nossa cultura feia de autocrítica. Saber se criticar é legal, é válido sim, mas temos que saber criticar o que realmente é problemático, sem deixar o individualismo influenciar na decisão.

Uma coisa muito comum que vejo criticarem de maneira totalmente individualista e sob uma ótica extremamente errada é o famoso sistema de cotas. Eu era contra o sistema de cotas, sim, quando eu tinha 15 anos e mais da metade das minhas opiniões era diferente das de hoje em dia. As pessoas evoluem, algumas mais, outras menos, umas positivamente, outras negativamente. Eu acredito que evolui positivamente, pois vejo muitas coisas com muito mais clareza.

Eu sempre caia no senso comum quando falava das cotas: "mas essa medida é absurdamente racista, é como se o Estado considerasse os negros menos capazes de passar no vestibular. E outra, isso é uma desculpa para o Estado não melhorar a educação básica, pois é muito mais fácil colocar alunos nas Universidades pela 'porta dos fundos' do que melhorar a base da educação brasileira". Pois é, se analisarmos o problema de maneira rasa, realmente, essa repetição de ideias "opinião" até que faz muito sentido...

Depois de fazer 2 vestibulares de instituições diferentes e um Enem, cheguei a uma conclusão realmente cruel: vestibulares são extremamente eliminatórios. Pois é, isso parece meio óbvio, né? rs. Mas na hora de expor as suas opiniões muita gente parte do pressuposto de que o vestibular é mais classificatório que eliminatório. Mas não é, e isso ficou claro pra mim quando fiz as provas. O caráter eliminatório do vestibular é tão forte qu eu ousaria dizer que esse tipo de prova Não testa muita coisa do que aprendemos no ensino médio, pelo menos não as coisas importantes. tanto que somos quase obrigados a fazer um curso de "apoio" que vai nos ensinar truques para decorar questões e fugir de pegadinhas, e não gerar conhecimento de fato.

Isso é compreensível, até. Como o governo vai oferecer educação de qualidade e 100% GRATUITA para 100% dos alunos em ponto de cursar a universidade (entende-se por alunos que terminaram o ensino médio)? Gente, isso é lindo, mas é impossível. Se nada é impossível, numa visão realmente otimista, isso é muito difícil de alcançar. Nem mesmo os países mais ricos e desenvolvidos do mundo conseguiram (a não ser alguns países do norte da Europa com IDH lá em cima e com uma população menor do que a cidade de São paulo).

Ok, justifica-se a aplicação de um exame de seleção eliminatório para a seleção de vagas nas universidades públicas. Só que isso tem tantos problemas, não? Primeiro vem a base da educação pública, que está mal das pernas há muito tempo. Outra é essa máfia de cursinhos pré-vestibular que se criou exatamente em função desses exames. Existem outros diversos fatores socioculturais que eu não tenho fontes nem conhecimento para citar, mas não podemos deixar de considerar. Isso tudo faz com que o acesso às universidades, além de limitado, seja desigual. 

Sim, é hipocrisia, é MENTIRA dizer que um estudante de escola pública tem as mesmas chances de entrar numa universidade por meio de vestibular que um estudante de escola privada. Claro, muito disso tem a ver com a qualidade inferior da maioria das escolas públicas, então a solução certa seria melhorar a qualidade da escola pública para melhorar o acesso dos alunos às Universidades? Não é bem isso. A educação tem sim que melhorar, mas não para aumentar a competitividades dos alunos ante ao vestibular, e sim para melhorar a base desses alunos quando chegarem finalmente à universidade. Mas é certo limitar o acesso desses alunos à universidade simplesmente porque a educação pública não faz o seu papel? "Claro, vamos melhorar a educação primeiro". Mas isso é a longuíiiissimo prazo... E nesse meio tempo? Vamos manter a desigualdade por mais alguns anos? Ou vamos promover a "Equidade" do acesso à universidade? Sim, a palavra chave é equidade, pois sabemos que as condições socioculturais interferem e muito nessa questão, e arrisco dizer, independentemente das condições em que se encontra nossa educação básica.

O caminho é simples, gente. Nossa política atual está focada na diminuição das desigualdades sociais. Ter acesso à universidade, na nossa sociedade, é fundamental para que isso aconteça. Mas num país extremamente miscigenado, 80% dos postos são ocupados por pessoas brancas, de classe média para cima. Cadê a equidade de acesso com números como esse? Como promover o fim da desigualdade mantendo justamente o sistema que deu origem a esses números? A proposta do governo com as cotas é apenas mudar esses números. Já que o governo não pode dar educação superior gratuita e de qualidade para TODOS, que pelo menos uma parte de TODOS tenham acesso à isso, e não apenas um pequeno grupo privilegiado (sim, privilegiado) pelo contexto sociocultural do país.

Muita gente apenas trata o assunto pela ótica errada. As cotas não são um privilégio para negros e pessoas pobres, pelo contrário, é justamente a correção da falta de privilégios desses grupos. As pessoas são tão individualistas às vezes, pensam tão pequeno que vem com essa: "mas isso é dizer que os negros são menos capazes que os brancos". Não, não é mesmo. É óbvio que existem negros com base ótima para fazer o vestibular e negros com a base péssima, assim como existem brancos, índios, pardos, amarelos, de cada lado também. Mas será que essa proporção é igual para todos? Temos mesmo que ignorar que o histórico de racismo e escravidão vivido pelos negros do Brasil interfere fortemente nos fatores socioculturais? É fato, o negro e o branco tem a mesma capacidade cognitiva, somos seres da mesma espécie. Mas não podemos desconsiderar que o racismo tem sim colocado os negros numa posição inferior socioculturalmente, e isso se reflete no acesso às universidades quando pegamos uma turma de 50 alunos e vemos que no máximo 3 são negros... Mais uma vez, o objetivo não é nem nunca foi considerar os negros como inferiores, mas sim permitir o acesso do maior numero de negros possível à universidade pública, para assim tentar pelo menos diminuir essa lacuna sociocultural criada desde a escravidão e que vemos até hoje.

Esses dias li uma reportagem dizendo que alunos cotistas tem, em média, desempenho acadêmico inferior em cerca de 10% em relação a alunos não cotistas. Isso não diz muita coisa sobre o sucesso ou fracasso das cotas, no entanto, concordam? Querem atribuir um fracasso ao sistema de cotas justificando pelo desempenho inferior dos alunos. Mas o objetivo das cotas é qual afinal? Gerar alunos de grande excelência acadêmica ou simplesmente fazer com que alunos tenham acesso ao curso superior independente se sua base foi boa ou não? Pois é, na sua essência, as cotas têm cumprido seu papel de maneira exemplar: diminuindo a desigualdade de acesso às universidades entre negros e brancos, entres ricos e pobres... E isso é louvável, está longe de ser uma vergonha!

Mas claro, como pode um programa tão inclusivo ser aceito numa sociedade extremamente individualista? Antes de tecer opiniões, ou melhor, repetir opiniões, pense no quão individualista você é, e que arrumar um país é um pouco mais complexo do que arrumar o seu quarto! ;)

Bem gente, por hoje é isso! Em breve, plus des nouvelles sur le Canada! :)

À plus!


sábado, 16 de março de 2013

Je me Souviendrai Toujours!


"One day when the light is glowing
I’ll be in my castle golden
But until the gates are open
I just wanna feel this moment
"
(Feel this Moment - PittBull feat Chrinstina Aguilera

 
Comecei a escrever algo meio down ontem há noite, sobre depressão e saudade, essas coisas... Daí eu pensei: "Porque escrever algo assim agora?? EU TO NO CANADÁ, PORRA" hauahauahauahauahaauah
 
E é nesse clima mais alto astral que eu venho aqui fazer umas observações importantes e mostrar minhas percepções, finalmente! De fato, tenho percebido que meu comportamente nas redes sociais ainda está muito longe do ideal ou esperado. Ando muito ligado às minhas origens ainda. Não que eu queira ou tenha que me desligar delas, mas é saudável deixar certos aspectos "na gaveta" nesse momento, afinal de contas, preciso viver esse momento intensamente, não? Aproveitar e absorver o máximo desta grande oportunidade que me foi concedida...
 
Muitas pessoas falam sobre impacto cultural que as pessoas sofrem quando vão viver em um país diferente, sobre seus aspectos bons e ruins, suas curiosidades... E curiosamente, só consigo começar a perceber aspectos que poderiam ser "negativos" agora, quase três meses depois que eu cheguei no Canadá. Mas nada que apague ou ofusque o brilho da minha satisfação em estar num país tão Fantastique!
 
Antes de viajar, ouvia muito pouco sobre o Canadá, muito menos sobre o Québec, província onde me encontro atualmente. As únicas coisas relevantes que sabia de fato a respeito é que o Canadá era um país bem frio, com alto índice de qualidade de vida, onde se pode usar maconha sem que isso seja um crime, onde a Religião não interfere na vida das pessoas de maneira significativa. Sobre o Québec eu só sabia mesmo que era um grande província na América do Norte onde se falava francês e se comia Poutine! hahaha
 
O impacto cultural foi grande desde que pus meus pés no Aeroporto Internacional de Toronto, na minha primeira escala fora do Brasil. Pense numa cidade bem grade, bem iluminada, e com o chão coberto de branco... Foi a primeira visão linda que tive do Canadá, e olha que esta está longe de ser uma das coisas mais lindas que ví por aqui. Montréal também me impressionou muito, mesmo no primeiro momento, quando eu estive só de passagem, já que meu destino final era Sherbrooke, uma linda ville de la campagne nos arredores da Capital.
 
Minhas primeiras impressões, além do frio apaixonante, foi com a limpesa das ruas, a simpatia dos canadenses e seu sotaque bem peculiar do Francês. Estradas de paisagem repetitiva, repletas de pinheiros, árvores bordo desfolhadas e muita, mas MUITA neve... Ahh, a neve é realmente uma coisa fantástica, micro e macroscopicamente! Fofa, úmida e escorregadia... Deixa suas mãos dormentes ao toque, mas ainda assim de início você não resiste em querer sentir aquele frio na sua pele...
 
Tudo aqui é diferente: a comida, o café, as pessoas, a forma como as pessoas lidam com a própria vida e com a TUA vida, o valor e a paciencia que recebemos e com que nos tratam, a facilidade com que resolvemos problemas, apesar da burocracia... É um lugar apaixonante, a cada dia me apaixono mais pelo Québec. Sair de um país onde as pessoas só sabem reclamar da própria cultura para aportar em uma província em que o amor pela sua cultura vem expressa até mesmo nas placas dos carros de cada cidadão é realmente muito impactante!
 
 
 
Outra impressão muito boa, desta vez sendo mais específico, é o respeito que as pessoas têm em relação a sexualidade de cada um. Em momento nenhum fui discriminado ou tratado diferente por ser homossexual. As pessoas aqui não estão preocupadas com o que você faz com o seu corpo, com que você dorme todas as noites, ou por quem você sente atração. Se existe homofobia aqui? Sim, infelizmente isso existe em qualquer lugar, mas está longe de ser um extremo. E é lindo ver um estado verdadeiramente laico, onde cristãos, ateus, muçulmanos e diversas outras crenças convivem realmente bem.
 
Não pense, no entanto, que não existem problemas aqui... Aquí é proibido beber alcool em público, você pode ser multado se atravessar fora da faixa, e a neve que gruda na sua bota pode transformar seu quarto numa bagunça lamacenta... hahahaha. Mas acho que isso é bem suportável, né? E como todo brasileiro, tenho o dom de fazer graça de tudo... Até mesmo quando de chamam de /rúlio/ ao invpes de /júlio/ achando que no Brasil se fala espanhol... hauahauahauhauahauah
 
 
 
Um grande abraço, queridos!
Até o próximo!!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Je t'aime, par contre...

 "Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado
"
(Longe do Meu Lado - Legião Urbana
 

 
Piscianos... Não entendo muito bem como, mas eles sempre acabam entrando na minha vida de alguma forma. Talvez existam explicações astrológicas para isso. Mas elas não importam muito. O que importa é que eles entram na minha cabeça e no meu coração como quem estivesse entrando em sua própria casa... bagunçam, tiram as coisas do lugar... E eu? Me sinto perdido, não sei como agir... De forma que tenho preferido não fazer nada!
 
Eis que há cerca que um ano eu conheci um Jeune Homme (JH)... Sim, trop jeune por sinal. E por mais insana que seja a situação, ele me encantou. Tal qual uma sereia encanta seus pescadores. Talvez fosse sua beleza única, perfeita... Talvez a sua ingenuidade tão pura. Mas de uma coisa eu tenho certeza, ele me colocou numa posição em que eu jamais estive antes: a de príncipe. Príncipe? Como assim? Pois é, o príncipe clássico dos contos de fada, montado num cavalo branco pronto para resolver todos os problemas e salvar seu jovem (seu jovem?) daquele mundo de aparências e de fracasso... E eu gostei de ser um príncipe, confesso que gostei...
 
O fato é que essa coisa meio platônica (sim, platônica) hora ou outra cai por terra. Não que JH tenha se tornado menos especial para mim, mas eu decidi voltar pro mundo em que os príncipes só existem na Europa, e nem são daquele jeito que a gente imagina. JH é jovem demais, mora longe demais, é sonhador demais, é fofo demais e lindo demais e gostoso demais e... Cruzes, como não ficar confuso diante de um pisciano tão envolvente? Mas não, é insano demais pensar em uma história real com alguém que eu encontrei no mundo das idéias...
 
E nesse meio tempo... Quado eu já estava conformado... Quando eu já tinha me programado para pensar "Não se apegue, Júlio... Você vai ficar um ano no Canadá"... Eis que eu conheço um Chasseur (C). Confesso que não levei C muito a sério no início, um amigo tinha me falado dele, íamos juntos para uma festa e eu disse "Legal...". Trocamos duas palavras, nos perdemos na pista e depois de 5 beijos eu encontrei os lábios dele. Me apaixonei? Não... Mas confesso que foi o melhor beijo da noite...
 
Até aí tudo bem, foi só mais um cara que eu beijei numa festa e que provavelmente será um bom amigo depois. Até que eu o beijei de novo... E de novo... E de novo... E... Pois é, C já não era mais um amigo apenas. E era o que? Sinceramente não sei... A esse ponto eu estava mais perdido ainda... Me sentia como se dois peixes estivessem na minha circulação sanguínea, um entrando pelo átrio esquerdo e outro saindo pelo ventículo direito. Parecia bom do jeito que tava, mas ainda assim era perturbador...
 
A questão central é que eu conheci o C na pior hora. Ele é tão real pra mim, ele tão... literalmente palpável. Mas escapou das minhas mãos, e por escolha minha. Eu estava prestes a realizar um sonho, e estou realizando. Não é sensato tirar um peixe do rio e esperar que um ano depois eu volte e ele continue lá, do jeito que eu deixei. O certo é devolvê-lo ao rio, mesmo que ele mesmo não queira voltar. E se o acaso, o destino, a sorte, ou qualquer outra força sobrenatural permitir, em um ano eu volto a pescá-lo.
 
Mas eis as questões... E se eu não quiser pescá-lo? E se ele não se permitir ser pescado? E quanto ao JH? E quanto a mim? Céus, como estou confuso... E estando confuso, prefiro não fazer nada, pelo menos não agora.
 
Ontem eu estava falando com o C, tentando explicar a situação pra ele... Je n'ai pas réussi. Como explicar o que não tem explicação? Ele me disse que me ama, e que isso não dependia de mim. Je ne lui ai pas répondu... O que dizer? "Je t'aime, par contre... Je ne peut pas t'aimer"? "Je t'aime, par contre... Je ne veux rien faire"? "Je t'aim... Non, moi non plus"? En fait... Je ne sais pas!
 
Au Révoir, mes chéri(es)... À Bientôt!